OS AMISTOSOS DA SELEÇÃO MASCULINA

No último final de semana, a seleção brasileira masculina de vôlei encerrou uma série de amistosos contra os argentinos, com vistas à disputa do Sul-Americano e da Copa do Mundo. Foram 4 jogos, dois em cada país. No saldo final da maratona de jogos, o Brasil venceu três partidas e a Argentina venceu uma. As duas seleções utilizaram os confrontos para testar formações e dar rodagem aos jogadores mais jovens dos times. Não participaram de nenhum jogo dos amistosos, pela seleção brasileira, o central Lucão e o oposto Wallace. Pela seleção argentina, o ponteiro Conte, o levantador De Secco e o central Solé também ficaram de fora.

JOGO 1

No primeiro do duelo dos amistosos contra a Argentina, na província de El Calafate, em Santa Cruz, na sexta-feira, 23 de Agosto, o Brasil foi derrotado por 3×1, com parciais de 25/22, 25/27, 25/19, 25/21. O time brasileiro não contou com suas principais peças e foi comandando pelo técnico Giuliano Ribas, o Juba. Iniciaram o jogo pelo Brasil: o levantador Thiaguinho, o oposto Filipe Roque, os ponteiros Douglas Souza e Kadu, os centrais Flávio e Matheus Bispo, e o líbero Maique. Os argentinos mesclaram sua equipe, com metade do elenco medalha de ouro no Pan de Lima e metade do time que conquistou a classificação para os Jogos de Tóquio 2020 no Pré-Olímpico.

JOGO 2

No segundo jogo da série de amistosos, também em território adversário, no sábado 24 de Agosto, o Brasil deu o troco nos argentinos. Os brasileiros chegaram a abrir uma vantagem de 2×0 no placar, desperdiçando vários match-points na terceira parcial, permitindo o empate da Argentina na disputa. No fim, vitória brasileira por 3×2, com parciais de 25/23, 25/22, 28/30, 20/25, 15/10. Em relação à equipe do dia anterior, o técnico Juba fez duas alterações. O ponteiro Victor Birigui entrou no lugar de Kadu e o levantador Rendrick no lugar de Thiaguinho. O oposto Filipe Roque foi o maior pontuador do Brasil com 22 pontos. Ao final da partida, o técnico Juba comentou sobre a vitória.

“Hoje, nosso estudo em cima do adversário foi mais em organizar o nosso sistema. Rodamos bastante o time, colocamos atletas para testes, hoje fizemos algumas mudanças e tivemos respostas positivas. O objetivo foi cumprido, já que viemos para cá para levar esses meninos de volta para o Brasil amadurecidos”, disse Juba.

JOGO 3

Na terceira partida dos amistosos, jogando em Campinas, São Paulo, no ginásio do Taquaral, na sexta-feira, 30 de Agosto, a seleção brasileira não deu chances para os argentinos. Triunfo incontestável por 3×0, com parciais de 25/13, 25/19, 25/20. O time brasileiro contou com a atuação do levantador Bruninho e dos ponteiros Leal e Lucarelli. O técnico Renan Dal Zotto dirigiu a equipe pela primeira vez na série de jogos contra a Argentina. Ele comentou sobre o desempenho da seleção, na segunda vitória contra os argentinos.

“Foi um bom jogo. Jogamos bem, pressionando o tempo todo no saque e as coisas fluíram. Foi uma boa apresentação, acho que a torcida curtiu bastante e a nossa equipe não baixou a guarda em nenhum momento. Depois de um set tranquilo, como foi o primeiro, a tendência é dar uma baixada na guarda, mas isso não aconteceu. Ficamos foçados o tempo todo e o time está de parabéns”, falou Renan.

JOGO 4

No quarto e último jogo dos amistosos com a seleção Argentina, no sábado, 31 de Agosto, também em Campinas, o Brasil encerrou a série com a terceira vitória contra os argentinos. O resultado positivo foi de virada, pelo placar de 3×1, com parciais de 23/25, 25/17, 25/23, 27/25. O Brasil entrou em quadra com modificações na equipe, em relação à partida do dia anterior, assim como a Argentina. O técnico Renan Dal Zotto manteve o oposto Alan e o central Maurício Souza como titulares. Entraram no time: o levantador Cachopa, o central Isac, os ponteiros Douglas Souza e Maurício Borges, além do líbero Maique. Pela Argentina, entraram o levantador Sanchéz e o ponteiro Martínez, reforços do Sesc/Rio para a temporada 2019/2020 da Superliga Masculina.

Ao fim do jogo, o aniversariante do dia, o ponteiro Leal falou sobre a vitória e a sua entrada no jogo, no 4º set. “Estava esperando poder jogar e estou muito feliz. Tive a oportunidade de fechar um jogo importante para o nosso time. Esse é o primeiro aniversário com a camisa da seleção brasileira e agora é só comemorar”.

Fonte: CBV

SELEÇÃO FEMININA CONQUISTA 21º TÍTULO SUL-AMERICANO

A seleção brasileira feminina de vôlei conquistou o 21º título do Campeonato Sul-Americano. O troféu foi o décimo terceiro consecutivo do Brasil na história da competição. Jogando em Cajamarca, no Peru, na decisão, a seleção feminina derrotou a Colômbia pelo placar máximo, com parciais de 25/22, 25/23, 25/20. A oposta brasileira Lorenne foi a maior pontuadora da final com 15 pontos. Ela ainda foi eleita MVP do Sul-Americano 2019. Completou o pódio do torneio, na 3ª colocação, a seleção peruana, depois de bater a Argentina no tie-break, na disputa do bronze.

Ao fim do jogo, a melhor jogadora do Sul-Americano, falou sobre a vitória brasileira com a assessoria da CBV. “Fico muito feliz de termos conquistado o Sul-Americano. Tenho aprendido muito a cada campeonato com a seleção adulta. Só tenho a agradecer o apoio do Zé Roberto, das jogadoras e de toda a comissão técnica por terem confiado no meu trabalho. Acredito que ainda tenho muito a evoluir e crescer a cada dia”, disse Lorenne.

SELEÇÃO DO SUL-AMERICANO 2019

A seleção do Campeonato Sul-Americano 2019 foi composta pela levantadora colombiana Maria Alejandra, a oposta argentina Piccolo, as centrais brasileiras Bia e Mara, as ponteiras Coneo da Colômbia e Ortiz do Peru, e a líbero colombiana Juliana Toro.

A CAMPANHA DO TÍTULO

Fase de grupos

28/08 Brasil 3×0 Equador

29/08 Brasil 3×0 Venezuela

30/08 Brasil 3×1 Argentina

Semifinal

31/08 Brasil 3×0 Peru

Final

01/09 Brasil 3×0 Colômbia

A FASE PRELIMINAR DO EUROPEU FEMININO

Foi encerrada a fase preliminar do Campeonato Europeu Feminino de vôlei 2019. Disputado em 4 sedes, na Turquia, Polônia, Eslováquia e Hungria, a competição reúne 24 seleções do continente, divididas em 4 grupos, com 6 países cada. As quatro primeiras colocadas de cada chave avançaram para a fase eliminatória do torneio.

Os confrontos definidos das oitavas-de-final foram os seguintes: Sérvia x Romênia, Azerbaijão x Bulgária, Itália x Eslováquia, Rússia x Bélgica, Holanda x Grécia, Turquia x Croácia, Polônia x Espanha, Alemanha x Eslovênia. Os jogos acontecem nesse domingo, 1º de setembro. Os vencedores dessas partidas estarão classificados para as quartas-de-final.

Sobre a 1ª fase, um dos destaques até agora na competição é a campanha da Holanda. A laranja mecânica terminou em 1º lugar do grupo C, vencendo todos os jogos, sem ceder uma parcial sequer aos adversários. Foram 5 triunfos contra Romênia, Azerbaijão, Croácia, Estônia e Hungria, respectivamente.

Além das holandesas, um resultado da fase classificatória, também foi destaque, a ponto de bagunçar os confrontos das fases seguintes. Em jogo válido pelo grupo D, a Alemanha bateu a Rússia por 3×2, com parciais de 18/25, 25/21, 25/23, 14/25, 15/11. Com o resultado, a seleção alemã avançou em 1º do grupo e a Rússia ficou em 2º.

Ainda no terreno do inesperado, pelo grupo B, na Polônia, a favorita Itália sofreu um revés, na última rodada das preliminares, para a dona da casa, por 3×2. Tal resultado só não ameaçou a liderança das italianas na chave porque, um dia antes, a Polônia perdeu para a Bélgica, em outra surpresa do Europeu.

Já pelo grupo A, quem até o momento ficou abaixo das expectativas foi a Bulgária. Logo na estreia, a seleção búlgara foi derrotada pelas francesas, no tie-break. Detalhe: a França já foi eliminada da competição. Na sequência, duas derrotas e rendimento ruim contra as favoritas Sérvia e Turquia. Por fim, classificação garantida com vitórias sobre Grécia e Finlândia.

Pela liderança da chave, a Sérvia venceu a seleção da Turquia, em solo adversário, por 3×1, com parciais de 23/25, 25/19, 25/22, 25/22. Ao final do jogo, a levantadora da Sérvia, Maja Ognjenovic, comentou sobre a vitória contra a Turquia, com a assessoria da Confederação Europeia de Voleibol.

“Nós estamos muito felizes porque nós sabíamos que a Turquia é um bom time e esse jogo era muito importante. Os torcedores turcos são extremamente apaixonados e isso é bom para ver o jogo de casa cheia. Eu estou orgulhosa do meu time. Nós tivemos alguns altos e baixos, especialmente na terceira e quarta parcial, mas eu estou feliz que depois de perder alguns pontos, conseguimos voltar a jogar bem”.

A levantadora Maja em ação/Divulgação CEV A levantadora Maja em ação/Divulgação CEV

O FIM DA HEGEMONIA PERUANA

O ano era 1991. A seleção brasileira feminina de vôlei já não contava mais com os ícones da geração dos anos 80, Vera Mossa e Isabel. Campeão mundial na base, o Brasil passava por um forte processo de renovação. Capitaneadas por Wadson Lima, Fernanda Venturini, Ana Moser e Ana Flávia Sanglard galgavam espaço no sexteto titular brasileiro. Ancoradas por nomes como Ida e Cilene, além da presença de talentos no banco como Fofão, Hilma, Leila e Adriana Samuel, o objetivo brasileiro era encerrar a hegemonia peruana no voleibol sul-americano.

O palco era o ginásio do Ibiraquera, em São Paulo, completamente lotado, em jogo válido pelo Sul-Americano daquele ano. Havia toda uma comoção em torno da partida. Além do título, valia a classificação olímpica para os Jogos de Barcelona, em 1992. O restrospecto todo favorável ao Peru. As peruanas atuais vice-campeãs olímpicas, nos Jogos de Seul, em 1988, além de tetracampeãs consecutivas sul-americanas. O Brasil não vencia a competição desde 1981.

Dentro de casa, a responsabilidade brasileira era enorme, apesar do favoritismo peruano. Para a jovem seleção brasileira, vencer o Peru, seria superar uma grande barreira rumo ao topo da modalidade. O time peruano comandado pelo coreano Man Bok Park tinha entre suas principais estrelas, figuras conhecidas do Brasil como: Rosa Garcia, Cecília Tait e Natália Málaga. Não foi uma tarefa fácil. Para desbancar o Peru, uma das seleções mais tradicionais da época, foi necessário trabalho árduo, que durou duas gerações.

É bom citar algumas peculiaridades da modalidade naqueles tempos. O jogo tinha vantagem, era mais lento, principalmente no feminino, havia mais combinações de jogadas e também existia espaço para jogadores mais baixos. Além disso, o sistema de jogo variava, com mudanças de posição dentro de cada partida. Pois bem, dito isso, no duelo decisivo, o Brasil finalmente bateu o Peru por 3×1, com parciais de 15/5, 9/15, 17/15, 15/13. Desde então, a seleção brasileira feminina abriu o caminho para grandes conquistas, vitórias e títulos históricos.

O SUL-AMERICANO FEMININO

Começa hoje no Peru, na cidade de Cajamarca, o Sul-Americano Feminino de vôlei. O Brasil defende uma hegemonia de 26 anos na competição. A última vez que a seleção feminina não venceu o Sul-Americano foi em 1993. Em 2019, as brasileiras disputam o torneio em busca do 21° título.

Participam do Campeonato Sul-Americano 2019, oito seleções divididas em dois grupos. O Brasil está no grupo A, ao lado de Equador, Argentina e Venezuela. O outro grupo é formado por Peru, Colômbia, Uruguai e Bolívia. Os dois melhores de cada chave avançam de fase. Os vencedores das semifinais decidem o título.

O técnico José Roberto Guimarães poupou do Sul-Americano as ponteiras Gabi e Natália. O Brasil também não irá contar com a oposta Tandara. Segundo fontes da imprensa, ela pediu dispensa por problemas particulares. Além das três jogadoras, a líbero Camila Brait também não disputa a competição.

Foram convocadas para o Sul-Americano 2019, pelo técnico José Roberto Guimarães: as levantadoras Macris e Roberta, as opostas Lorenne e Sheilla, as ponteiras Drussyla, Amanda, Gabi Cândido e Maira, as centrais Fabiana, Carol, Mara e Bia, e as líberos Léia e Suelen.

Competição

Pela primeira vez em anos, o Sul-Americano terá um nível de resistência maior ao predomínio brasileiro na competição. Peru, Colômbia e Argentina são os países com pequenas chances de ameaçar a hegemonia brasileira no torneio. As três seleções estão em franca evolução, ainda que, em condições normais, as brasileiras sejam favoritas absolutas.

O Pan de Lima foi a prova de que o Brasil, precisa estar atento ao crescimento técnico de seus vizinhos, na América do Sul. Durante a disputa do Pan, a equipe B brasileira teve muitas dificuldades na virada de bola contra Argentina e Colômbia, adversárias do torneio continental.

Para o Sul-Americano, o que se espera é que, a seleção brasileira responda a tudo isso, com atuações convincentes. Sem dúvida, esta edição da competição será a mais difícil de todos os tempos. Nada como um bom resultado para resgatar a confiança e calar os críticos.

Tabela do Sul-Americano

28/08 Grupo A 17:00 Brasil x Equador

29/08 Grupo A 17:00 Brasil x Venezuela

30/08 Grupo A 17:00 Brasil x Argentina

JAPÃO É CAMPEÃO ASIÁTICO

No último domingo, em Seul, na Coreia do Sul, a seleção feminina japonesa de vôlei sagrou-se campeã do Campeonato Asiático. Foi o quinto título japonês na competição, em toda a história. Anteriormente, o Japão foi campeão continental em 1975, 1983, 2007, 2017.

Jogando com uma equipe sub-20, campeã mundial em 2019 da categoria, na decisão do título, o Japão bateu a Tailândia por 3×1, com parciais de 25/22, 18/25, 25/18, 25/23. A ponteira japonesa Mayu Ishikawa foi eleita MVP da competição. Ela também já havia sido escolhida a melhor jogadora do Mundial sub-20.

Em seus domínios, dirigida pelo técnico italiano Stefano Lavarini, campeão da Superliga 2018/2019 com o Minas, a seleção coreana completou o pódio do torneio. Na disputa de bronze, a Coreia do Sul derrotou o time B da China por 3×0, com parciais de 25/21, 25/20, 25/22.

Divulgação CAV

OS AMISTOSOS DA SELEÇÃO FEMININA

A seleção brasileira feminina de vôlei realizou amistosos contra a seleção da Argentina, nessa semana, com vistas para o Campeonato Sul-Americano e a Copa do Mundo. Foram dois jogos na Arena Suzano, no estado de São Paulo, com dois resultados positivos, pelo placar de 3×0. No entanto, o selecionado argentino escalado para as duas partidas, era composto por um time B, de jogadoras juvenis. Dessa forma, as duas vitórias contra as argentinas não podem servir de parâmetro para o Brasil.

Ao técnico José Roberto Guimarães restou dar rodagem e ritmo de jogo para algumas atletas, que não estiveram com a seleção, de forma permanente, em outras competições, ao longo de 2019. São o caso da ponteira Drussyla e da central Carol. As ponteiras Gabi e Natália foram poupadas após uma temporada desgastante. Já a oposta Tandara teve uma nova contusão, não participando dos confrontos com a Argentina.

A série de amistosos também foi marcada pelo retorno às quadras da bicampeã olímpica Sheilla Castro. Ela estava parada desde os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Seu desempenho contra a Argentina foi regular. Além de Sheilla, a central Fabiana e a líbero Camila Brait também voltaram a defender a camisa da seleção brasileira. Porém, para Fabiana o destaque dos amistosos foi negativo. Ela saiu da partida, logo no comecinho do primeiro jogo, com uma fascite plantar.

De maneira objetiva, analisando o saldo final dos amistosos contra a Argentina, chega-se à conclusão que eles foram improdutivos. Não serviram nem mesmo para apagar o vexame do Pan de Lima, quando a seleção feminina perdeu por duas vezes para a mesma Argentina, por 3×0. Ficou a impressão para os torcedores que, a série de amistosos ocorreu para preencher o calendário, atendendo uma demanda dos patrocinadores e da televisão. Portanto, na verdade, as partidas tratavam-se de um produto caça-níquel.

A CHINESA AMERICANA

Divulgação/USA Volleyball
Divulgação/Usa Volleyball

Campeã olímpica como atleta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles e também como treinadora nas Olimpíadas do Rio, a chinesa Lang Ping é considerada um dos maiores nomes da história do voleibol feminino mundial. Na época de jogadora, conhecida como “Martelo de Ferro”, além da medalha de ouro, defendendo a China, Lang Ping conquistou os títulos da Copa do Mundo de 1981 e 1985 e do Campeonato Mundial de 1982. Eleita para o Hall da Fama da modalidade em 2002, selecionada pela Federação Internacional de Vôlei como uma das melhores jogadoras do século XX, em 2000, Lang Ping liderou a seleção chinesa na histórica vitória olímpica contra os Estados Unidos, dentro do domínio adversário, em 1984. Um feito inédito até então, já que a China nunca havia participado das Olimpíadas na modalidade.

O novo idioma

A relação de Lang Ping com os Estados Unidos começou a se aprofundar em 1986. Após fazer parte da comissão técnica chinesa bicampeã mundial, como assistente técnica, a estrela do voleibol chinês ingressou em curso de inglês na Universidade de Pequim, em 1987. Na sequência, mudou-se para os Estados Unidos com o marido, para se dedicar aos estudos, como bolsista, na Universidade do Novo México, durante 2 anos, no programa para chineses residentes no exterior. Ela concluiu o mestrado em Gestão de Esportes. Logo, foi convocada novamente a defender a China, como jogadora, no Campeonato Mundial de 1990. Terminada a disputa, Lang Ping retornou aos Estados Unidos para continuar os estudos. Paralelamente, iniciou a carreira na Universidade como técnica. O enlace derradeiro com os americanos viria após o nascimento de sua primeira filha nos Estados Unidos, em 1992.

Desde então, Lang Ping se dedicou a carreira de treinadora. Em 1995, concorreu ao cargo de técnica da seleção feminina dos Estados Unidos. Preterida, voltou para o seu país, onde iniciou sua carreira profissional como comandante máxima da seleção da China. Mais uma vez, liderou sua equipe a medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Permaneceu no cargo até 1999. Nesse período, foi vice-campeã mundial, em 1998. Após deixar a direção da China, Lang Ping fez uma incursão de 6 anos pela Liga Italiana por clubes como Modena, Novara e Monte Schiavo, com algum sucesso.

Porém, os Estados Unidos novamente seriam o destino de Lang Ping. Numa correção de rumos dos americanos, em relação ao ciclo de Atlanta, no ano de 2005, Lang Ping foi convidada para assumir o comando técnico da seleção feminina americana. Pesou a favor de sua decisão, o fato dos estudos de sua filha de 13 anos, nascida em território americano, serem na Califórnia. Brilhantemente, em um processo de resgate do vôlei feminino dos Estados Unidos, Lang Ping conduziu sua equipe ao pódio olímpico depois de 16 anos. A seleção americana conquistaria a medalha de prata contra um imbatível Brasil, dentro do território chinês, em Pequim.

Em 2013, Lang Ping voltaria a dirigir a China. Com um processo de renovação profundo, após o fracasso chinês nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, a já experiente treinadora, recolocou a China entre as melhores seleções do mundo. Conquistou um novo vice-campeonato mundial em 2014, na Itália. Em mais um feito, revelou para o mundo o fenômeno Thing Zhu. Finalmente, em 2016, no Rio de Janeiro, foi medalha de ouro como treinadora, em mais uma marca histórica no currículo, única mulher campeã olímpica na quadra e como comandante técnica da modalidade. Atualmente, permanece na direção da seleção chinesa. Seu último resultado de expressão foi o bronze no Mundial de 2018.

O SUBSTITUTO DE JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES

Poucos dias antes da competição feminina do torneio de voleibol dos Jogos Pan-Americanos, o técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães, anunciou que deixará o cargo após as Olimpíadas de Tóquio. Na sequência, em novas declarações dadas à imprensa, José Roberto Guimarães indicou o seu assistente técnico na seleção, Paulo Coco, para o seu lugar.

Evidente que a decisão do substituto caberá a Confederação Brasileira de Vôlei. Porém, o peso da indicação de José Roberto Guimarães, certamente, será levado em conta. Isso não quer dizer, que não exista outros nomes em condições de assumir o comando da seleção feminina. Também não dá para deixar de ressaltar, que caso Paulo Coco seja o escolhido, o legado de José Roberto Guimarães será preservado.

No entanto, uma provável escolha da CBV por Paulo Coco, poderia ser considerada problemática. As dificuldades de renovação do Brasil nesse ciclo, sob a gerência dessa comissão técnica, é apontada por muitos, como um dos motivos dos fracassos recentes da seleção feminina. Dar continuidade há algo que não vem dando certo é temeroso.

Por mais que Paulo Coco seja experiente e entenda do riscado, a seleção feminina precisa respirar novos ares. O Brasil necessita de uma guinada capaz de acolher os jovens talentos da nova geração, com outros métodos de trabalho. Talvez não haja no mercado brasileiro nome à altura para o tamanho do desafio. Um técnico estrangeiro não faria mal ao vôlei feminino do Brasil, no momento.

Além disso, a decisão da CBV sobre o substituto de José Roberto Guimarães deveria engajar os fãs. Calejados com os últimos resultados ruins e com polêmicas sobre convocações, torcedores afastaram-se da seleção feminina. Ou seja, o vôlei perdeu público. É preciso resgatar a empatia do público com a seleção. Não será com uma escolha tão conservadora, que a CBV, irá reconquistar o prestígio de outrora.