O ADIAMENTO DOS JOGOS OLÍMPICOS DE TÓQUIO

Na manhã de terça-feira, 24 de Março, hora de Brasília, o Comitê Olímpico Internacional anunciou em conjunto com o Comitê Organizador Local das Olimpíadas, o adiamento dos Jogos de Tóquio, previstos para esse ano, fato inédito na história. A decisão saiu após pressão internacional de Comitês Olímpicos de várias nações pelo adiamento. Houve ameaças de boicote ao evento. O motivo alegado foi o agravamento da pandemia do covid-19. Segundo o COI, os Jogos Olímpicos de Tóquio serão realizados até o verão de 2021 no hemisfério norte.

Não é a primeira vez que a capital japonesa é sede dos Jogos Olímpicos. Em 1964, Tóquio recebeu o evento. A escolha da cidade como sede das Olimpíadas, pela segunda vez, ocorreu em setembro de 2013. Também não é a primeira vez que os Jogos Olímpicos não acontecem na data prevista. Durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, do século passado, o evento foi cancelado por três vezes. Curiosamente, em uma dessas edições, o Japão seria o anfitrião, em 1940.

O WORLD GRAND PRIX 2003

Em 2003, em virtude do vírus da Sars no continente asiático, principalmente na China, o Grand Prix de vôlei daquele ano foi transferido pela FIVB para a Itália. A medida foi tomada às pressas para evitar o contágio da doença. A escolha da sede substituta ocorreu após o título mundial italiano em 2002, aumentar o interesse do país pela modalidade no naipe feminino. Além disso, a Liga Italiana da categoria iniciava o seu apogeu.

O formato da competição também foi alterado. Na 1ª fase, 12 seleções foram divididas em dois grupos, de 6 países cada. Os cinco primeiros avançaram para as finais, englobando as duas chaves, três de cada lado. Como país sede, a Itália já estava garantida nas finais, em Andria. O grupo A era composto por Itália, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Japão e Cuba. O grupo B por China, Rússia, Brasil, Coréia do Sul, Canadá e Tailândia.

O Brasil não saiu-se bem no torneio. Ficou em um modesto 8º lugar, fora das finais. Na verdade, foi a sua pior participação da história no Grand Prix. Sob o comando de Marco Aurélio Motta, a seleção brasileira até conquistou um feito na competição. Conseguiu derrotar a China por 3×1, depois de uma sequência de quase dez derrotas no confronto direto com as chinesas, naquele ciclo. Porém, um surpreendente revés para a Coréia do Sul por 3×0, na última rodada da 1ª fase, tirou as brasileiras das finais.

Foi a gota d’água. Logo depois da eliminação, a CBV demitiu o técnico Marco Aurélio Motta do comando da seleção. Cercado de polêmicas com as principais atletas do país, Marco Aurélio Motta sucumbiu ao vexame brasileiro na Itália, justamente quando parecia ajustar o time. Na esteira do sucesso da transição de Bernardinho do feminino para o masculino, a CBV escolheu José Roberto Guimarães, campeão olímpico até aquele momento, com o masculino, em Barcelona 1992, para o seu lugar. Quase 17 anos depois, ele mantém-se no cargo.

Um fato curioso desse Grand Prix foi a falta de transmissão da competição para o Brasil, dadas as circunstâncias dos acontecimentos da época. Ao que parece, mesmo com os direitos de transmissão, o SPORTV não exibiu o torneio, vencido pela China. Desde então, tirando o título holandês em 2007, Brasil e Estados Unidos revezam-se no lugar mais alto do pódio, incluindo a Ligas das Nações, sucessora natural do Grand Prix. Na internet, é possível encontrar algumas partidas da fase final, como esta no link abaixo, entre China e Estados Unidos, pela 1ª rodada das finais.

O FIM DA TEMPORADA DA SUPERLIGA FEMININA

Foi encerrada a temporada 2019/2020 da Superliga Feminina. Em reunião dos clubes com a CBV, por vídeo conferência, foi decidido nesta quinta-feira de manhã, 19 de março, que a competição está finalizada, em virtude da pandemia do covid-19. A volta estava prevista para junho, porém os contratos com as atletas terminavam em maio. Também foi acertado na reunião que não haverá vencedor da disputa na temporada. A vaga para o Sul-Americano de 2021 está em aberto, sem definição. Segundo fontes da imprensa, existe a possibilidade de acontecer um torneio, em setembro de 2020, com os oito melhores da Superliga Feminina 2019/2020 para definir a vaga dessa competição, no mesmo formato da Copa do Brasil.

Cartolagem a parte, na opinião do blog, existem duas possibilidades para resolver esse imbróglio, caso o tal torneio não seja disputado, em setembro. A primeira seria declarar o Praia Clube como campeão da temporada 2019/2020 da Superliga Feminina, apoiado na fase regular da competição. O time de Uberlândia terminou a 1ª fase com a melhor campanha, com 20 vitórias e 2 derrotas, em 22 jogos, e portanto seria o postulante por direito da vaga no Sul-americano. A outra opção, não menos polêmica, seria considerar o título da Copa do Brasil 2020, conquistado pelo Sesc/RJ, como herdeiro natural da vaga no Sul-Americano, baseado na decisão de hoje dos clubes, em não declarar o campeão da Superliga Feminina 2019/2020.

Seja qualquer for a decisão, não será fácil costurar um acordo político, em meio a uma conflagração geral entre clubes e CBV, fruto de polêmica na votação do fim do ranking de atletas na Superliga Feminina, na semana retrasada. Quem se considerar prejudicado, pode tomar medidas radicais como não entrar em quadra na provável competição de setembro. Nesse caso, é bom observar a posição dos dirigentes do Praia e do Sesc. Eles são os maiores interessados, caso o torneio de setembro não seja disputado. Hoje mesmo, após reunião dos clubes com a CBV, dirigentes do Praia se manifestaram em suas redes sociais, comemorando o título da temporada, consequentemente, a detenção da vaga no Sul-Americano 2021 e também da Supercopa.

A ÚLTIMA RODADA DA SUPERLIGA FEMININA

Foi encerrada a fase regular da temporada 2019/2020 da Superliga Feminina. No último domingo, 8 de março, a rodada teve início com a vitória do Barueri sobre o Curitiba por 3×1. Com o resultado, o time de José Roberto Guimarães confirmou a 6ª posição geral na tabela. Seu adversário na fase eliminatória da competição será o Minas, 3º colocado.

Já o Curitiba, conhecia o seu oponente de quartas-de-final antes do começo da rodada. Garantido nas quartas-de-final, em 8º lugar, o time do Paraná terá o líder Praia Clube pela frente.

Ontem, 10 de março, a 11ª rodada do returno teve o seu complemento. Em Belo Horizonte, o Minas bateu o líder Praia Clube, de virada, por 3×1, no clássico mineiro, mas o resultado não foi suficiente para o atual campeão da Superliga ficar com a vice-liderança. Isso porque, o Sesc/RJ cumpriu o seu papel derrotando o Pinheiros por 3×0, em São Paulo.

Falando em clássico, no Rio de Janeiro, também pela última rodada do returno, aconteceu o segundo Fla x Flu da história da Superliga Feminina. Depois de abrir 2×0 no placar, com o mando de quadra, o Flamengo permitiu a virada do Fluminense, com 15/6 no tie-break, a favor do tricolor.

Com esses resultados nos clássicos da rodada, tanto em Minas, como no Rio, mais o triunfo do Sesc sobre o Pinheiros, ficou definido outro confronto nas quartas-de-final da competição, entre o Sesc/RJ e o Fluminense. Já o Flamengo conseguiu escapar do rebaixamento, mesmo sendo derrotado, após o revés do Valinhos dentro de casa, para o Osasco, por 3×1.

Fechando a rodada, o já rebaixado São Caetano não foi páreo para o Bauru. Com uma vitória pelo placar de 3×0, a equipe comandada pelo campeão olímpico Anderson Rodrigues garantiu a vantagem de realizar dois jogos em casa, se necessário, no duelo de quartas-de-final contra o Osasco.

Tabela dos playoffs

Com o fim da rodada, a CBV divulgou as datas e os horários da próxima fase da Superliga Feminina 2019/2020. O mata-mata da competição começa nesse próximo sábado, 14 de março, às 19h, em Bauru, no ginásio Panela de Pressão, com transmissão da TV Cultura e do SPORTV 2, com o jogo entre Sesi/Bauru e Osasco.

A sequência das partidas segue no domingo, 15 de março, na Arena Minas, em Belo Horizonte, às 20h, com o confronto entre Minas e São Paulo/Barueri. O jogo também será transmitido pelo SPORTV 2.

Na segunda-feira, 16 de março, em Curitiba, na Universidade Positivo, o Curitiba recebe o Praia, às 19h30, com transmissão do SPORTV 2.

Encerrando a 1ª rodada dos playoffs, no ginásio do Hebraica, no Rio de Janeiro, às 19h, o Fluminense enfrenta o Sesc/RJ, com transmissão do SPORTV 2. Abaixo você confere a tabela completa das quartas-de-final.

1ª rodada Quartas-de-final

14/03 19:00 Sesi/Bauru x Osasco

15/03 20:00 Minas x São Paulo/Barueri

16/03 19:30 Curitiba x Praia Clube

17/03 19:00 Fluminense x Sesc/RJ

2ª rodada

19/03 19:00 Osasco x Sesi/Bauru

19/03 21:30 São Paulo/Barueri x Minas

20/03 19:00 Praia Clube x Curitiba

20/03 21:30 Sesc/RJ x Fluminense

3ª rodada se necessário

23/03 19:00 Sesi/Bauru x Osasco

23/03 21:30 Minas x São Paulo/Barueri

24/03 19:00 Praia Clube x Curitiba

24/03 21:30 Sesc/RJ x Fluminense

Todos os jogos serão transmitidos pelo SPORTV 2.

O JOGO DA RODADA – Vôlei Renata/Campinas garante 5ª posição na tabela

Pela Superliga Masculina, em jogo válido pela penúltima rodada do returno, o Vôlei Renata/Campinas venceu o América, jogando em casa, no ginásio do Taquaral. O placar final do confronto ficou em 3×1, com parciais de 25/20, 25/23, 23/25, 25/23, a favor dos campineiros. Com o resultado, o Vôlei Renata confirmou a 5ª posição geral na tabela de classificação da competição. Já garantido nos playoffs, o time comandado pelo argentino Horácio Dileo, ainda possui chances de avançar de fase em 4º lugar. Para isso, precisa vencer o Itapetininga por 3×0 ou 3×1 na última rodada e torcer por um tropeço do Sesi contra o Taubaté.

O central Luizinho do Campinas foi o maior pontuador do duelo com o América. Ele anotou 20 pontos, sendo 10 no ataque, 4 no serviço e 6 de bloqueio. Ele ainda foi eleito o melhor da partida, por votação popular na internet, tendo recebido o troféu Viva Vôlei. Ao final do jogo, Luizinho conversou com a assessoria da CBV sobre o seu desempenho individual contra o América. “Tenho feito bons jogos e isso vem dando confiança e um entrosamento ainda maior com o Gonzales, levantador com quem jogo há algumas temporadas. A confiança dele comigo ajuda e tem dias que as coisas dão certo mesmo. Destaco a importância da comissão técnica e da equipe para que isso aconteça”.

OUTROS RESULTADOS

Fiat/Minas 2×3 Vôlei Ribeirão 25/18, 25/19, 22/25, 19/25, 14/16

Ponta Grossa 1×3 Sesc/RJ 20/25, 19/25, 25/19, 18/25

Maringá 2×3 Itapetininga 25/22, 25/21, 23/25, 18/25, 17/19

Sesi/SP 2×3 Apan Blumenau 25/27, 23/25, 25/20, 25/17, 13/15

Cruzeiro 0x3 Taubaté 18/25, 24/26, 22/25

O central Luizinho no ataque/Divulgação Vôlei
Renata/Marcos Ribolli

O JOGO DA RODADA – Sesc/Rio quebra sequência de vitórias do Minas

Pela Superliga Feminina de vôlei, em jogo atrasado da 8ª rodada do returno, o Sesc/Rio bateu o Minas, jogando em casa, no ginásio do Tijuca. O placar final do confronto ficou em 3×1, com parciais de 25/15, 22/25, 25/19, 25/22, a favor das comandadas de Bernardinho. Com o resultado, o Sesc quebrou uma sequência de 9 vitórias consecutivas do Minas e assumiu a vice-liderança da competição.

A oposta Tandara foi a maior pontuadora da partida com 19 pontos. Ela ainda foi eleita a melhor do jogo, por votação popular na internet. Após a vitória, Tandara conversou com a assessoria da CBV. “Esse foi um jogo para já começarmos a conhecer o que nos espera pela frente. Jogamos muito bem, sacamos bem, criamos novas e boas oportunidades de ataque e estou feliz que tenha dado tudo certo”.

RESUMO

Sesc e Minas adotaram uma estratégia clara de forçar o jogo no serviço. Com mais eficiência no fundamento, o time comandado por Bernardinho dominou toda a primeira parcial, a ponto de obrigar o Minas a sacar a ponteira venezuelana Acosta do jogo. Com a entrada de Kasiely, o Minas conseguiu estabilizar a sua linha de passe. No entanto, continuou cometendo um alto número de erros. A levantadora Macris teve dificuldade para trabalhar o jogo com suas centrais. Em uma boa sequência de Thaísa no saque, o Minas finalmente colocou o Sesc em apuros. Resultado: o jogo estava empatado.

Com mais confiança, o Minas voltou melhor para a terceira parcial do que o Rio. Porém, o volume de jogo do Rio recolocou o time de Bernardinho no páreo. Inexplicavelmente, o técnico do Minas voltou com Acosta no lugar de Kasiely, facilitando a vida do Sesc. Aproveitando as oportunidades de contra-ataques, o Sesc abriu boa frente no placar e venceu a terceira parcial. No 4º set, houve certo equilíbrio entre as duas equipes. No momento decisivo, o Sesc fechou a partida em 3×1, ao quebrar mais uma vez, a linha de passe do Minas.

SESC/RIO Fabíola (6), Tandara (19), Juciely (10), Milka (5), Amanda (11), Drussyla (15), Natinha (L). Entraram: Carol Leite (0), Gabirú (0). Técnico: Bernardinho

ITAMBÉ/MINAS Macris (2), Sheilla (15), Carol Gattaz (12), Thaísa (9), Acosta (2), Rabadzieva (14), Leia (L). Entraram: Kasiely (5), Bruninha (0), Bruna Honório (1). Técnico: Nicola Negro

OUTROS RESULTADOS

Sesi/Bauru 2×3 Praia Clube 25/21, 13/25, 15/25, 25/19, 13/15

A ponteira Drussyla comemora o ponto/Divulgação CBV/Luciano Belfod

O CENÁRIO DA PRÓXIMA TEMPORADA DA SUPERLIGA MASCULINA

Antes do feriado do Carnaval, uma notícia sobre o fim do patrocínio do Sesc na categoria masculina, pegou muita gente de surpresa. O fato não é novidade na modalidade. Desde o começo da Superliga, há aproximadamente 26 anos, seja entre os homens ou entre as mulheres, por várias vezes, patrocinadores deixaram atletas e projetos históricos na mão. O problema é crônico. Em uma conjuntura econômica instável, tende a piorar.

É possível compreender a situação, mas não dá para aceitar a repetição do fato. Nessa perspectiva, o cenário para a temporada 2020/2021 da Superliga é nebuloso. Em especial, no naipe masculino. Além do fim da equipe do Sesc, Taubaté, Maringá, América e Ponta Grossa enfrentam problemas financeiros. Somados, quase a metade dos participantes da maior competição nacional podem ficar de fora da próxima temporada. Também há o risco de êxodo de atletas. De qualquer forma, está claro que no próximo ano, a Superliga deve perder competitividade .

Entre os quatro favoritos desse ano, um deles não disputará o torneio em 2020/2021 e outro deve diminuir a capacidade de investimento. Logo, outras equipes devem figurar no G4 como é o caso do Campinas e talvez do Minas. Projetos bem encaminhados e estruturados podem ganhar força como o de Itapetininga e do Vôlei Ribeirão. Há ainda o acesso da Superliga B. Nele, existem projetos interessantes, com chances de crescimento, como o de Anápolis e o do Vôlei Guarulhos.

O que deve deixar de acontecer no vôlei brasileiro, é a fuga de patrocinadores a qualquer sinal de tempestade. A CBV precisa se antecipar ao fatos mais rapidamente e impedir uma debandada previsível como essa de agora. É evidente que a relação da entidade com quem paga a conta dos clubes também necessita mudar de patamar. Mesmo com o auxílio da Lei de Incentivo ao Esporte, os clubes continuam sofrendo. O órgão máximo do vôlei brasileiro deve correr contra o tempo para evitar um apagão da Superliga na próxima temporada.