A PRIMEIRA SUPERLIGA DA HISTÓRIA

No embalo do plano Real, a CBV lançou em 1994, uma nova versão da sua principal competição anual. Batizado de Superliga, o campeonato nacional de voleibol foi relançado na temporada de 1994/1995, substituindo a Liga Nacional. Aproveitando-se da estabilidade econômica no país, um dos principais atrativos da primeira temporada da Superliga foi o “repatriamento” dos campeões olímpicos nos Jogos de Barcelona em 1992, no naipe masculino. Giovane, Tande, Marcelo Negrão, Maurício, Paulão e Carlão, todos eles estavam de volta aos clubes do Brasil, após duas temporadas na Europa.

LANÇAMENTO

Para lançar seu novo produto no mercado, a CBV realizou um jogo das estrelas às avessas. Antes da competição iniciar, escalou o principal destaque individual das equipes participantes, tanto no feminino, quanto no masculino, para uma partida de abertura. Cada jogador escalado, carregava nas costas o nome da equipe e vestia a camisa do seu time, em um jogo amistoso. A iniciativa perdurou apenas na primeira edição, sendo abandonada pela CBV, anos mais tarde.

TRANSMISSÃO

Em sua primeira edição, a Superliga foi exibida em sistema de TV aberto e fechado. Iniciando sua parceria histórica com os canais Globo, a competição foi transmitida pelo SPORTV na TV fechada. Até os dias de hoje, a Superliga é exibida pelo SPORTV. Já no sistema aberto, a primeira temporada da Superliga foi dividida. Na versão masculina, o torneio foi transmitido pela TV Bandeirantes. Já no naipe feminino, a exibição da Superliga ficou por conta da extinta TV Manchete.

FAVORITOS

Ainda em uma fase pré-ranking de atletas, a primeira temporada da Superliga Feminina teve como favoritos: Leite Moça, BCN/Guarujá, L’aqua di Fiori/Minas, Sollo Tietê e o Nossa Caixa/Recra. Já no naipe masculino, despontaram para o primeiro título da competição, quatro times paulistas: Suzano, Palmeiras/Parmalat, Olympikus/Telesp e Banespa.

COMPETIÇÃO

A fase regular da Superliga Feminina 1994/1995 teve algumas curiosidades. O Leite Moça, time de Fernanda Venturini, Ana Paula, Ana Moser, entre outras, perdeu os pontos de seu primeiro jogo contra a equipe do Datasul de Joinville. Tudo porque, a equipe paulista escalou a jogadora Dirce de forma irregular. Por tal fato, o Datasul foi considerado vencedor da partida por 3×0, com parciais de 15/0, 15/0, 15/0. Com o resultado, ao final da 1ª fase, o BCN/Guarujá acabou assumindo a dianteira da competição, com 16 vitórias e 2 derrotas. Já o Leite Moça, ficou em segundo lugar, também com 16 vitórias e 2 derrotas, mas com um set average menor.

No naipe masculino, as favoritas equipes paulistas foram surpreendidas pelo valente Frangosul/Ginástica. Apesar disso, o Suzano conseguiu liderar a 1ª fase, com 19 vitórias e 3 derrotas. O Frangosul ficou na vice-liderança, com campanha idêntica, mas set average menor. Em 3º lugar, ficou o Palmeiras. Fechando o G4 da Superliga Masculina 1994/1995, o Olympikus/Telesp.

PLAYOFFS

Apesar da liderança na 1ª fase, o BCN/Guarujá chegou aos playoffs da Superliga Feminina 1994/1995, aos trancos e barrancos. Com vários problemas de lesão no elenco, além de queda no rendimento, o BCN conseguiu perder o segundo jogo das quartas de finais, para o Cepacol/São Caetano de Cilene, 8º colocado da fase regular. Fato raro, até hoje, em se tratando de Superliga Feminina. Além disso, no enfrentamento das semifinais, contra o Nossa Caixa Recra de Estefânia, o BCN esteve perto da eliminação.

Já o rival de Sorocaba, o Leite Moça, eliminou o Sparta de Belo Horizonte, pelas quartas de final, com facilidade, com duplo 3×0. Já nas semifinais, o Leite Moça encontrou dificuldades diante do Minas de Leila, Hilma e Márcia Fú. No primeiro jogo em casa, vitória por 3×0. No segundo jogo, em BH, vitória do Minas, por 3×2. No terceiro jogo, em Sorocaba, nova vitória do Leite Moça por 3×0. Fechando a série em BH, por 3×1, com vitória sobre o Minas, por 3×0, com parciais de 16/14, 15/13, 15/5.

No naipe masculino, o confronto mais equilibrado das quartas, como previsto, aconteceu entre Banespa e Olympikus. Com 2 vitórias e uma derrota, o Olympikus eliminou o Banespa, campeoníssimo brasileiro, nos tempos de Liga Nacional. No entanto, nas semifinais, o Olympikus não conseguiu bater o seu arquirrival na época, Suzano. No outro lado da chave, o Frangosul chegou na decisão da competição, eliminado o Palmeiras de Giovane, com três vitórias em 3 jogos.

FINAIS

Nas finais da Superliga Feminina 1994/1995, o Leite Moça superou a desvantagem do mando de quadra, sendo campeão no domínio adversário. Sem dar chances ao BCN/Guarujá, o time de Sorocaba cedeu apenas uma parcial na decisão, sagrando-se campeão, com três vitórias nos três jogos. Para se ter uma ideia da superioridade da equipe dirigida por Sérgio Negrão, o Leite Moça chegou a fazer 15/0, em uma das parciais do jogo 2 das finais. Após a conquista do título, as campeãs da Superliga 1994/1995 declararam na imprensa, certa surpresa com o baixo nível do jogo apresentado pelo BCN nas finais.

Fernanda Venturini liderou o três títulos do Leite Moça na Superliga Feminina, nas três primeiras edições/Gazeta Press

Já no naipe masculino, o Frangosul/Ginástica surpreendeu o Suzano, também no domínio adversário. No primeiro jogo das finais, o Frangosul bateu o Suzano, fora de casa, por 3×1. No segundo jogo das finais, uma nova surpresa. Depois de estar perdendo por 2×0, com o apoio de sua torcida, o Frangosul derrotou o Suzano, por 3×2, em novo triunfo nas finais. Fechando a série, no terceiro jogo, um dos principais capítulos da história da Superliga Masculina. Jogando com o pé quebrado, o ponteiro Carlão do Frangosul, ouro em Barcelona, foi campeão da primeira Superliga, em uma vitória épica, por 3×0, com parciais de 15/11, 15/10, 15/10.

O ponteiro Carlão, à esquerda, com o troféu da Superliga Masculina 1994/1995, conquistado pelo Ginástica

Ao final do torneio, Fernanda Venturini e Giovane foram eleitos MVPs da Superliga 1994/1995. No link abaixo, você pode acessar o primeiro jogo das finais da Superliga Masculina 1994/1995.

AS FINAIS DE MUNDIAIS ENTRE BRASIL E POLÔNIA

Os campeões mundiais de 2006, no pódio, no Japão/Divulgação FIVB

Com o Campeonato Mundial masculino de vôlei em andamento, já é possível afirmar que as duas últimas finais da competição não se repetirão na edição de 2022 do torneio. Brasileiros e poloneses decidiram o título mundial masculino, em 2014 e 2018, com vitórias da Polônia. Além disso, há 16 anos, em 2006, também aconteceu uma final entre Brasil e Polônia, a primeira delas, no Japão, quando o a geração mais vitoriosa do voleibol brasileiro conquistou o bicampeonato mundial. Caso Brasil e Polônia avancem no Mundial 2022, as duas seleções irão se enfrentar nas semifinais, impossibilitando uma nova finalíssima entre os dois países. Relembre nos três links abaixo, as finais de Mundiais entre Brasil e Polônia.

CAMPEONATO MUNDIAL 2006

CAMPEONATO MUNDIAL 2014

CAMPEONATO MUNDIAL 2018

30 ANOS DO OURO EM BARCELONA

Os campeões olímpicos de voleibol dos Jogos de Barcelona 1992/CBV/Arquivos

Há exatamente 30 anos, mais precisamente no dia 09/08/1992, o Brasil conquistava a sua primeira medalha de ouro olímpico nos esportes coletivos. Sob o comando de José Roberto Guimarães, uma seleção jovem e renovada levou o país ao Olimpo. Desacreditados antes da competição, os “golden boys” surpreenderam o mundo, em uma edição histórica dos Jogos Olímpicos, em Barcelona. Para você ter uma ideia do feito daquele time e a dimensão do fato, o blog detalha em tópicos, a história da conquista do ouro em Barcelona no voleibol masculino.

PRIMEIRO OURO OLÍMPICO

Antes de vencer os Jogos em Barcelona, o Brasil já tinha subido ao pódio no voleibol masculino. Na Olimpíada de Los Angeles em 1984, uma talentosa geração acabou perdendo o ouro na decisão para os Estados Unidos, ficando com a medalha de prata. Nos Jogos seguintes, em Seul 1988, o Brasil acabou perdendo a medalha de bronze para a rival Argentina. Com o fim daquela geração, uma nova seleção de jovens foi preparada para explodir em Atlanta 1996. Mas, os resultados vieram antes do esperado. Após um novo 4º lugar no Campeonato Mundial, dentro de casa, em 1990, José Roberto Guimarães, ainda jovem, assumiu o comando da seleção brasileira masculina.

Antes da competição em Barcelona começar, o Brasil foi muito mal na Liga Mundial 1992. No entanto, o técnico José Roberto Guimarães tinha certeza de que algo muito bom aconteceria com aquela seleção. Em um jogo contra Cuba, ainda na Liga Mundial 1992, um fato curioso na partida deu a certeza de que o destino reservava ao Brasil uma grande supresa. O levantador cubano mexeu na rede, pela parte de baixo, para invalidar uma bola de xeque brasileira. O ato gerou um tumulto que desencadeou uma confusão à beira da quadra. José Roberto Guimarães prometeu levar o ouro em Barcelona após o conflito.

CONTEXTO HISTÓRICO

O Brasil de 1992 passava por uma grave crise política e econômica. O país era dominado pela hiperinflação e o presidente à época enfrentava protestos nas ruas. Os caras pintadas tomaram o Brasil de verde e amarelo pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. Em Barcelona, o operador do esquema de corrupção do presidente foi visto no meio da torcida brasileira, durante um jogo de vôlei do Brasil. Paulo César Farias havia fugido da justiça, sendo localizado em plena Olimpíada de Barcelona pelas câmeras de televisão.

FAVORITOS

Nem de longe, o Brasil era favorito ao ouro. Itália, Cuba, Estados Unidos, Holanda e a Comunidade dos Estados Independentes, ex-URSS, eram os candidatos ao título olímpico. O Brasil caiu no grupo da morte. Após uma 1ª fase impecável, com 5 vitórias em 5 jogos, os brasileiros ganharam um presente da Itália. Campeões mundiais em 1990, no Rio de Janeiro, os italianos acabaram eliminados nas quartas-de-finais, por uma Holanda desacreditada, depois de uma 1ª fase ruim. O Brasil passou pelo Japão e teve um teste de fogo contra os Estados Unidos, eternos algozes, nas semifinais. Passado o sufoco na primeira parcial, o Brasil bateu os norte-americanos, por 3×1. Na decisão do ouro, o Brasil teria pela frente um novo embate com os holandeses.

TORCIDA BRASILEIRA

Antes de falar da decisão histórica para o voleibol brasileiro, não poderia esquecer de mencionar a torcida brasileira. Um show à parte! Como há muito não se vê nos ginásios de voleibol, a torcida brasileira, de fato, era o sétimo jogador. Um grito de guerra dessa torcida tomou o Brasil do Oiapoque ao Chuí. Os brasileiros entoavam o grito “ Aí, Aí, Aí, Aí, Aí, Aí, em cima, em baixo, puxa e vai”. A energia era tamanha, que não passou despercebida pelo diretor de cinema de Hollywood, Spike Lee. Ele ficou tão encantado com os brasileiros, que torceu junto para o Brasil na final contra os holandeses.

FINAL OLÍMPICA

Como dito acima, o Brasil enfrentou os holandeses na decisão do ouro e na 1ª fase. Após eliminar os italianos e os cubanos, o técnico da Holanda deu entrevista à imprensa, dizendo que não perderia duas vezes para o Brasil. Na 1ª fase, os brasileiros venceram a Holanda por 3×0. Na final olímpica, o mesmo resultado se repetiu. Em um domingo de agosto ensolarado, o Brasil conquistou o ouro em Barcelona, após um ponto de saque, do jovem oposto Marcelo Negrão. Veja o ponto de ouro no link abaixo.

SISTEMA TÁTICO

Para quem acredita que a conquista do ouro em Barcelona foi um golpe de sorte, é bom prestar atenção nas próximas linhas. Com 4 atacantes de potência, José Roberto Guimarães escalou Carlão como “falso central”. Jogador universal, Carlão, praticamente jogava em todas as posições, só faltava levantar. Para ludibriar o bloqueio adversário, ao chegar na rede, mesmo como central, Carlão atacava na ponta e saída de rede.

O sistema montado por José Roberto Guimarães embaralhava as opções de ataque do levantador Maurício, dificultando a marcação das outras seleções. Normalmente pouco utilizado, esse tipo de sistema tático adotado pelo Brasil em Barcelona, não encontra paralelos no voleibol atual e nem naquele momento da modalidade, no naipe masculino.

Os campeões olímpicos no momento do hino nacional/Arquivo/Folha Press

FENÔMENO SEM PRECEDENTES

Que o voleibol já era uma realidade no Brasil, no começo da década de 1990, ninguém questiona. Porém, após a vitória em Barcelona, a modalidade virou uma verdadeira febre no país. Mesmo após lotar o Maracanã, em 1983, nunca havia sido visto no Brasil, um fenômeno de tamanha proporção, algo sem precedentes na história da modalidade. Os campeões olímpicos foram recebidos como heróis, em carro de corpo de bombeiros na cidade de São Paulo. Nossa nação vivia outro estágio histórico. Na era pré-plano Real, a conquista do ouro em Barcelona serviu para descortinar o que viria depois. No link abaixo, você pode acessar a final olímpica entre Brasil e Holanda dos Jogos de 1992.

A MAIOR SURPRESA DA HISTÓRIA DO GRAND PRIX

A Holanda conquistou o Grand Prix 2007/Divulgação FIVB/China Daily

Há 15 anos atrás, o mundo do voleibol feminino foi surpreendido! Quem havia ficado assustado com a conquista italiana do Mundial 2002, não esperava por outra competição fora do script tão cedo. Para espanto geral, sob o comando da oposta Manon Flier, a Holanda venceu o Grand Prix 2007. Até então, em uma competição dominada pelo Brasil, nunca uma seleção considerada do segundo escalão havia conquistado o Grand Prix. Para se ter uma ideia do ineditismo deste resultado, até os dias de hoje, após a vitória da Holanda em 2007, Brasil e Estados Unidos se revezam no lugar mais alto do pódio desse torneio. Claro, se considerarmos a Liga das Nações como substituta natural dessa competição.

ANTECEDENTES

A Holanda sempre foi uma seleção que deu trabalho para as potências da modalidade. Entretanto, nunca havia conquistado um título mundial no naipe feminino. Seu melhor resultado, havia sido a vitória no Europeu de 1995, dentro de casa. Naquele ano de 2007, a seleção holandesa vinha de uma boa campanha no Mundial 2006. Apesar do 8º lugar, fez um jogo duro contra o Brasil na 1ª fase, além de bater a China, campeã olímpica em 2004, por 3×2, na 2ª fase.

1ª FASE DO GRAND PRIX 2007

Na 1ª fase do Grand Prix 2007, as holandesas começaram muito mal na competição. Na primeira semana, em Verona na Itália, foram presas fáceis para italianas e brasileiras, com duas derrotas por 3×0. Na segunda semana, novo revés para o Brasil, por 3×0, além de uma vitória suada sobre o Japão, em Tóquio, por 3×2. Quem viu os jogos da Holanda contra o Brasil na 1ª fase, jamais poderia imaginar que a Holanda ganharia a competição, duas semanas depois. Nesse link você pode acessar a partida da segunda semana entre Brasil x Holanda, em Tóquio.

Na sequência do torneio, a Holanda encaixou o seu time, com uma mudança de levantadoras. A jovem Kim Staelens assumiu a posição no lugar da veterana Riette Fledderus. A mudança deu tão certo, que a seleção do técnico Avital Selinger, vice-campeão olímpico como jogador, conquistou 5 vitórias consecutivas, desbancando Estados Unidos e Cuba da fase final.

FINAIS

As finais do Grand Prix 2007 foram disputadas em Ningbo, na China. A Holanda iniciou a fase final, em grande estilo, com uma vitória sobre as chinesas, por 3×2. Foi um recado para as outras seleções! No segundo dos jogos das finais, mesmo contra a Itália liderada pela cubana Aguero, a Holanda devolveu a derrota de Verona na 1ª fase, com um triunfo por 3×1.

O caminho para o título ficou aberto após o terceiro jogo das finais. Diante do Brasil, a Holanda bateu o atual tricampeão consecutivo do Grand Prix (2004, 2005, 2006), no tie-break. Foi a primeira vitória da Holanda contra o Brasil na história, em jogos oficiais! Com os resultados daquela rodada, as holandesas lideravam a fase final com três vitórias, seguidas de perto pela China, com duas vitórias.

A confirmação da arrancada histórica holandesa no Grand Prix, veio contra Polônia e Rússia. Primeiro, no jogo teoricamente mais tranquilo das finais, a Holanda bateu a Polônia, por 3×0, pela 4ª rodada. Já o jogo do título contra a atual campeã mundial Rússia (2006) poderia colocar tudo a perder, em caso de derrota. Mas, sem ficar intimidada, a Holanda bateu as gigantes russas por 3×2, com parciais de 21/25, 25/18, 25/13, 20/25, 15/8. No link abaixo, você pode acessar esse jogo histórico para o voleibol feminino holandês.

A MULHER VOADORA

A oposta holandesa Manon Flier

A conquista surpreendente da Holanda não seria possível sem a performance da oposta Manon Flier. Eleita a MVP – melhor jogadora do Grand Prix 2007, Flier subiu o nível de sua seleção. Após o título, a Holanda passou a ser mais respeitada por outros países. Além disso, sempre há um certo receio e expectativa de repetição de uma nova arrancada, como quase ocorreu nos Jogos do Rio 2016.

Particularmente sobre a oposta Manon Flier, ficou uma lembrança sobre a conquista do Grand Prix 2007. Ela ganhou o apelido carinhoso da torcida holandesa e da imprensa de “Mulher Voadora”, em uma alusão ao seu nome. Na pronúncia, o nome de Flier remete ao verbo to fly no infinitivo do inglês, que significa voar. Vem daí, o apelido de “Mulher Voadora”. Quando será que veremos o próximo voo da seleção holandesa?

Manon Flier aposentou-se da sua seleção às vésperas dos Jogos do Rio 2016

O ÚLTIMO TÍTULO DO MINAS NA SUPERLIGA MASCULINA

Há quase aproximadamente 15 anos, o Minas conquistava o seu último título de Superliga Masculina. À época com o patrocínio da Telemig Celular, o Minas subiu ao lugar mais alto pódio depois de bater a Cimed/Florianópolis nas finais. Naquele período da Superliga Masculina, as duas equipes mantinham uma grande rivalidade. Em um período de 4 temporadas, entre 2005 e 2009, Minas e Florianópolis realizaram todas as finais da competição. Ao Minas coube uma conquista. Justamente na temporada 2006/2007.

O time do Minas no pódio da Superliga Masculina 2006/2007

ELENCOS

Minas e Florianópolis contavam com os elencos mais fortes da competição. A base do time catarinense era formada pela futura geração de ouro do Brasil na Rio 2016. Sob o comando do levantador Bruninho, jogavam uma promissora equipe de jovens como Lucão, Éder, Thiago Alves, Renato, Mário Júnior, entre outros. Já o Minas, também não ficava atrás, com Samuel, Ezinho, Roberto Minuzzi, Jardel, entre outros.

TEMPORADA REGULAR

Como era aguardado antes da Superliga Masculina 2006/2007, Minas e Florianópolis disputaram a ponta da tabela. O Minas chegou a uma marca incrível de invencibilidade. A equipe mineira ficou 26 jogos sem perder. No entanto, ao final da fase regular, o Cimed/Florianópolis encerrou a 1ª fase, com 27 vitórias e uma derrota. Já o Minas, venceu 26 jogos e perdeu dois.

CONFRONTO DIRETO

No duelo entre os dois favoritos ao título da temporada, o Minas venceu o jogo em Belo Horizonte, por 3×2, com parciais de 29/27, 21/25, 21/25, 25/22, 19/17. Já na partida do returno, o Florianópolis deu o troco, em grande exibição. Venceu o confronto, por 3×0, com parciais de 25/21, 25/20, 25/22. Tal resultado, valeu a liderança na fase regular, após tropeço do Minas para o Sada/Betim, por 3×2.

MATA-MATA

Na fase eliminatória da Superliga Masculina 2006/2007, o Minas teve pela frente times do sul do Brasil. Nas quartas-de-final, passou pela Universidade de Caxias do Sul, com duas vitórias por 3×1. Já nas semifinais, em confronto com a Ulbra, foram três vitórias, em 3 jogos. No primeiro jogo, vitória por 3×0, fora de casa. Nos outros dois jogos em BH, duas vitórias por 3×2.

Já o Florianópolis teve um caminho semelhante ao do Minas, tendo pela frente rivais da sua região. Primeiramente, pelas quartas-de-final, enfrentou o São Leopoldo. Foram duas vitórias, por 3×0, com classificação garantida para a próxima fase. Nas semifinais, o Cimed jogou o clássico catarinense contra a extinta Unisul. Em 3 jogos, foram 3 vitórias.

FINAIS

A final mais esperada da temporada se realizou. Pela segunda vez na história da Superliga Masculina, Minas e Florianópolis decidiam o título da competição. Até aquele momento, o Florianópolis levava vantagem, pois havia conquistado o título da temporada anterior. Mas, o Minas estava disposto a mudar essa escrita.

No 1º jogo, no domínio adversário, o Minas bateu o Florianópolis, por 3×0, surpreendendo pelo grande jogo realizado. Na segunda partida, em Belo Horizonte, o Minas manteve o bom desempenho, com uma nova vitória, por 3×0. No jogo seguinte, o Florianópolis finalmente reagiu, levando a decisão do título, para o quarto jogo, após vitória por 3×0.

No quarto e decisivo jogo, no ginásio Divino Braga, em Betim, o Minas quase sofreu um desfalque importante. O ponteiro Samuel perdeu o irmão em um acidente de moto na cidade de Londrina, dois dias antes da partida. Mesmo assim, entrou em quadra no jogo decisivo. Em grande atuação do central Jardel do Minas, ele marcou 7 pontos no serviço, o Minas conquistou o título, com um novo triunfo por 3×0, com parciais 25/20, 25/18, 26/24.

Foi o quarto título de Superliga Masculina do Minas. O sétimo título nacional do clube no naipe masculino. Desde então, o Minas nunca mais venceu a Superliga Masculina. Na temporada passada, conseguiu chegar nas finais, sendo superado pelo Taubaté. Na atual temporada, o Minas conquistou a Copa do Brasil, pela 1ª vez. O Minas também lidera a fase regular da Superliga 2021/2022 com apenas uma derrota, em 16 jogos. Será que finalmente o Minas quebrará o jejum?

O FIM DO DOMÍNIO DA NESTLÉ NA SUPERLIGA FEMININA

Durante as três primeiras temporadas da Superliga Feminina, a competição tinha um dono: a Nestlé. Sob o nome fantasia de Leite Moça e mais tarde Leites Nestlé, a equipe sediada em Sorocaba, interior de São Paulo, foi bicampeã nacional, sendo uma delas invicta, na temporada 95/96.

Nem mesmo o ranking de atletas foi capaz de quebrar essa hegemonia. Várias atletas de seleção passaram pelo time como: Fernanda Venturini, Ana Moser, Ana Paula, entre outras. Porém, após a terceira conquista de título em abril de 1997, as coisas começaram a mudar.

MUDANÇA DE SEDE

Primeiramente, a Nestlé trocou a sede do projeto em 1996. Saiu de Sorocaba para Jundiaí, ambas no interior de São Paulo. Além disso, para a temporada 1997/1998, a Nestlé perdeu a sua grande estrela e líder: a levantadora Fernanda Venturini. Até então, ter a levantadora no comando do time era meio caminho andando para a conquista do título. Seduzida pelo novo projeto do marido Bernardinho, a medalhista de bronze em Atlanta disse adeus para a Nestlé.

A levantadora Fernanda Venturini trocou o Nestlé pelo Rexona na temporada 1997/1998

UM NOVO RIVAL

Dito isso, finalmente, a Superliga Feminina havia encontrado um rival à altura da Nestlé: o Rexona de Bernardinho. Tudo começou durante os Jogos de Atlanta em 1996. Após a grande campanha brasileira na Olimpíada, com a conquista da primeira medalha olímpica do vôlei feminino, Bernardinho conseguiu um grande patrocinador: a multinacional anglo-holandesa Unilever. Sediada em Curitiba, a equipe denominada Rexona era um investimento de longo prazo.

Para a temporada 1997/1998, sob a liderança de Fernanda Venturini e Bernardinho, várias jovens atletas encabeçavam o projeto como Érika Coimbra, Raquel Pelucci, Valeskinha. Além disso, a equipe contava com os reforços das holandesas Erna Brinkmann e Cintha Boersman. Como dito acima, a princípio, o objetivo não era a conquista do título logo de cara. Porém, ele veio!

A equipe do Rexona no Jardim Botânico de Curitiba

TEMPORADA 1997/1998

Em uma temporada experimental, onde as regras do jogo estavam em transição para o que conhecemos hoje, o Rexona encerrou a fase regular na liderança da competição, com duas derrotas, em 22 jogos. As duas derrotas foram justamente para a Nestlé. Nas fases eliminatórias, o Rexona superou o Estrela do Oeste de Divinópolis e o MRV/Minas de Pirv. Já o Nestlé passou por BCN/Osasco e Mappin/Pinheiros.

O técnico Bernardinho durante jogo da Superliga Feminina 1997/1998

FINAIS

No primeiro jogo das finais, parecia que o Leites Nestlé conseguiria manter a hegemonia na competição. Com grande performance de Virna, venceu a partida por um acachapante 3×0. No entanto, a série melhor de cinco jogos sofreria uma virada em Curitiba nos jogos 2 e 3. Bernardinho modificou sua equipe utilizando as jovens reservas Raquel e Valeskinha.

Com duas vitórias por 3×2, o Rexona chegaria ao jogo 4 em condições de conquista do seu primeiro título de Superliga Feminina. Dito e feito. Em mais um triunfo por 3×2, dessa vez em Jundiaí, o Rexona conquistou o seu primeiro título. No link abaixo você confere a íntegra do jogo 4 das finais da Superliga Feminina 1997/1998.

O PRIMEIRO TÍTULO EUROPEU DA SÉRVIA

A Sérvia no lugar mais alto do pódio, em 2011/Divulgação CEV

Antes de consolidar-se no cenário internacional como potência do vôlei feminino, a Sérvia lutou durante anos por um título. Após a surpreendente medalha de bronze no Mundial em 2006, a Sérvia decepcionou nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, sendo eliminada por Cuba nas quartas-de-final. A campanha da equipe ficou abaixo do esperado, mas o técnico Zoran Terzic manteve a base de sua seleção, prejudicada por uma série de contusões.

Depois do Mundial 2010, a Sérvia teria a sua grande chance de conquista. O Campeonato Europeu 2011 seria disputado dentro de casa, em conjunto com a Itália, com as finais na cidade de Belgrado, capital do país. A Sérvia era uma das favoritas ao título, ao lado da Rússia de Gamova e a Itália. Outras seleções corriam por fora como Turquia, Alemanha, Polônia e Holanda.

Na 1ª fase, a Sérvia foi derrotada pela Alemanha, no confronto direto pela liderança do grupo A, por 3×1, com parciais de 25/22, 25/15, 20/25, 25/17. Com o resultado, enfrentou a Romênia, nos playoffs, conquistando classificação para a fase seguinte, com uma vitória, por 3×0, sem sustos. Nas quartas-de-final, a Sérvia passou pela Polônia, uma das forças da competição, por 3×0, com parciais de 25/17, 25/21, 26/24. Nas semifinais, novo triunfo, dessa vez, por 3×2, sobre a Turquia, que eliminou a Rússia nas quartas.

Veio a grande final. O adversário era novamente a Alemanha, algoz da 1ª fase. O roteiro da decisão parecia repetir a derrota na fase regular. As alemãs dominaram a primeira parcial, com uma vitória convincente, por 25/16. Na segunda parcial, a Sérvia entrou no jogo, empatando a disputa, em 1×1, com 25/20. Na terceira parcial, a Alemanha retomou o seu jogo, fazendo 2×1 no placar, com 25/19.

Na quarta parcial, o técnico da Sérvia, entrou jogando com Sanja Malagurski na saída de rede. Brakocevic, sua oposta titular, mais tarde MVP da competição, não realizava uma boa partida. Dada a instabilidade da Sérvia, a Alemanha abriu 6 pontos de vantagem no 4º set. Em uma reação espetacular, a Servia foi buscar o jogo, empatando a parcial em 17×17. O ginásio em Belgrado pegou fogo. Neste momento, em uma sequência de 7 pontos consecutivos, a Sérvia fechou a parcial em 25/20. O jogo foi para o tie-break.

A comemoração das jogadoras da Sérvia, logo após a conquista/Divulgação CEV

No set desempate, com o apoio da torcida enlouquecida, a Sérvia dominou a parcial do começo ao fim. Para se ter uma ideia da pressão da torcida, no match point do título, a jogadora alemã Mathes não conseguiu executar a ação no serviço. Ao lançar a bola, ela caiu no meio da quadra. Não deu nem rede! Resultado: 15/9 para a Sérvia, sendo este o primeiro título europeu na história da seleção dos Balcãs. No link abaixo, você confere a final do Europeu feminino de vôlei 2011 na íntegra.

Fonte: https://www-old.cev.eu/Competition-Area/CompetitionNews.aspx?NewsID=11129&ID=15

O TAPETÃO NOS JOGOS DE BARCELONA 1992

O time norte-americano de vôlei masculino, nos Jogos de Barcelona 1992/UsaVolleyball

Quem acredita que não há tapetão nos Jogos Olímpicos precisa rever os seus conceitos! Na história olímpica, são vários os exemplos de controvérsia, a maioria por doping. Em alguns casos, a origem dos fatos é diferente. Quem não se recorda do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima sendo obstruído por um transeunte, em plena corrida pelo ouro, em Atenas 2004? Pois então, o vôlei olímpico também possui polêmicas registradas em sua história. Uma delas, vamos relembrar a seguir.

Foi em Barcelona 1992, logo no jogo de abertura do grupo A daqueles Jogos, no naipe masculino. A partida em questão envolvia o Japão e os Estados Unidos. Os japoneses venciam a partida por 2×1 e tinham o match point, com 14/13 no placar. Foi quando o jogador norte-americano Bob Samuelson recebeu o segundo cartão amarelo por atitude antidesportiva. Pela regra, a infração daria um ponto técnico para o Japão e o jogador deveria ser expulso do jogo. Com isso, os japoneses fechariam o confronto em 3×1, sendo vitoriosos no duelo.

No entanto, o árbitro Rammis Samedov do Azerbaijão optou por não expulsar o jogador norte-americano da partida. O jogo foi continuado, sob objeção do segundo árbitro brasileiro Laert Francisco de Souza. Deu-se a confusão. Os Estados Unidos conseguiram virar o duelo, com vitórias no 4º set e tie-break. O técnico japonês Seiji Oko protestou contra a derrota para um júri da Federação Internacional de Vôlei.

24 horas depois, a vitória norte-americana na estreia dos Jogos de Barcelona, virou derrota. Após uma reunião de cinco horas, o Comitê de Controle da FIVB, composto por 24 membros, decidiu por acatar o protesto dos japoneses, concedendo a vitória por 3×1, para o Japão. O presidente da FIVB na época, o mexicano Ruben Acosta disse ao Los Angeles Times sentir pela decisão, mas segundo ele, era o justo. Ele disse que o Comitê de Controle cumpria regras.

A seleção norte-americana, em protesto pela decisão da FIVB, resolveu raspar o cabelo de todos os jogadores para demonstrar descontentamento com a decisão. Tal fato ocorreu, porque o jogador norte-americano envolvido na polêmica, no caso Bob Samuelson, sofria de alopecia. A atitude serviu para unir a delegação de vôlei dos Estados Unidos.

Fato é que, os Estados Unidos estavam em busca do seu tricampeonato olímpico consecutivo. A mudança no resultado acabou por jogar o Brasil no caminho dos americanos nas semifinais. Além disso, foi crucial para a classificação do Japão na primeira fase, deixando França e Espanha de fora das quartas-de-final. O final disso, todos no Brasil já conhecem! O time de José Roberto Guimarães foi medalha de ouro, contra a Holanda na final, e os Estados Unidos ficaram com o bronze. No link abaixo, você acessa a reportagem da época do Los Angeles Times acerca da polêmica.

https://www.latimes.com/archives/la-xpm-1992-07-28-mn-4573-story.html

Fonte: Olympedia

A SUPREMACIA BRASILEIRA NO GRAND PRIX

Disputado entre 1993 e 2017, o Grand Prix foi a principal competição anual da FIVB durante esse período no naipe feminino. Em sua história, o Brasil foi o maior campeão da competição. Em 25 edições, a seleção brasileira feminina levantou o caneco do Grand Prix por 12 vezes. Quase 50% de aproveitamento. O Brasil venceu o torneio em: 1994, 1996, 1998, 2004, 2005, 2006, 2008, 2009, 2013, 2014, 2016 e 2017. Sob o comando de Bernardinho, foram três títulos. Sob o comando de José Roberto Guimarães, foram 9 títulos.

Os Estados Unidos são o segundo maior vencedor do Grand Prix, com seis títulos. A Rússia conquistou a competição por três vezes, em 1997, 1999 e 2002. A grande geração cubana também venceu o Grand Prix, por duas vezes, sendo a primeira seleção campeã em 1993. Completa o rol de campeãs do Grand Prix as seleções da China e da Holanda. Aliás, desde a vitória holandesa em 2007, Brasil e Estados Unidos foram os únicos campeões do torneio, com 6 títulos para as brasileiras e 4 para as americanas.

A levantadora Fernanda Venturini, primeira atleta brasileira eleita MVP do Grand Prix

Além dos títulos, a supremacia brasileira no Grand Prix também está presente nas premiações individuais. Ao todo, as jogadoras brasileiras receberam 47 premiações. Além disso, por 11 vezes, uma atleta do Brasil foi eleita MVP – melhor jogadora de uma edição da competição. A primeira delas foi a levantadora Fernanda Venturini, em 1994. Leila, Sheilla e Natália são as recordistas nesta categoria de premiação. Elas ganharam o principal prêmio individual por duas vezes, em 1996, 1998, 2006, 2009, 2016 e 2017, respectivamente. Completam o rol de atletas brasileiras eleitas MVP, as seguintes jogadoras: Virna (1999), Paula Pequeno (2005), Mari (2008), Thaísa (2013).

Consta na história, que um dos motivos para a rivalidade entre brasileiras e cubanas eram as premiações em dinheiro do Grand Prix. Com o domínio brasileiro na competição, nas primeiras edições, no período entre 1994-2000, as jogadoras cubanas perderam a chance de faturar alguns dólares para o seu país, em meio ao embargo econômico norte-americano. Outro dado curioso, é que o Grand Prix sempre foi visto como uma competição menor, principalmente, antes da conquista do ouro olímpico pela seleção brasileira feminina, em 2008 e 2012.

Em 2018, a FIVB e o vôlei mundial entraram em uma nova era. O Grand Prix e a Liga Mundial foram substituídos por uma versão turbinada, em um novo formato: a Liga das Nações. Até o momento, os Estados Unidos venceram as duas primeiras edições, em 2018 e 2019, no naipe feminino. No link abaixo, você acessa a última final do Grand Prix, disputada em 2017, entre Brasil e Itália.

A ORIGEM DA INTERFERÊNCIA DA TECNOLOGIA NO VÔLEI

O uso de tecnologia como auxílio para resolver marcações controversas no tênis existe há quase duas décadas. No vôlei, o recurso foi introduzido há menos de dez anos. O blog não encontrou a data correta do registro da utilização da tecnologia de forma oficial. Porém, em 2009, na final da Liga Mundial entre Brasil e Sérvia, a tecnologia reverteu uma decisão da arbitragem na quarta parcial da decisão do título.

Para compreender o contexto do jogo, e a polêmica em torno do uso da tecnologia, é necessário contar um pouco sobre as expectativas da partida. Há 12 anos atrás, Brasil e Sérvia decidiam o título da Liga Mundial, pela terceira vez na história. Nas outras vezes, em que isso ocorreu, o Brasil saiu vencedor em 2003, em Madri, na Espanha, e em 2005, em Belgrado, dentro da Sérvia. Em 2009, a final na cidade de Belgrado, se repetiu, pela 2ª vez na capital da Sérvia.

Os sérvios estavam com os brasileiros entalados na garganta. Nas duas vezes em que perderam as finais para o Brasil, as derrotas ocorreram de forma icônica. Em 2003, o título foi decidido em um tie-break dramático. A parcial normalmente de tiro curto, no total de 15 pontos, foi encerrada apenas, com o placar marcando 31/29, a favor do Brasil. Já em 2005, em plena casa dos sérvios, o Brasil dominou o jogo final, de maneira indiscutível, com uma incrível e histórica performance no bloqueio.

Além disso, o Brasil já havia conquistado a Liga Mundial por sete vezes. O país iniciava um processo de renovação, após a aposentadoria de algumas peças importantes da geração inesquecível anterior. No entanto, para os brasileiros, aquela final tinha um caráter especial. No caso de uma oitava conquista da Liga Mundial, o Brasil empataria com a Itália no número de títulos da competição.

No dia da final de 2009, o clima no ginásio era de guerra. Realmente, os sérvios não queriam perder a chance de vencer a Liga Mundial pela 1ª vez, pela terceira vez para o Brasil. Segundo relatos dos jogadores brasileiros na época, a quadra do jogo virou um campo de batalha. Quando o placar apontava 2×1 para o Brasil, com 21×21 no placar, no 4º set, o juiz holandês Loderus, não viu o toque da bola no corpo do oposto Miljkovic, após uma ação de ataque. Deu-se a polêmica.

Com uso da tecnologia de vídeo, a mesa do jogo apontou que a marcação do árbitro estava equivocada. O ponto foi dado ao Brasil. Foi o bastante para acender o barril de pólvora no ginásio. Mesmo com a marcação, o Brasil perdeu a quarta parcial, por 25/23. O jogo foi para o tie-break. O Brasil venceu o jogo com 15/12 na quinta parcial, após um ataque certeiro de Giba. Sendo esse, o primeiro registro de utilização da tecnologia para definir marcações da arbitragem, em partidas de seleções do voleibol internacional.

Um líbero foi eleito MVP, pela 1ª vez. No caso, Serginho do Brasil. A Sérvia foi conquistar o seu primeiro título de Liga Mundial em 2016, às vésperas da Rio 2016, contra o Brasil, porém não conseguiu classificação para os Jogos. No link abaixo, você acessa os momentos decisivos da final da Liga Mundial 2009, entre brasileiros e sérvios.