A ORIGEM DA INTERFERÊNCIA DA TECNOLOGIA NO VÔLEI

O uso de tecnologia como auxílio para resolver marcações controversas no tênis existe há quase duas décadas. No vôlei, o recurso foi introduzido há menos de dez anos. O blog não encontrou a data correta do registro da utilização da tecnologia de forma oficial. Porém, em 2009, na final da Liga Mundial entre Brasil e Sérvia, a tecnologia reverteu uma decisão da arbitragem na quarta parcial da decisão do título.

Para compreender o contexto do jogo, e a polêmica em torno do uso da tecnologia, é necessário contar um pouco sobre as expectativas da partida. Há 12 anos atrás, Brasil e Sérvia decidiam o título da Liga Mundial, pela terceira vez na história. Nas outras vezes, em que isso ocorreu, o Brasil saiu vencedor em 2003, em Madri, na Espanha, e em 2005, em Belgrado, dentro da Sérvia. Em 2009, a final na cidade de Belgrado, se repetiu, pela 2ª vez na capital da Sérvia.

Os sérvios estavam com os brasileiros entalados na garganta. Nas duas vezes em que perderam as finais para o Brasil, as derrotas ocorreram de forma icônica. Em 2003, o título foi decidido em um tie-break dramático. A parcial normalmente de tiro curto, no total de 15 pontos, foi encerrada apenas, com o placar marcando 31/29, a favor do Brasil. Já em 2005, em plena casa dos sérvios, o Brasil dominou o jogo final, de maneira indiscutível, com uma incrível e histórica performance no bloqueio.

Além disso, o Brasil já havia conquistado a Liga Mundial por sete vezes. O país iniciava um processo de renovação, após a aposentadoria de algumas peças importantes da geração inesquecível anterior. No entanto, para os brasileiros, aquela final tinha um caráter especial. No caso de uma oitava conquista da Liga Mundial, o Brasil empataria com a Itália no número de títulos da competição.

No dia da final de 2009, o clima no ginásio era de guerra. Realmente, os sérvios não queriam perder a chance de vencer a Liga Mundial pela 1ª vez, pela terceira vez para o Brasil. Segundo relatos dos jogadores brasileiros na época, a quadra do jogo virou um campo de batalha. Quando o placar apontava 2×1 para o Brasil, com 21×21 no placar, no 4º set, o juiz holandês Loderus, não viu o toque da bola no corpo do oposto Miljkovic, após uma ação de ataque. Deu-se a polêmica.

Com uso da tecnologia de vídeo, a mesa do jogo apontou que a marcação do árbitro estava equivocada. O ponto foi dado ao Brasil. Foi o bastante para acender o barril de pólvora no ginásio. Mesmo com a marcação, o Brasil perdeu a quarta parcial, por 25/23. O jogo foi para o tie-break. O Brasil venceu o jogo com 15/12 na quinta parcial, após um ataque certeiro de Giba. Sendo esse, o primeiro registro de utilização da tecnologia para definir marcações da arbitragem, em partidas de seleções do voleibol internacional.

Um líbero foi eleito MVP, pela 1ª vez. No caso, Serginho do Brasil. A Sérvia foi conquistar o seu primeiro título de Liga Mundial em 2016, às vésperas da Rio 2016, contra o Brasil, porém não conseguiu classificação para os Jogos. No link abaixo, você acessa os momentos decisivos da final da Liga Mundial 2009, entre brasileiros e sérvios.

O PRIMEIRO TÍTULO DO MINAS TÊNIS NA SUPERLIGA FEMININA

Em 2002, o Minas conquistou seu primeiro título da Superliga Feminina. O resultado foi fruto de um investimento da patrocinadora MRV, que durou quase dez anos. Para finalmente levantar a taça da competição, em 2002, o Minas reforçou-se com dois ícones do voleibol brasileiro feminino da época: Érika e Elisângela. Elas juntaram-se com a base do time formado em temporadas anteriores. Nada mais nada menos que Fofão, Pirv e Ângela Moraes. Pronto, estava completo o time favorito ao título da competição.

O time titular do Minas na temporada 2002: Fofão, Ângela Moraes, Érika, Ana Maria Volponi, Marina, Elisangela e Pirv.

Para completar o quadro, de uma grande temporada para o Minas, naquela edição de Superliga Feminina, o clube de Belo Horizonte inaugurou a sua nova Arena. A construção durou quase três anos. Quando da abertura das novas instalações, ficou claro o salto de qualidade do Minas. A nova Arena em nada ficou devendo aos principais complexos esportivos internacionais. Padrão de primeiro de mundo.

A Arena do Minas, inaugurada em 2002

Antes do início da temporada, era evidente que a única equipe capaz de derrubar o favoritismo do Minas seria o BCN/Osasco de José Roberto Guimarães, Virna, Carol Albuquerque, Valeskinha, Paula e Jaqueline. Além disso, um fato curioso aconteceu, pela primeira vez em anos, a Superliga teve o início marcado para o mês de Janeiro. A competição sofria com uma crise econômica, calotes de clubes de futebol, diminuição de participantes e baixo número de estrangeiros.

O time do Minas no pódio

Apenas 8 equipes disputaram o título da temporada: MRV/Minas, BCN/Osasco, Rexona, Campos, Macaé, Pinheiros, São Caetano e Buettner. O Minas liderou a fase regular. Porém, ao contrário do que se imaginava, a competição foi equilibrada. A surpresa da temporada foi a equipe de Macaé, que ficou em 5º lugar geral, graças ao desempenho da oposta Bia, quase desbancando Rexona e Campos do G4. Outro detalhe curioso é que essa foi a primeira vez que Bernardinho não dirigiu a equipe do Rexona. Ele resolveu dedicar-se exclusivamente à seleção brasileira masculina, sendo manager da equipe do Rexona. Em seu lugar no comando, entrou Hélio Griner.

Sem surpresas, o título da temporada foi decidido por Minas e BCN. No entanto, na série melhor de três, no primeiro jogo, o Minas fez uma partida abaixo das expectativas, sendo derrotado com facilidade, no ginásio José Liberatti, pelo Osasco, por 3×0, com parciais de 25/15, 25/18, 25/20. Paula Pequeno foi a maior pontuadora do confronto com 17 pontos. No link abaixo, você acessa o jogo 1 das finais.

Para complicar a situação do Minas, no jogo 2 da série, o Osasco abriu 2×0 no placar. Ou seja, o time foi derrotado em cinco parciais consecutivas. O título da temporada parecia escapar, mas em uma recuperação impressionante, o Minas virou o jogo 2 da série melhor de três, para 3×2, provocando o terceiro jogo, sem Pirv, contundida, e Érika em grande jornada. No link abaixo, você acessa o jogo 2 das finais.

Abalado, o BCN não teve forças para superar um Mineirinho lotado. Com o total controle da partida, o Minas foi campeão da Superliga Feminina 2002, pela primeira vez na história, com um triunfo por 3×1, e grande atuação da ponteira romena Cristina Pirv. No link abaixo, você acessa o jogo 3 das finais.

O CLÁSSICO DOS MILHÕES

Na virada do milênio, a Superliga Feminina ganhou um presente! O reconhecimento das “massas”. Apesar de não ser exibida na TV aberta, a temporada 2000/2001 obteve grande repercussão, a maior até aquele momento da história da competição, graças a participação de dois gigantes do futebol brasileiro: Vasco e Flamengo. E o sucesso não foi somente fora das quadras. Tecnicamente, a 7ª edição da Superliga Feminina foi uma das mais equilibradas de todos os tempos, entrando para os anais do torneio. Tudo isso, por mais incrível que possa parecer, sem que os dois grandes favoritos ao título, rubro-negro e cruz-maltino, honrassem com os pagamentos de salários das jogadoras. Até hoje, ainda existem pendências na justiça.

O Vasco liderou a fase regular. O Flamengo ficou em segundo. Também eram forças com chances de título o MRV/Minas, o Rexona/Paraná e o BCN/Osasco. Corria por fora, porém em grande jornada, o tradicional Pinheiros. Também é digno de nota, a campanha surpreendente de outro clube paulista, o São Caetano, que deu muito trabalho, até mesmo para os favoritos Vasco e Flamengo.

Nas semifinais, algo que nunca se repetiu na história da Superliga Feminina. Vagas nas finais, decididas apenas no 5º jogo, nos dois confrontos: Vasco x Rexona, Flamengo x Minas. Na série semifinal, entre o time de Fernanda Venturinni contra o do técnico e marido Bernardinho, o Vasco saiu na frente, vencendo os dois primeiros jogos. Em grande recuperação, o Rexona empatou a série em 2×2, mas sucumbiu no jogo 5, no Rio de Janeiro, por 3×0.

No outro confronto das semifinais, o Flamengo saiu na frente, mas o Minas virou a série, para 2×1, com uma vitória no jogo 3 dentro do domínio adversário. Porém, em BH, no ginásio Pio XII, a Arena estava em reforma, no jogo 4, o Minas perdeu a chance de ouro de chegar nas finais contra o Vasco, sendo derrotado pelo Flamengo, com direito a plantão na programação da Rede Globo. No último e derradeiro jogo da série, dentro de casa, o Flamengo confirmou o favoritismo e selou o caminho para o título.

A equipe do Flamengo campeã da Superliga/Divulgação Fla Memória

Nas finais, sob o comando de Luizomar de Moura, o rubro-negro de Leila e Virna venceu o 1º jogo da série melhor de cinco, por 3×1, com parciais de 27/25, 17/25, 25/16, 25/22. Na segunda partida, o Vasco deu o troco, pelo placar máximo, com parciais de 25/20, 30/28, 25/22. O Flamengo retomou a dianteira na série, novamente com um triunfo por 3×1, com parciais de 25/19, 25/20, 19/25, 25/16. Na quarta e decisiva partida para o Flamengo não faltou emoção e até presenças ilustres.

Em um Maracanãzinho lotado, o Vasco saiu na frente com 25/23 na primeira parcial. A equipe de Leila e Virna tomou o controle do jogo, virando o placar, com atuações convincentes, para 2×1, com parciais de 25/16 e 25/20. A repercussão do confronto era tão grande, que as câmeras do SPORTV flagraram a presença do presidente do COB naquele momento, Carlos Arthur Nuzmann, que segundo consta, chegou ao ginásio com a partida em andamento, após acompanhar pela TV, tamanho era o show das torcidas.

Na quarta parcial, que poderia ser a do título para o Flamengo, após o rubro-negro abrir uma considerável vantagem no placar, a torcida do Vasco começou a deixar as dependências do Maracanãzinho. Porém, em uma recuperação surpreendente, após mudanças na equipe promovidas pela técnica Isabel, o cruz-maltino empatou o jogo em 2×2, com 25/21, reanimando a torcida vascaína. E veio o tie-break! Disputada ponto a ponto, a vitória ficou com o Flamengo, em decisão dramática, por 17/15, conquistando assim o título da Superliga Feminina. No link abaixo, você confere o histórico 5º set decisivo das finais da Superliga Feminina 2000/2001.

O TÍTULO NACIONAL DO PINHEIROS

Há quase seis anos, em 2015, o Esporte Clube Pinheiros, tradicional clube da capital paulista, surpreendeu o mundo do vôlei com a conquista da Copa do Brasil feminina, disputada em Cuiabá, no Mato Grosso. O feito inédito foi o primeiro título em âmbito nacional do Pinheiros na história da modalidade no Brasil. Anteriormente, a equipe da zona oeste de São Paulo havia vencido o campeonato estadual por seis vezes na história. A última vez em 2010.

Para quem acompanha o vôlei feminino no Brasil, a conquista foi considerada tão inesperada pelo caminho trilhado do título. Pra começar, nas quartas-de-final, o Pinheiros superou o Praia Clube, em um confronto equilibrado, por 3×1. Um resultado, naquele momento, considerado normal. O desafio seria avançar na fase seguinte.

Nas semifinais da competição, o Pinheiros teve pela frente o poderoso Rexona Ades do técnico Bernardinho. Comandadas pelo técnico Wagão, capitaneadas pela atual levantadora da seleção brasileira Macris, ainda sem o reconhecimento, o Pinheiros superou o favorito Rexona de Natália, Gabi e Fofão, por 3×1, com parciais de 25/22, 25/19, 17/25, 25/21. Uma vitória surpreendente, dado a condição de azarão do Pinheiros no páreo.

Apesar do resultado, o título ainda não era favas contadas. Na grande final da Copa do Brasil 2015, o Pinheiros enfrentaria o Sesi/SP. Atual vice-campeão da competição, o time dirigido pelo técnico Talmo também tinha no currículo recente vitórias emblemáticas sobre os times do Rexona, na Copa do Brasil 2014, e do Osasco, nas semifinais da temporada anterior da Superliga Feminina, da Copa do Brasil 2015 e do Sul-Americano.

Em um jogo disputado, decidido apenas no tie-break, com mais de duas horas de duração, o Pinheiros finalmente conquistou um título nacional na modalidade em sua história. O placar final do confronto ficou em 3×2, com parciais de 25/20, 15/25, 21/25, 28/26, 15/7, a favor do Pinheiros.

A conquista serviu de catapulta para a carreira de várias jogadoras do Pinheiros. A libero Leia firmou-se na seleção brasileira e disputou os Jogos Olímpicos do Rio. A levantadora Macris foi convocada pela 1ª vez, tendo disputado o Grand Prix 2015. A oposta Renatinha voltou a jogar em alto nível, depois de anos fora do país, sendo desejo de contratação de vários clubes. A ponteira Elen e a ponta/oposta Rosamaria foram valorizadas no mercado.

Para se ter uma ideia do elenco qualificado do Pinheiros, em 2015, a oposta Lorenne, destaque do Brasil em 2019, era reserva da equipe. O time ainda contava com a experiente ponteira Cibelle, as centrais Fran e Vívian e a jovem ponteira Kasiely.

Outra curiosidade da Copa do Brasil 2015, foi a primeira transmissão da TV Brasil na história da modalidade. Exclusiva no sistema aberto, a TV pública exibiu todos os jogos das finais em Cuiabá, no ginásio São Gonçalo. Na TV fechada, o SPORTV cobriu a fase final da competição. No link abaixo, você confere a final completa da Copa do Brasil 2015.

A EXPERIÊNCIA MALSUCEDIDA DOS 21 PONTOS

Há quase 8 anos, mais precisamente na temporada 2013/2014 da Superliga, tanto no masculino, quanto no feminino, a maior competição de voleibol do Brasil foi palco de uma polêmica experiência. Para atender a demanda da televisão e dos seus patrocinadores, a CBV decidiu diminuir a pontuação para fechar os sets. Para ganhar uma parcial seriam necessários 21 pontos e não mais 25 pontos. O objetivo seria reduzir a duração das partidas, de modo que coubessem na grade de programação das emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

Deu tudo errado. A começar pelo principal objetivo. Ao contrário do que se esperava, os jogos não tiveram diminuídos os tempos de duração. Em alguns casos, chegaram até mesmo a extrapolar o tempo médio de duração dos confrontos. Outro ponto falho da experiência, já apontado pelos atletas no lançamento daquela edição da Superliga, foi o impacto causado na capacidade de reação dos times durante as parciais. Apesar de manter a média de duração dos jogos, era quase impossível reverter uma situação adversa, caso o oponente disparasse no placar.

Para completar o quadro de fracasso geral, ao invés de terem as suas marcas com mais exposição, os patrocinadores tiveram que aceitar um pequeno espaço na grade de programação da detentora dos direitos de transmissão, que previa apenas a exibição dos duelos decisivos das semifinais e das finais em jogo único, nos dois naipes.

25 pontos

Não foi a primeira vez que a Superliga serviu de laboratório de experiências. Na temporada 97/98, quando a FIVB se empenhava em medidas duras para tentar diminuir o tempo de duração dos jogos, para atrair mais patrocinadores e o interesse da televisão pelo mundo, a Superliga lançou uma novidade também um pouco estranha. Os jogos eram disputados por tempo. Assim que estourassem o relógio determinado, os pontos que eram disputados com vantagem, passavam a ser disputados de forma direta, como um tie-break, até fechar a parcial em 15 pontos.

Obviamente, não foi para a frente. Porém, esse experimento serviu para inspirar a regra atual. Desde 99, em nível internacional, a nova regra dos 25 pontos estabelece a disputa ponto a ponto sem a vantagem. O tie-break permaneceu com 15 pontos diretos. No Brasil, o pioneiro da nova regra foi o Campeonato Paulista 1998. Tal fato aconteceu porque o estadual foi disputado antes da Superliga 98/99, primeira edição da competição com a regra dos 25 pontos.

Nos últimos anos, também pressionada pela televisão e patrocinadores, a FIVB também testou novas regras para tentar diminuir o tempo de duração dos jogos. Nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, os tempos técnicos foram abolidos. No Mundial de base sub-23 2017, os sets foram jogados em 15 pontos diretos, com vitória para a equipe que vencesse 4 parciais. Portanto, as partidas tinham até 7 sets de 15 pontos. No entanto, a proposta não avançou.

No link abaixo, você confere a final do Campeonato Paulista feminino de 1998, entre Leites Nestlé e BCN/Osasco, disputada pela 1ª vez na regra dos 25 pontos.

PALCO DO MUNDIAL DE 94, IBIRAPUERA PODERÁ SER IMPLODIDO

Palco de competições esportivas internacionais históricas, como o Campeonato Mundial de vôlei feminino, em 1994, o ginásio do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, poderá ser implodido. Projeto do governo Dória, ainda não aprovado, prevê a demolição de todo o equipamento esportivo do local. Em seu lugar, deve ser construído um complexo de entretenimento que inclui um centro de gastronomia, um shopping e uma rede hoteleira. Consta ainda no projeto, a construção de uma Arena esportiva com capacidade para receber 20 mil pessoas.

O principal argumento contra o projeto do governador Dória é a carência de espaços públicos gratuitos disponíveis para a prática de atividade física na capital paulista. Nessa semana, opositores ao projeto do governo de São Paulo, tiveram um pedido de tombamento do complexo do Ibirapuera negado pelo Conselho do Patrimônio Histórico. Para conseguir a aprovação do projeto na Assembleia, Dória conta com o apoio de várias federações esportivas do estado. Entre elas, a FPV, Federação Paulista de Vôlei. As entidades assinaram um documento, a pedido do governo do estado, em que concordam com a demolição do Ibirapuera.

Mundial de 94

No ano de 1994, o ginásio do Ibirapuera foi palco do Campeonato Mundial de vôlei feminino. Naquele ano, as cidades de São Paulo e Belo Horizonte sediaram a competição em conjunto. Recordes sucessivos de público foram quebrados durante o torneio. Pela 1ª vez na história, o Brasil subiu ao pódio do Mundial feminino. A grande final, disputada entre brasileiras e cubanas, aconteceu na capital paulista. Após a derrota do Brasil, por um incontestável 3×0, surgiu a grande rivalidade entre os dois países no vôlei feminino. No link abaixo, você confere a final do Mundial feminino de 1994.

A PRIMEIRA MEDALHA OLÍMPICA DO VÔLEI FEMININO

Antes de tornar-se bicampeã olímpica, a seleção brasileira feminina de vôlei brigou heroicamente por um lugar no pódio da modalidade. Com Bernardinho como treinador, foram anos de muito suor, com três títulos do Grand Prix (1994, 1996, 1998), um vice-campeonato mundial (1994), além do ouro no Pan de Winnipeg (1999) e, finalmente, dois bronzes olímpicos, em Atlanta 1996 e Sydney 2000. Obviamente, a primeira vez a gente nunca esquece.

A história da primeira medalha olímpica do vôlei feminino começa na década de 1980, com a elogiada participação nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, sob o comando do saudoso técnico Ênio Figueiredo, com as percursoras da modalidade no país: Vera Mossa, Jaqueline e Isabel Salgado. O salto na performance brasileira veio com o título mundial juvenil de 1987. Dirigidas por Marco Aurélio Motta, várias atletas foram reveladas como Ana Moser e Fernanda Venturini. A base do futuro estava montada.

Após um melancólico 6º lugar nos Jogos de Seul em 1988, as brasileiras estavam prontas para subir ao pódio pela 1ª vez nas Olimpíadas, 4 anos mais tarde, em Barcelona. Depois de superar o Peru no Pré-Olímpico de São Paulo, em 1991, garantindo participação nos Jogos, o Brasil chegou nas semifinais do torneio olímpico como azarão, sendo derrotado pela Equipe Unificada. Na disputa do bronze, novo revés, dessa vez para os Estados Unidos. O sonho da medalha olímpica bateu na trave.

Atlanta 1996

Durante o ciclo de preparação para Atlanta, com a chegada de Bernardinho ao comando da seleção feminina, o Brasil finalmente começou a vencer e incomodar os principais adversários da modalidade como Cuba e Rússia. Com a base principal do time madura, o primeiro feito do Brasil foi o vice-campeonato mundial em 1994, conquistado dentro do país.

Dois anos mais tarde, foi a vez da conquista da primeira medalha olímpica em Atlanta. Na 1ª fase da competição, o Brasil assombrou o mundo, com 5 vitórias em 5 jogos. Entre elas, triunfos históricos, para os anais olímpicos, contra Cuba e Rússia, por 3×0. As brasileiras estiveram perto de igualar a marca italiana de avançar na 1ª fase, sem perder uma parcial sequer. Porém, acabaram encerrando a fase preliminar, vencendo a Alemanha, por 3×1.

Na fase eliminatória seguinte, mais uma vitória incontestável, dessa vez contra a Coreia do Sul, por 3×0, com parciais de 15/4, 15/2, 15/10. Por um acidente de percurso, nas semifinais do vôlei feminino em Atlanta, o Brasil cruzou com Cuba. O aguardado confronto era esperado para a grande final da competição, mas uma derrota das cubanas para a Rússia na 1ª fase, por 3×1, selou o destino das duas seleções.

Em um duelo épico, tenso, marcado por provocações e nervosismo, decidido apenas no tie-break, a seleção brasileira feminina sucumbiu ao poder ofensivo cubano. Encerrada a partida, um fato lastimável para a história dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 aconteceu. Cubanas e brasileiras quase saíram no tapa após o jogo, ainda dentro de quadra. Nos vestiários, mais confusão, debelada apenas na delegacia, após boletim de ocorrência.

Emocionalmente abaladas, as brasileiras foram para o confronto com a Rússia pelo inédito bronze. Com a força do banco de reservas, o Brasil conseguiu superar o trauma da derrota para Cuba, com uma nova vitória sobre as russas no torneio olímpico, dessa vez, por 3×2. A ponteira Filó fechou o ponto final da partida, vencida no tie-break, por 15/13. Cuba ficou com o ouro. China com a prata. No link abaixo, você confere os pontos decisivos da partida em que o vôlei feminino brasileiro conquistou sua primeira medalha olímpica.

Fonte: Olympedia

O PRIMEIRO TÍTULO MUNDIAL DO BRASIL

Há 18 anos, em Buenos Aires, na Argentina, o Brasil conquistava o seu primeiro título mundial de voleibol no naipe masculino. Sob o comando técnico de Bernardinho, a seleção brasileira devolveu para os russos, a derrota na final do Mundial de 1982 para a EX-URSS, também na Argentina, iniciando um ciclo de hegemonia na competição. Desde então, o Brasil esteve presente em todas as finais do Mundial, sagrando-se campeão por três vezes de forma consecutiva.

A campanha brasileira do Mundial 2002 ficou marcada pela força do elenco. Com mudanças cirúrgicas de Bernardinho, durante as partidas, o Brasil derrubou os principais favoritos na fase eliminatória do torneio, em sequência: Itália, Iugoslávia e Rússia. As inversões de rede, com Ricardinho e Anderson, no lugar de Maurício e André Nascimento, foram a chave para as vitórias. Até então desacreditado, o levantador Ricardinho firmou-se como titular absoluto da seleção após o título.

Não dá para deixar de comentar também a injustiça quanto a eleição do MVP do Mundial 2002. Muito regular e decisivo, o ponteiro Nalbert deveria ser o indicado ao prêmio pelo seu desempenho, na opinião do blog. Mas, o escolhido pela FIVB foi o oposto Marcos Milinkovic da Argentina, seleção da casa. Não que ele não tivesse tido uma grande performance na competição. No entanto, eleger um atleta como o melhor jogador do torneio, sendo que ele esteve fora das finais, beira o anacrônimo.

A seleção brasileira campeã mundial de 2002/Divulgação FIVB

Sobre aquele Mundial de 2002, o Brasil sofreu um susto na 1ª fase, em Córdoba. Pela 2ª rodada, os brasileiros foram derrotados pelos Estados Unidos, uma das maiores pedras no sapato da seleção brasileira, por 3×2, com parciais de 25/22, 20/25, 25/27, 33/31, 15/12. O Brasil não conseguiu parar o oposto americano Brook Billings. Ele anotou 27 pontos. Ainda durante aquele Mundial, assim como em todas as últimas cinco edições, o país vivia um processo eleitoral. No 1º turno das eleições de 2002, os brasileiros derrotaram a Holanda por 3×0, no dia 6/10/2002, pela 2ª fase do campeonato.

Porém, inesquecível mesmo foi o match point da grande final contra a Rússia. Em mais uma das mexidas no time realizada por Bernardinho no Mundial, Giovane entrou em quadra na posição de oposto, no tie-break decisivo. Após uma virada de bola, com 14×13 no placar, a favor do Brasil, ele foi para o serviço, acertando um saque certeiro, em cima da linha, na posição 5. Os russos ficaram atônitos e os brasileiros transformaram o Luna Park, em Buenos Aires, em palco de festa.

O PRIMEIRO TÍTULO MUNDIAL ITALIANO

Em 2002, a seleção italiana feminina de vôlei surpreendeu o mundo. Colhendo os frutos do trabalho na base realizado por Marco Aurélio Motta e Júlio Velasco, a Itália, comandada por Marco Bonitta, foi campeã mundial, em Berlim, na Alemanha. O feito foi comparável ao primeiro título mundial de Cuba no naipe feminino, quando a seleção caribenha abalou a modalidade, após derrotar o Japão na final do Mundial de 1978.

A Itália no alto do pódio do Mundial

A campanha italiana em 2002 ficou marcada pela consagração da levantadora Eleonora Lo Bianco. Ainda jovem, ela assumiu a responsabilidade de substituir Maurízia Cacciatori, ídolo nacional da Itália. Além dela, outro destaque do título italiano, foi a oposta Elisa Togut, eleita MVP da competição. Na final, contra os Estados Unidos, ela marcou mais de 30 pontos, sendo a grande responsável pelo título. A conquista histórica levou a TV italiana a bater sucessivos recordes de audiência.

A melhor jogadora do Mundial 2002, a oposta Elisa Togut

Falando na decisão, um fato curioso aconteceu antes da disputa. A ponteira americana Prikeba Phipps descolou a retina no treinamento antes da final. Considerada até aquele momento, a melhor jogadora do Mundial, ela não entrou em quadra na decisão, obrigando o técnico japonês dos EUA, Yoshida, a improvisar na sua escalação do jogo final.

Além disso, o Mundial 2002 foi cercado de polêmicas, graças a sua fórmula de disputa. Por duas vezes, na 1ª fase e na 2ª fase, a China entregou partidas para fugir de confrontos contra provavelmente Estados Unidos e principalmente Itália. O maior prejudicado foi o Brasil. A favorita seleção chinesa conseguiu a proeza de ser derrotada pela Grécia, por 3×0. Na 2ª fase, o revés foi para a Coreia do Sul, também por 3×0.

Culpa do regulamento da competição, que permitiu a escolha de adversários pela China. No encontro derradeiro contra o Brasil, nas quartas-de-final, melhor para as chinesas, em um inesperado tie-break. No entanto, a China terminou o Mundial fora do pódio. O tão temido duelo contra a Itália, tinha fundamento, já que as italianas foram as responsáveis pela eliminação chinesa, na semifinal, pelo placar de 3×1. Na disputa de bronze, contra a Rússia, nova derrota, também por 3×1.

A central Mello, a levantadora Lo Bianco e a ponteira Piccinini

Ainda sobre o Mundial 2002, a campanha do título italiano teve alguns percalços. Após uma 1ª fase perfeita, com cinco vitórias por 3×0, contra Japão, Alemanha, Bulgária, México e República Checa, a Itália sofreu na 2ª fase, com derrotas para Rússia e Cuba, sua futura algoz, em Atenas 2004. Beneficiada pelo regulamento, enfrentou a Coreia do Sul, nas quartas-de-final, antes de vencer a China na semifinal e bater os Estados Unidos na decisão, sagrando-se campeã mundial. Na rede, é possível encontrar esses jogos no YouTube. Abaixo, o link do tie-break decisivo.

O WORLD GRAND PRIX 2003

Em 2003, em virtude do vírus da Sars no continente asiático, principalmente na China, o Grand Prix de vôlei daquele ano foi transferido pela FIVB para a Itália. A medida foi tomada às pressas para evitar o contágio da doença. A escolha da sede substituta ocorreu após o título mundial italiano em 2002, aumentar o interesse do país pela modalidade no naipe feminino. Além disso, a Liga Italiana da categoria iniciava o seu apogeu.

O formato da competição também foi alterado. Na 1ª fase, 12 seleções foram divididas em dois grupos, de 6 países cada. Os cinco primeiros avançaram para as finais, englobando as duas chaves, três de cada lado. Como país sede, a Itália já estava garantida nas finais, em Andria. O grupo A era composto por Itália, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Japão e Cuba. O grupo B por China, Rússia, Brasil, Coréia do Sul, Canadá e Tailândia.

O Brasil não saiu-se bem no torneio. Ficou em um modesto 8º lugar, fora das finais. Na verdade, foi a sua pior participação da história no Grand Prix. Sob o comando de Marco Aurélio Motta, a seleção brasileira até conquistou um feito na competição. Conseguiu derrotar a China por 3×1, depois de uma sequência de quase dez derrotas no confronto direto com as chinesas, naquele ciclo. Porém, um surpreendente revés para a Coréia do Sul por 3×0, na última rodada da 1ª fase, tirou as brasileiras das finais.

Foi a gota d’água. Logo depois da eliminação, a CBV demitiu o técnico Marco Aurélio Motta do comando da seleção. Cercado de polêmicas com as principais atletas do país, Marco Aurélio Motta sucumbiu ao vexame brasileiro na Itália, justamente quando parecia ajustar o time. Na esteira do sucesso da transição de Bernardinho do feminino para o masculino, a CBV escolheu José Roberto Guimarães, campeão olímpico até aquele momento, com o masculino, em Barcelona 1992, para o seu lugar. Quase 17 anos depois, ele mantém-se no cargo.

Um fato curioso desse Grand Prix foi a falta de transmissão da competição para o Brasil, dadas as circunstâncias dos acontecimentos da época. Ao que parece, mesmo com os direitos de transmissão, o SPORTV não exibiu o torneio, vencido pela China. Desde então, tirando o título holandês em 2007, Brasil e Estados Unidos revezam-se no lugar mais alto do pódio, incluindo a Ligas das Nações, sucessora natural do Grand Prix. Na internet, é possível encontrar algumas partidas da fase final, como esta no link abaixo, entre China e Estados Unidos, pela 1ª rodada das finais.