MORRE ISABEL SALGADO, ÍCONE DO VÔLEI BRASILEIRO

Morreu hoje, em São Paulo, a ex-jogadora da seleção brasileira feminina de vôlei, Isabel Salgado, aos 62 anos. Vítima de uma síndrome respiratória aguda, seguida de parada cardíaca, segundo o jornal O Globo, Isabel desbravou o voleibol feminino no Brasil. Atuando como ponteira, Isabel foi um dos ícones da geração que contribuiu para a profissionalização da modalidade no país.

Disputou duas Olimpíadas, em 1980 e 1984, em Moscou e Los Angeles, respectivamente. Pelos clubes, no Brasil, entre outros, defendeu o Flamengo. Além disso, foi a primeira brasileira a defender um time estrangeiro, ao jogar pelo Modena, na Liga Italiana, em 1981.

Não bastasse ter sido uma das líderes da seleção brasileira feminina no período citado, Isabel foi pioneira no vôlei de praia do país. Formou dupla com a amiga e ex-companheira de seleção, Jaqueline, campeã olímpica em Atlanta 1996, quando a modalidade ainda não fazia parte do programa olímpico.

Após a aposentadoria, Isabel também foi técnica nas quadras e nas areias. Pela Superliga Feminina 2000/2001, dirigiu o Vasco, sendo vice-campeã da competição. Nas areias, foi técnica de seus próprios filhos, que hoje são atletas do vôlei de praia. Recentemente, foi convidada a fazer parte da equipe de transição do governo Lula. Isabel marcou uma geração e deixará saudades.

Isabel Salgado com a tocha olímpica no Cristo Redentor/Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press

O REI DA PRAIA

Campeão olímpico na quadra e na praia, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, de Seul e Atlanta, respectivamente, o norte-americano Karch Kiraly é considerado o melhor jogador de voleibol do mundo de todos os tempos. Há 7 anos no comando técnico da seleção feminina americana, ele também foi campeão mundial, como treinador, no Mundial de 2014, pela 1ª vez na história do voleibol dos Estados Unidos, no naipe feminino. Na época de jogador, além de medalhista de ouro nos Jogos, por três vezes, Karch Kiraly também conquistou o Mundial de 1986 na quadra, na França, pelos Estados Unidos. Eleito o melhor jogador do século XX pela Federação Internacional de Voleibol, em 2000, além de escolhido para o Hall da Fama da modalidade em 2001, ele é o único atleta campeão das Olimpíadas na praia e na quadra.

A CHINESA AMERICANA

Divulgação/USA Volleyball
Divulgação/Usa Volleyball

Campeã olímpica como atleta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles e também como treinadora nas Olimpíadas do Rio, a chinesa Lang Ping é considerada um dos maiores nomes da história do voleibol feminino mundial. Na época de jogadora, conhecida como “Martelo de Ferro”, além da medalha de ouro, defendendo a China, Lang Ping conquistou os títulos da Copa do Mundo de 1981 e 1985 e do Campeonato Mundial de 1982. Eleita para o Hall da Fama da modalidade em 2002, selecionada pela Federação Internacional de Vôlei como uma das melhores jogadoras do século XX, em 2000, Lang Ping liderou a seleção chinesa na histórica vitória olímpica contra os Estados Unidos, dentro do domínio adversário, em 1984. Um feito inédito até então, já que a China nunca havia participado das Olimpíadas na modalidade.

O novo idioma

A relação de Lang Ping com os Estados Unidos começou a se aprofundar em 1986. Após fazer parte da comissão técnica chinesa bicampeã mundial, como assistente técnica, a estrela do voleibol chinês ingressou em curso de inglês na Universidade de Pequim, em 1987. Na sequência, mudou-se para os Estados Unidos com o marido, para se dedicar aos estudos, como bolsista, na Universidade do Novo México, durante 2 anos, no programa para chineses residentes no exterior. Ela concluiu o mestrado em Gestão de Esportes. Logo, foi convocada novamente a defender a China, como jogadora, no Campeonato Mundial de 1990. Terminada a disputa, Lang Ping retornou aos Estados Unidos para continuar os estudos. Paralelamente, iniciou a carreira na Universidade como técnica. O enlace derradeiro com os americanos viria após o nascimento de sua primeira filha nos Estados Unidos, em 1992.

Desde então, Lang Ping se dedicou a carreira de treinadora. Em 1995, concorreu ao cargo de técnica da seleção feminina dos Estados Unidos. Preterida, voltou para o seu país, onde iniciou sua carreira profissional como comandante máxima da seleção da China. Mais uma vez, liderou sua equipe a medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Permaneceu no cargo até 1999. Nesse período, foi vice-campeã mundial, em 1998. Após deixar a direção da China, Lang Ping fez uma incursão de 6 anos pela Liga Italiana por clubes como Modena, Novara e Monte Schiavo, com algum sucesso.

Porém, os Estados Unidos novamente seriam o destino de Lang Ping. Numa correção de rumos dos americanos, em relação ao ciclo de Atlanta, no ano de 2005, Lang Ping foi convidada para assumir o comando técnico da seleção feminina americana. Pesou a favor de sua decisão, o fato dos estudos de sua filha de 13 anos, nascida em território americano, serem na Califórnia. Brilhantemente, em um processo de resgate do vôlei feminino dos Estados Unidos, Lang Ping conduziu sua equipe ao pódio olímpico depois de 16 anos. A seleção americana conquistaria a medalha de prata contra um imbatível Brasil, dentro do território chinês, em Pequim.

Em 2013, Lang Ping voltaria a dirigir a China. Com um processo de renovação profundo, após o fracasso chinês nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, a já experiente treinadora, recolocou a China entre as melhores seleções do mundo. Conquistou um novo vice-campeonato mundial em 2014, na Itália. Em mais um feito, revelou para o mundo o fenômeno Thing Zhu. Finalmente, em 2016, no Rio de Janeiro, foi medalha de ouro como treinadora, em mais uma marca histórica no currículo, única mulher campeã olímpica na quadra e como comandante técnica da modalidade. Atualmente, permanece na direção da seleção chinesa. Seu último resultado de expressão foi o bronze no Mundial de 2018.