RETROSPECTIVA 2021

Em 2021, mesmo com a pandemia em curso, seja na temporada de clubes ou na temporada internacional, o voleibol teve um ano movimentado. Além da retomada do calendário tradicional, 2021 foi ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio. E como o fim de ano é propício, é chegado o momento de rever o que aconteceu de importante nas competições em 2021.

COPA DO BRASIL

Devido ao COVID-19, em fevereiro de 2021, as finais da Copa do Brasil foram realizadas no Centro de Desenvolvimento do Vôlei (CDV), em Saquarema. Na versão masculina, o campeão da vez foi o Sada/Cruzeiro. Na final bateu o extinto Funvic/Taubaté, por 3×2. Foi o sexto título cruzeirense na história da competição. Já no feminino, o Minas conquistou o bicampeonato consecutivo da Copa do Brasil, após derrotar o Praia, nas finais, por 3×2.

SUPERLIGA 2020/2021

Também devido ao COVID-19, as finais da Superliga 2020/2021 foram disputadas em Saquarema, no CDV, nos dois naipes. Assim como na última edição com campeões, na temporada 2018/2019, Minas e Taubaté venceram a competição, no feminino e masculino, respectivamente. Entre as mulheres, na decisão do título, o Minas bateu o Praia. Foi o terceiro título do Minas na história da Superliga Feminina. Entre os homens, na decisão do título, o Taubaté superou o Minas. Foi o segundo título de Taubaté na história da Superliga Masculina.

LIGA DAS NAÇÕES 2021

Disputada em uma bolha, em Rimini na Itália, também devido ao COVID-19, a Liga das Nações serviu de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Pela 1ª vez, a seleção brasileira masculina conquistou a competição. Na grande final, bateu a Polônia por 3×1. Na versão feminina, o Brasil foi vice mais uma vez. Assim como em 2019, foi derrotado pelos Estados Unidos, que conquistou o terceiro título consecutivo da competição.

O Brasil conquistou a Liga das Nações 2021/Divulgação FIVB

OLIMPÍADA DE TÓQUIO 2020

Depois de muitas incertezas e até um certo suspense, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram realizados, em meio a pandemia, infelizmente, sem público. Ao contrário da Liga das Nações 2021, a seleção brasileira feminina obteve melhor desempenho que a seleção brasileira masculina. De forma surpreendente, chegou na final dos Jogos, conquistando a medalha de prata, após derrota para os Estados Unidos, por 3×0. Já na versão masculina, os brasileiros encerraram a competição, em um decepcionante 4º lugar, após derrota para os argentinos por 3×2, na disputa da medalha de bronze.

O Brasil foi prata em Tóquio no vôlei feminino/Divulgação FIVB

CAMPEONATO SUL-AMERICANO

Após o fim dos Jogos de Tóquio, seguindo o calendário do próximo ciclo olímpico, foi disputado o Campeonato Sul-Americano, nas categorias feminina e masculina. Entre os homens, a disputa aconteceu em Brasília, capital federal. O Brasil manteve a hegemonia na competição, conquistando mais um título e a classificação para o Campeonato Mundial 2022. Entre as mulheres, o Brasil também foi campeão sul-americano, conquistando classificação para o Mundial de 2022, mesmo após derrota para a Colômbia, por 3×1.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Encerrado os Jogos Olímpicos de Tóquio, a temporada nacional de clubes foi aberta com a disputa dos Campeonatos Estaduais. Entre as mulheres, na competição mais disputada, o Osasco venceu o paulista superando o Barueri nas finais. Em Minas Gerais, deu Praia, após anos de domínio do Minas. No Rio de Janeiro, o Fluminense até ameaçou fazer frente ao Flamengo de Bernardinho. Mas no fim, deu a lógica, com mais um título para o rubro-negro. Entre os homens, na disputa do Paulista, o Vôlei Renata/Campinas conquistou o bicampeonato. Em Minas, em mais uma final entre Cruzeiro e Minas, melhor para o time celeste, em sua 12ª conquista consecutiva.

SUPERCOPA

Na abertura da temporada da Superliga 2021/2022, pela Supercopa, o Praia conquistou o segundo título do ano, mais uma vez batendo o Minas, no naipe feminino. Já no naipe masculino, o Cruzeiro bateu o Funvic/Natal, também em sua segunda conquista na temporada 2021/2022.

SUL-AMERICANO DE CLUBES

A versão masculina do Sul-Americano, prevista para ocorrer em Belo Horizonte, na Arena Minas, foi cancelada. Já a versão feminina, aconteceu em Brasília, com a participação de 5 equipes. Em mais um duelo pelos títulos da temporada 2021/2022, o Praia bateu o Minas, no ginásio Taquatinga, na capital federal, por 3×2. Foi o primeiro título do Praia na história da competição.

MUNDIAL DE CLUBES

Neste último mês de Dezembro, foi disputado na cidade de Betim, Minas Gerais, o Mundial de Clubes 2021. Depois de um hiato de 2 anos, devido a pandemia, a competição voltou com tudo. Jogando em casa, o Cruzeiro foi tetracampeão mundial, desbancando dois poderosos times italianos. Já na versão feminina, disputada em Ancara, na Turquia, os representantes brasileiros na competição, Minas e Praia, ficaram fora do pódio. O título foi conquistado pelo Vakifbank da Turquia, clube onde joga a ponteira vice-campeã olímpica em Tóquio, Gabi.

O BALANÇO DO MUNDIAL DE CLUBES 2021

No fim de semana passado, foi encerrado o Mundial de Clubes 2021. Nas duas versões, masculina e feminina, foram testadas novas regras para diminuir o prolongamento das partidas. Medidas como: apenas um tempo técnico, uma parada por equipe, além de mudanças estéticas no banco de reservas, deram as caras no Mundial de Clubes 2021.

Porém, o destaque mesmo, foi um relógio de 15 segundos, para os jogadores realizarem o serviço. Esse tempo foi contado após a definição do ponto e a execução do fundamento. Além de otimizar o tempo do jogo, essa medida tem potencial para mudar as estratégias das equipes no serviço. Teve jogo do Mundial de Clubes masculino, que foi encerrado em erro no fundamento, justamente por causa da nova regra.

Fato é que, o retardamento das partidas caiu, e os jogos do Mundial ganharam em fluidez. As chances dessas medidas serem aprovadas no Congresso Técnico da FIVB são altas. Além de mudarem o jogo, principalmente no naipe masculino, devido à potência do serviço, as novas regras vão na direção correta de tornar o produto voleibol mais atrativo para fãs e patrocinadores.

Competição

O Sada/Cruzeiro conquistou o tetracampeonato mundial/Divulgação FIVB

No que tange à competição, o Mundial de Clubes masculino surpreendeu muita gente, com a conquista do tetracampeonato do Sada/Cruzeiro. Com o ex-ponteiro Filipe no banco e o ponteiro cubano López na quadra, o Cruzeiro desbancou dois poderosos times italianos: Trentino e Civitanova. Jogando em casa, com autoridade, o Cruzeiro calou o mundo do vôlei que não acreditava em uma nova conquista.

Já no naipe feminino, deu a lógica. Apesar disso, não dá para não destacar a diferença de elenco entre os times nacionais e o times europeus. O fator de desequilíbrio é a moeda. Com maior poder de investimento, os times europeus são verdadeiras seleções nacionais. Fica difícil para o nosso voleibol competir com eles nessas condições.

Não por acaso, as conquistas brasileiras no Mundial de Clubes feminino, aconteceram quando os times do país, contavam com uma seleção nacional no elenco. Quem não se recorda dos títulos da Sadia, do Leites, e mais recentemente do Osasco? Eram verdadeiras seleções nacionais! Enquanto essa realidade não mudar, o título mundial de clubes ficará distante do Brasil.

PRÊMIO BRASIL OLÍMPICO 2021

Aconteceu, ontem, no Rio de Janeiro, o Prêmio Brasil Olímpico 2021. Após dois anos da última edição, a premiação consagrou os melhores atletas do ano no Brasil, em cada modalidade. No caso específico do vôlei de quadra, a ponteira Fernanda Garay foi escolhida a melhor atleta do esporte em 2021.

Além de vencer nessa categoria, Fernanda Garay concorreu ao prêmio “Atleta da Galera”. A jogadora campeã olímpica em Londres e medalha de prata em Tóquio, disputou com outros atletas de outras modalidades. Em votação exclusiva realizada pelo COB na internet, Fernanda Garay também levou esse prêmio.

A ponteira Fernanda Garay/Divulgação COB

A LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE

Criada em 2006, a Lei de Incentivo ao Esporte foi formulada nos moldes do incentivo nas artes no Brasil, através da Lei Rouanet. Funciona como renúncia fiscal de impostos. No entanto, após 15 anos de promulgação, atualmente, é possível notar algumas distorções no seu funcionamento, principalmente, na modalidade de interesse do blog: o voleibol.

PROJETOS X CLUBE SOCIAL

Até o período anterior ao da Lei de Incentivo ao Esporte, os projetos de patrocínio de equipes de voleibol dominavam o cenário. Tais projetos englobavam toda a estrutura da equipe, incluindo o investimento na base e no social. Com a chegada da Lei, ficou mais atraente para as empresas realizarem patrocínios pontuais, via dedução fiscal, nos clubes sociais, como no caso do Minas Tênis e Praia Clube.

CONSEQUÊNCIAS

As consequências para a modalidade, no caso da Superliga, foi uma inversão de forças competitivas. Na prática, a Lei alterou o panorama da competição por decreto. Ao invés de torcemos para equipes patrocinadas por multinacionais, como no exemplo da Nestlé e Unilever, passamos a torcer para clubes de futebol.

É óbvio que o objetivo inicial da Lei era o fomento do esporte, mas para as empresas ficou mais fácil, barato e interessante se associar ao clubes esportivos. Fora isso, ainda há relação da Lei com o Estado. No caso, prefeituras e estados, gerando mais distorções. Além disso, a Lei restringiu o acesso aos seus recursos.

DISTORÇÕES

Um exemplo claro de algumas distorções da Lei de Incentivo ao Esporte foi o Campeonato Sul-Americano feminino 2018. Naquele ano, o Minas foi sede da competição, sendo campeão dentro de casa, contra o Sesc de Bernardinho. O time carioca era o atual campeão nacional, tendo a vaga na competição garantida como campeão da Superliga da temporada anterior.

Mas onde está a distorção? O Minas sediou o evento através da Lei de Incentivo ao Esporte. Ou seja, recursos públicos foram utilizados, por meio de dedução fiscal, para o Minas garantir classificação em uma competição na qual ele não poderia participar. Tal fato se repetiu nos últimos anos, em outros casos, mais recentemente, no Sul-Americano 2021, no caso do Brasília Vôlei, sede da competição, no mês passado.

FUTEBOL

Um exemplo de como a Lei dificultou a montagem de projetos no formato anterior, é a proliferação de clubes de futebol na Superliga. Um dos casos mais evidentes, é a parceria de Bernardinho com o Flamengo. De acordo com informações ventiladas na imprensa, a pandemia e a facilidade de acesso aos recursos da Lei de Incentivo, foram fundamentais para selar o acordo.

FUTURO

Assim como houveram questionamos sobre a Lei Rouanet, nas últimas eleições no Brasil, está claro que a Lei de Incentivo ao Esporte também necessita de aprimoramentos. Caso contrário, continuaremos a acompanhar distorções esportivas e favorecimentos no esporte olímpico, dentro e fora das quadras.

A INFLUÊNCIA DE BERNARDINHO NO VÔLEI FEMININO MODERNO

O técnico Bernardinho, atual técnico da França, no naipe masculino/Divulgação FIVB

Multicampeão com a seleção brasileira masculina, Bernardinho trilhou o caminho das vitórias no vôlei feminino. Antes de comandar as brasileiras na década de 1990, ele ainda foi vice-campeão olímpico e mundial como atleta do Brasil. Convidado pela ex-jogadora brasileira Dulce Thompson para assumir um clube na Itália, ele desbravou o vôlei italiano feminino em seu começo.

Alguns anos depois, Bernardinho virou técnico da seleção brasileira feminina. Seu legado na formação do time, perdura até os dias de hoje. Não por acaso, Bernardinho nunca deixou o vôlei feminino de lado. Vários elementos técnicos e táticos de suas equipes são identificados no voleibol feminino atual. Confira alguns desses pontos.

VELHO X NOVO

Quando Bernardinho assumiu o comando técnico da seleção brasileira feminina, o voleibol praticado internacionalmente pelas mulheres era arcaico, principalmente, em relação ao naipe masculino. O porte físico e a força das atletas eram os fatores de desequilíbrio do jogo, a favor de Cuba e Rússia. O desafio de Bernardinho era introduzir um novo sistema tático, baseado na velocidade e na variação. Para isto, ele necessitava de material humano. Com uma geração talentosa nas mãos, campeã mundial juvenil em 1987, ele conseguiu implantar a sua filosofia de jogo.

SISTEMAS TÁTICOS

Para além das rivalidades, o voleibol praticado na década de 1990, entre seleções, possuía sistemas táticos diferentes. Enquanto Cuba jogava em 4×2, o Brasil de Bernardinho entrava em quadra no sistema 5×1, com oposta no passe e também como opção de ataque. Não havia líberos, as centrais também faziam o fundo de quadra. China e Rússia também possuíam sistemas táticos diferentes. O sistema tático adotado pelos Estados Unidos era o que mais se aproximava do Brasil.

Portanto, para além das brigas e provocações entre brasileiras e cubanas, também existia uma disputa tática pelo sistema de jogo. Quase trinta anos depois, com a evolução da modalidade, percebe-se que Bernardinho pode não ter levado o ouro para casa em Atlanta 1996, mas sua filosofia venceu. Atualmente, no vôlei feminino de alto nível, é inconcebível jogar sem oposta ou em outro sistema que não seja o 5×1 adotado pelo Brasil nos anos de 1990.

VELOCIDADE X FORÇA

Para competir com a força física cubana, Bernardinho apostou na velocidade e na variação de jogadas. Provavelmente, sem Fernanda Venturini ou Fofão como levantadoras, isso não seria possível. Além disso, o sistema defensivo foi o grande salto de qualidade dessa geração. Até então, as brasileiras tinham muitas dificuldades no bloqueio. Com direito a treinamento com homens, foi pelo bloqueio que o Brasil quase desbancou Cuba em Atlanta.

LEGADO

Atualmente, o voleibol praticado em alto nível alia força e velocidade. Entre as mulheres, é nítido o padrão de jogo introduzido por Bernardinho na seleção feminina. Ao combinar velocidade com variação, sua filosofia demonstrou que nem sempre a força é suficiente. Mais do que isso, o Brasil dos anos de 1990 conseguiu captar o espírito do nosso tempo. Com sua filosofia de jogo, Bernardinho mostrou que a disputa não acontece mais entre o mais forte e o mais fraco. Na verdade, entre o mais rápido e o mais lento ou ainda entre o mais leve e o mais pesado.

Bernardinho na época do comando da seleção masculina/Divulgação FIVB

A EVOLUÇÃO TÉCNICA E TÁTICA NA OLIMPÍADA

Nos últimos tempos, muito tem sido falado sobre o esgotamento da evolução do jogo no voleibol. No entanto, ao contrário do que se imaginava, nos último dois ciclos olímpicos, a modalidade apresentou novidades técnicas e táticas. Todas elas poderão ser vistas agora nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Como se sabe, o voleibol moderno é caracterizado por força e velocidade. Essa é a tônica do jogo desde a mudança da bola nos Jogos de Pequim 2008. Porém, aliado à força e velocidade, estão sendo introduzidos no jogo variações técnicas e outras importantes tendências táticas.

Falando tecnicamente, algumas mudanças já são visíveis. Por exemplo, desde o último Congresso Técnico da FIVB, já é permitido pela regra, largar no ataque, quase como um empurrão na bola, em uma ação quase conduzida da bola. Obviamente, isso foi muito questionado entre os especialistas. Para os puristas, uma clara violação da regra. Na hora do jogo, segundo a FIVB, a interpretação desse lance fica a critério da arbitragem.

Outra mudança importante, que abrange técnica e tática, foi vista nos últimos tempos, no naipe masculino: o saque híbrido. Misto de saque viagem, com saque flutuante, esse serviço é uma grande evolução da modalidade por quebrar a dicotomia entre força e velocidade. Mas atenção, ele em nada se parece com o serviço flutuante. Neste tipo de saque, o jogador se lança em uma ação de viagem, e ao tocar na bola, ela perde velocidade e morre na frente do passador.

A levantadora Macris/Divulgação

Outra mudança técnica, dessa vez no naipe feminino, que alguns anos atrás, poderia ser considerada uma aberração, é a segunda bola de toque. Tendência lançada pela levantadora brasileira Macris, atualmente, já é uma realidade entre todas as levantadoras do mundo. Detalhe: essa ação de segunda bola de toque é realizada sem salto, com os pés apoiados no chão.

Falando taticamente, em mais uma inovação brasileira, no naipe masculino, o técnico Renan Dal Zotto tem recomendado aos seus jogadores, trabalhar os lances de contra-ataques, ao invés de matar o ponto no xeque-mate, em chances geradas pelo serviço. Algo questionável, já que o Brasil é a única seleção no mundo no naipe masculino, que aparentemente prefere trabalhar o ponto ao invés de matar no xeque.

Ainda sobre essa questão, seguindo essa linha, existe outra tendência lançada pelo voleibol masculino europeu, de matar o ponto, na segunda bola, em ações geradas de forma gratuita pelos adversários. Um dos países que melhor executam essa bola, é a seleção da França, tamanha habilidade de seus jogadores.

O ponteiro francês Ngapeth, um dos jogadores mais habilidosos do mundo/Divulgação

Outras táticas escondidas pelos treinadores, poderão ser vistas, no naipe feminino, durante os Jogos de Tóquio. No caso brasileiro, uma dessas tendências de aposta do técnico José Roberto Guimarães é a troca de posição entre oposta e ponteira na rede, com inversão. Neste caso, o coringa do treinador brasileiro seria Rosamaria. Essa tática foi muito adotada por ele, durante o ciclo olímpico, principalmente, no título do Grand Prix 2017.

Rosamaria, o coringa de José Roberto/Divulgação

Outra variação tática, que deverá ser utilizada por muitas seleções, é o ataque pelo fundo da oposta na posição 1, com finta na rede da central. Essa jogada é tendência atual do jogo. No caso asiático, a bola entre o meio e a ponta, com velocidade, deve ser muito utilizada pelas ponteiras Zhu da China e Kim da Coreia do Sul.

A ponteira chinesa Zhu, atacando a bola entre o meio e a ponta/Divulgação

Além disso, outras tendências táticas do jogo, no naipe feminino, foram resgatadas ao longo do tempo. Por exemplo, atualmente, no caso norte-americano, por contar com uma oposta canhota, aquela antiga movimentação dessa posição, quando ela está invertida na rede, foi adaptada para os dias de hoje. No caso, a oposta Drews percorre toda a quadra, para atacar na saída de rede, quando está na posição 4.

Esteticamente estranha, essa movimentação pode ser o tendão de Aquiles americano nos Jogos de Tóquio. Isso porque, quando acontecia antigamente, a oposta tinha função de passe, e normalmente atacava pelo meio, quando estava na posição 4. Algumas variações ocorriam quando se tratava de uma jogadora canhota, mas a ação era bem melhor executada antes do que hoje no caso norte-americano.

A oposta norte-americana Drews, ao centro/Divulgação

Bem, isso pode parecer estranho, mas já vem sendo adotado pelo vôlei europeu feminino de clubes, na última temporada, até mesmo com opostas destras, como no caso turco, com a jovem jogadora Karakurt. Tudo para tentar não encalhar a rede e conter os danos, quando a oposta está na posição 4. Algo impensável para o naipe masculino.

Para encerrar, outra “velha” nova novidade, é o resgate do ataque de fundo pela posição 5, nos dois naipes. Talvez, mais uma solução encontrada para o desencalhe da rede, quando o oposto está na posição de entrada. Porém, também muito usual, para rodar a rede, aproveitando o potencial de ponteiros, com alto percentual de ataque, na bola pipe, pela posição 5.

A ENTREVISTA DE JULIO VELASCO AO BOLA DA VEZ

No último sábado, 3 de Julho, o consagrado técnico argentino Julio Velasco foi o convidado do programa Bola da Vez da ESPN Brasil. Um dos responsáveis pelo crescimento do vôlei feminino italiano, no fim dos anos de 1990, além de comandante da geração mais vitoriosa do vôlei masculino italiano, Velasco hoje é coordenador do trabalho de base da FIPAV – Federação Italiana de Vôlei.

Ao abordar o trabalho técnico na entrevista, Velasco disse que um bom treinador deve saber ensinar. Ele também enfatizou que treinar não é uma ciência, mas uma arte. Segundo Velasco, um bom treinador apresenta uma forma de jogo, que tenha a sua marca. Ele também apontou a importância de criar na cabeça de seus jogadores uma mentalidade de vencedor.

Ao ser questionado sobre as derrotas épicas do time italiano masculino, nos Jogos de Barcelona 1992 e Atlanta 1996, para a Holanda, Júlio Velasco disse que a pressão externa e financeira exercida sobre os seu jogadores, foi crucial para o revés em Barcelona. Ele disse que a seleção italiana chegou a ser comparada ao Dream Team de basquete norte-americano. Sobre Atlanta 96, ele acredita que poderia ter realizado algumas mudanças na decisão da medalha de ouro.

Júlio Velasco também foi inquirido sobre a comparação entre a vitoriosa geração italiana dos anos de 1990 e a geração brasileira vitoriosa dos anos 2000. Para ele, é uma comparação difícil. Velasco afirmou que o Brasil dos anos 2000 era criativo e veloz. Além disso, ele apontou a diferença do jogo nas duas épocas. O serviço foi um dos diferenciais citado como exemplo.

Ao ser perguntado sobre qual foi o melhor e maior atleta que dirigiu, Velasco não titubeou em citar o ponteiro italiano Bernardi. Ao ser perguntado sobre qual atleta gostaria de ter treinado, ele citou o norte-americano Karch Kiraly, atual técnico dos Estados Unidos, no naipe feminino, campeão olímpico na quadra e na areia, como jogador. Sobre um atleta difícil, Velasco apontou o levantador brasileiro Ricardinho, campeão olímpico em Atenas 2004.

Para encerrar a entrevista, Velasco foi questionado sobre uma punição dada pela FIVB a ele no Mundial de 2018. O técnico mandou uma banana para a arbitragem após a vitória da Argentina sobre a Polônia, no tie-break. Segundo explicou, a punição foi uma retaliação, após uma reclamação dele, para uma mudança de interpretação da regra, às vésperas do Mundial de 2018.

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Encerrada a Liga das Nações 2021, já é possível analisar o panorama do novo ranking da FIVB. Desde 2020, o ranking da federação mudou. Agora, cada resultado das partidas de torneios internacionais contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições. É bom ressaltar também, a importância do ranking na modalidade. É por ele que as chaves das Olimpíadas e do Mundial são divididas. E mais, é por ele que serão definidos os Pré-Olímpicos para os Jogos de Paris, em 2024.

No masculino, com a conquista da VNL 2021, o Brasil conseguiu manter a sua liderança no ranking, com 431 pontos. Detalhe: a seleção masculina é líder desde 2003, ou seja, são 18 anos à frente do ranking. Houveram algumas alterações, em relação à atualização anterior, ao novo formato do ranking. A Polônia subiu para a vice-liderança, com 390 pontos. A Rússia também subiu do 5º lugar para o 3º lugar. Os Estados Unidos caíram do 2º lugar para o 5º lugar.

A seleção brasileira, número 1 do ranking, há 18 anos/Divulgação FIVB

Os destaques positivos foram Eslovênia e França. Com uma ótima campanha na VNL 2021, a Eslovênia subiu para o 6º lugar. Uma das maiores escaladas com a nova metodologia. Já a França, também subiu. Com 331 pontos, está em 4º lugar no ranqueamento. Uma escalada de cinco posições, em relação ao antigo ranking. O destaque negativo ficou por conta da Itália. Disputando a VNL 2021, com um time alternativo, os italianos caíram seis posições, do 3º lugar para o 9º lugar.

No feminino, também ocorreram mudanças, mas não nas três primeiras posições. Primeiramente, os Estados Unidos consolidaram a liderança, após o tricampeonato da VNL, com 416 pontos. Mesmo disputando metade da VNL, com um time alternativo, a China manteve a vice-liderança, com 376 pontos. A diferença para o Brasil, 3º colocado, diminuiu para apenas 5 pontos. Completa o G4 do novo ranking, a Turquia, com 322 pontos.

Evidentemente, essas posições do novo ranking, podem não reproduzir o atual jogo de forças do vôlei feminino. Isso porque, Itália e Sérvia não competiram a VNL, com força máxima. Exatamente por isto, a Sérvia, atual campeã mundial, caiu para a 13ª posição do ranking. Uma grande distorção! A Itália, ao menos, conseguiu uma maior estabilidade no ranqueamento, mantendo-se entre as dez primeiras colocadas, em 9º lugar.

Fonte: FIVB

GIOVANE E SERGINHO SÃO INDICADOS AO HALL DA FAMA

Os bicampeões olímpicos Giovane e Serginho foram indicados ao Hall da Fama do Vôlei. A notícia foi dada em primeira mão, durante essa semana, por outro campeão olímpico, Nalbert, na gravação do podcast do GE “Na rede com Nalbert”. Giovane e Serginho foram surpreendidos. Nalbert convidou o executivo do Hall da Fama para anunciar oficialmente que os dois fazem parte do seleto grupo. A cerimônia do evento está marcada para o mês de Outubro, nos dias 15 e 16, em Holyoke, Massachusetts, Estados Unidos. Três brasileiros ainda concorrem a indicação em 2021. São eles: Fernanda Venturini, Bernardinho e Ricardinho.

A DESPEDIDA DE MARCELO MENDEZ

O técnico Marcelo Mendez/Divulgação Agência i7

O argentino Marcelo Mendez anunciou o fim de sua parceria com o Sada/Cruzeiro, após a eliminação precoce do time na Superliga Masculina 2020/2021. Em mais de dez anos na direção da equipe, ele conquistou 39 títulos. Uma marca impressionante e inigualável. Dificilmente, nos próximos anos, teremos no vôlei nacional, o domínio e a quebra dessa marca da parceria entre Marcelo Mendez e o Cruzeiro.

Além das vitórias e títulos, a passagem de Marcelo Mendez contribuiu para o desenvolvimento da seleção brasileira masculina. Sob a tutela do argentino, o mago “William” consagrou-se vestindo a camisa do Cruzeiro. O oposto Wallace, de promessa da modalidade, tornou-se referência em sua posição, com a camisa do Cruzeiro e do Brasil.

Evidentemente, o sucesso de Marcelo Mendez no voleibol brasileiro e a saída de Bernardinho do comando da seleção brasileira, levaram a especulações em torno da substituição. Marcelo Mendez foi cogitado para a função. No entanto, foi preterido no processo pela CBV, que decidiu por um nome mais conservador: do vice-campeão olímpico, como jogador, em Los Angeles 1984, Renan Dal Zotto.

Nem por isso, podemos afirmar que Marcelo Mendez, não deixou um legado para a seleção brasileira masculina. Sob seu comando, o ponteiro cubano Leal, ainda jovem, aprimorou o seu voleibol, defendendo o Cruzeiro. Foram anos de trabalho. O resultado foi tão satisfatório, que o cubano acabou por naturalizar-se brasileiro, em um cenário de escassez de talentos para a posição no Brasil.

Certo é que não dá pra dizer quem sai perdendo com essa história. Cruzeiro ou Brasil? Agora treinador da seleção masculina da Argentina, rumo à Europa, no vôlei de clubes, Marcelo Mendez imprimiu seu estilo no Cruzeiro. Será um duro adversário para o Brasil daqui em diante, no comando da Argentina. Falando nisso, hoje o Cruzeiro anunciou o nome do ponteiro Filipe como seu substituto técnico. Uma aposta arrojada. Resta aos fãs cruzeirenses, dividirem-se entre torcer para o seu time, o Brasil e a Argentina.