O PERDE E GANHA NA SUPERLIGA FEMININA 22/23

Terminada a sexta rodada da Superliga Feminina 22/23, apenas o Praia Clube ainda mantém invencibilidade na competição. A equipe do Triângulo Mineiro venceu os sete jogos disputados até agora. O mesmo não se pode afirmar do rival Minas. O time de Belo Horizonte já foi derrotado duas vezes no torneio, em seis jogos, uma delas inclusive para o Praia, por 3×2. Apesar da invencibilidade do time de Uberlândia, dá para afirmar com clareza, que está é a edição de Superliga Feminina com mais altos e baixos das equipes, em seu começo. O blog apontou os motivos que explicam a irregularidade das equipes na competição.

CALENDÁRIO

O Mundial feminino de vôlei terminou próximo ao início da Superliga Feminina 22/23. Muitas equipes não tiveram o tempo necessário para treinar e entrosar, principalmente quem não disputou o Campeonato Paulista, que ocorreu concomitantemente ao Mundial feminino. A conquista da Supercopa pelo Sesi/Bauru contra o Minas, é o maior exemplo de que a temporada começou antes para os times paulistas, do que para as equipes dos outros estados.

RITMO DE JOGO X ENTROSAMENTO

Obviamente, era de se esperar um domínio dos times paulistas no início da Superliga Feminina, mas não é isso que está acontecendo. Apesar da vantagem no ritmo de jogo, as equipes paulistas não conseguiram superar o Praia. O motivo? O time de Uberlândia foi o único que manteve a base da temporada anterior, mantendo o entrosamento. Diferentemente do rival Minas, que trocou de levantadora e está sofrendo para ajustar a sua linha de passe.

TABELA

Outro fator que pode explicar o perde e ganha na competição, é confecção da tabela. O blog não tem informações se ela foi montada de acordo com algoritmos, como já é comum em outras modalidades, mas os principais confrontos do torneio foram marcados para o início da disputa. Para se ter uma ideia, a Superliga Feminina teve como jogo de abertura, o principal clássico nacional, Sesc/Flamengo x Osasco. Resultado: o time de Bernardinho perdeu os três primeiros jogos da Superliga Feminina 22/23 para Osasco, Praia e Barueri. O rubro negro já se recuperou com 3 vitórias consecutivas, mas chegou a flertar com o rebaixamento!

NÍVEL TÉCNICO

Não é segredo para ninguém, que nesta temporada, os times do naipe feminino da Superliga diminuíram os investimentos, com exceção de Osasco. Além disso, como dito acima, apenas o Praia manteve a base da temporada anterior, enquanto os concorrentes diretos optaram por substituir suas peças com investimento modesto. Logo, há um nivelamento técnico por baixo na competição. Um exemplo claro disso, é a posição ocupada pela equipe do técnico José Roberto Guimarães, Barueri. O time paulista ainda não conseguiu ocupar a zona de classificação para os playoffs, com uma vitória em sete jogos. Após algumas temporadas como referência, com investimento em jovens jogadoras, que hoje estão na seleção brasileira, o time paulista corre o risco de ser eliminado na 1ª fase da Superliga.

O Praia Clube ainda não perdeu na atual temporada da Superliga, mas precisou do tie-break para vencer o Brasília na estreia/Eliezer Esportes/Divulgação

A HEGEMONIA TÉCNICA NO VOLEIBOL

O voleibol foi introduzido no programa olímpico nos Jogos de Tóquio, em 1964. A modalidade foi inventada pelo norte-americano William George Morgan, em 1895. Durante as duas Grandes Guerras Mundiais, o voleibol foi o esporte preferido praticado pelos militares nos momentos de descanso. Em 1947, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) foi fundada. O primeiro Campeonato Mundial da modalidade foi disputado em 1949, na antiga Tchecoslováquia, no naipe masculino. Três anos mais tarde, foi a vez das mulheres jogarem o Mundial da categoria na União Soviética. Desde então, o esporte aumentou a sua popularidade pelo mundo. Além disso, graças à evolução técnica do jogo, alguns períodos da modalidade foram marcados pela hegemonia de seleções históricas.

GUERRA FRIA

No período posterior da Segunda Guerra Mundial, o voleibol foi amplamente dominado pelos soviéticos no naipe masculino. Eles foram percursores da modalidade no desenvolvimento de fundamentos como serviço e bloqueio. Além disso, possuíam o biotipo físico adequado para a prática do esporte. O sistema tático dos soviéticos também era avançado para a época. Durante a Guerra Fria, a União Soviética conquistou seis títulos mundiais e três ouros olímpicos.

Já no feminino, a grande força rival dos soviéticos no período era o Japão. As japonesas possuíam um grande controle dos fundamentos da modalidade. Também tinham excelência no sistema defensivo, para compensar a baixa estatura. Além disso, o Japão trabalhava seu ataque com mais velocidade do que as soviéticas. Nenhuma seleção traduziu melhor o espírito do seu povo, do que o Japão dos tempos da Guerra Fria. Durante esse período, as japonesas conquistaram dois ouros olímpicos e três mundiais. No masculino, ainda foram campeões olímpicos em 1972, em Munique.

DOMÍNIO NORTE-AMERICANO

Na década de 1980, os Estados Unidos foram a seleção hegemônica do período. Sob o comando técnico de Doug Beal, os norte-americanos introduziram ao sistema tático da modalidade, a definição da posição específica de cada jogador. Sob liderança de Karch Kiraly em quadra, eleito melhor jogador do século XX, os Estados Unidos foram bicampeões olímpicos e campeões mundiais, feito inigualável até hoje. Existia na época, uma grande polêmica sobre quem era a melhor seleção do mundo naquele momento, devido ao boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984. URSS ou Estados Unidos? Muito bem, a dúvida foi sanada nos confrontos do Mundial de 1986 e nos Jogos de Seul 1988, com a vitória dos norte-americanos sobre os soviéticos nas finais.

Os Estados Unidos no alto do pódio, na década de 1980/NYT

PROFISSIONALIZAÇÃO DO ESPORTE

Com a queda do Muro de Berlim e a globalização, a Itália nadou de braçada na década de 1990. Os italianos eram o exemplo no voleibol de profissionalização do esporte. Com incentivo privado, a melhor Liga de Voleibol do mundo era da Itália. Para se ter uma ideia do sucesso, a liga nacional italiana serviu de modelo para a implantação da Superliga no Brasil. Anteriormente, sob a nomenclatura de Liga Nacional, o Brasil já copiava dos italianos os seus moldes de financiamento da modalidade. Dentro de quadra, tal organização dos italianos, obteve grandes resultados como o tricampeonato mundial (1990, 1994, 1998) e a conquista de oito Ligas Mundiais. Ficou faltando o ouro olímpico, mas a Itália de Zorzi está no panteão das grandes seleções da história do voleibol.

AS MORENAS DO CARIBE

Ainda na década de 1990, outra seleção histórica marcou o voleibol porém no naipe feminino. Estou falando do incrível time cubano liderado por Regla Torres e Mireya Luís. Sob o comando técnico de Antônio Perdomo, Cuba conquistou o tricampeonato olímpico (1992, 1996, 2000), o bicampeonato mundial (1994, 1998) e o tricampeonato da Copa do Mundo (1991, 1995, 1999). Para se ter uma ideia do nível daquela seleção cubana, na época se dizia que havia na modalidade três categorias. Em primeiro lugar: todo o naipe masculino. Em segundo lugar: a seleção feminina cubana. Em terceiro lugar: todo o naipe feminino. O Brasil, ao lado de China e Rússia, eram os países que faziam frente as cubanas, mas aquela seleção era considerada de outro patamar.

A seleção cubana após a conquista do ouro em Sydney/Divulgação FIVB

OURO, SUOR E LÁGRIMAS

Depois de trocar a seleção brasileira feminina pela masculina, o técnico Bernardinho levou o voleibol brasileiro ao topo. Sob o seu comando, o Brasil dominou o cenário da modalidade durante uma década. Entre 2001 e 2010, foram conquistados todos os títulos possíveis, entre eles, o tricampeonato mundial, o bicampeonato da Copa do Mundo, o ouro olímpico em Atenas 2004, e o recorde de títulos da Liga Mundial. O Brasil mudou o jeito de jogar da modalidade no voleibol masculino. Com velocidade e variação, os brasileiros deixaram como marca para o esporte, o ataque da linha de três, conhecida internacionalmente como pipe. Três jogadores do Brasil entraram para a história da modalidade. O ponteiro Giba, eleito MVP das principais competições do período, o levantador Ricardinho, maestro do time, e o líbero Serginho, que mudou a visão do jogo em relação à sua posição.

A geração mais vitoriosa do voleibol brasileiro, em Atenas/Divulgação FIVB

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Com o encerramento da Liga das Nações e da Copa Challenger, o blog apresenta um panorama da situação atual do ranking internacional da FIVB. Desde 2020, o ranking mudou. Agora, cada resultado de partidas de torneios da FIVB contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições e das seleções. É bom ressaltar a importância do ranking na modalidade. É por ele que os grupos do Mundial e das Olimpíadas são divididos.

Masculino

Com o fracasso na Liga das Nações 2022 e uma derrota inesperada para a China, na fase regular da competição, o Brasil perdeu a liderança do ranking internacional. Mesmo com a conquista inédita do torneio, a França não assumiu a ponta do ranking. Quem lidera atualmente, é a seleção da Polônia, atual bicampeã mundial. Veja abaixo, os dez primeiros do ranking internacional no vôlei masculino.

1 🇵🇱 Polônia – 385 pontos

2 🇫🇷 França – 373 pontos

3 🇧🇷 Brasil – 360 pontos

4 🇷🇺 Russia – 352 pontos

5 🇺🇸 EUA – 340 pontos

6 🇮🇹 Itália – 332 pontos

7 🇦🇷 Argentina – 280 pontos

8 🇮🇷 Irã – 278 pontos

9 🇯🇵 Japão – 273 pontos

10 🇸🇮 Eslovênia – 259 pontos

A Polônia ficou em 3º lugar na VNL 22, mas assumiu a liderança do ranking internacional/Volleyball World/Divulgação FIVB

Feminino

Já no naipe feminino, ao contrário do Brasil no masculino, mesmo com a eliminação nas quartas-de-final da VNL, os Estados Unidos conseguiram manter a liderança no ranking. Quem mais subiu, foi justamente a campeã da temporada, a Itália. Quem mais caiu, entre os dez primeiros, foi a seleção da Turquia. O Brasil também subiu, para o 2º lugar, a 20 pontos dos Estados Unidos. Veja abaixo, os dez primeiros do ranking do vôlei feminino.

1 🇺🇸 EUA – 392 pontos

2 🇧🇷 Brasil – 372 pontos

3 🇮🇹 Itália – 367 pontos

4 🇨🇳 China – 338 pontos

5 🇷🇸 Sérvia – 325 pontos

6 🇹🇷 Turquia – 310 pontos

7 🇯🇵 Japão – 287 pontos

8 🇷🇺 Rússia – 278 pontos

9 🇩🇴 Rep. Dominicana – 267 pontos

10 🇳🇱 Holanda – 250 pontos

A seleção brasileira feminina perdeu a final da VNL 22, mas subiu uma posição no ranking internacional/Volleyball World/Divulgação FIVB

Fonte: FIVB

BERNARDINHO E FERNANDA VENTURINI SÃO INDICADOS AO HALL DA FAMA

O técnico Bernardinho e a ex-levantadora Fernanda Venturini foram indicados ao Hall da Fama do voleibol. Os dois fazem parte da turma eleita para o ano de 2022. A cerimônia de condecoração está marcada para o dia 22 de Outubro, na cidade de Holyoke, no estado de Massachusetts, Estados Unidos. Além dos dois brasileiros, fazem parte da indicação da turma de 2022, o ex-ponteiro italiano Samuelle Papi, a norte-americana Kerri Walsh (vôlei de praia), e os holandeses Pieter Joon (vôlei sentado) e Peter Murphy (dirigente).

Em 2021, o Hall da Fama do voleibol teve três brasileiros inclusos: o ex-ponteiro Giovane Gávio, o líbero Sérgio Escadinha, e o jogador de vôlei de praia Ricardo. Ao todo, mais de 150 membros de 25 países da comunidade internacional do voleibol fazem parte da instituição. Com a nomeação de 2022, serão 161 membros no total.

Tanto Bernardinho, quanto Fernanda Venturini eram nomes aguardados para indicação ao Hall da Fama do voleibol. Com um currículo que coleciona títulos mundiais e medalhas olímpicas, Bernardinho era um nome certo para ingressar na instituição há muito anos. Já sua ex-esposa, a medalhista de bronze em Atlanta 1996, Fernanda Venturini, também era esperada no Hall da Fama, por ser considerada uma das melhores levantadoras da história do voleibol mundial.

A levantadora brasileira Fernanda Venturini colecionou prêmios individuais e títulos durante a carreira

A DESPEDIDA DE SHEILLA DAS QUADRAS

Acabou! Sheilla Castro, uma das maiores jogadores da história do voleibol brasileiro encerrou a carreira. Despediu-se das quadras na última edição da Liga profissional americana. A bicampeã olímpica agora planeja seguir no esporte como treinadora. O primeiro passo já foi dado. Sheilla integra a comissão técnica do Minas Tênis Clube, uma das potências olímpicas do Brasil.

INÍCIO

Foi no mesmo Minas Tênis Clube que a mineira de Belo Horizonte começou a carreira profissional. Poderia ter seguido os passos da também mineira Érika Coimbra. Ambas reveladas pelo Mackenzie, clube de Belo Horizonte, a oposto Sheila e a ponteira Érika receberam convites do técnico Bernardinho para defender o Rexona. Em 1997, Érika aceitou o convite de Bernardinho, já Sheilla, 4 anos mais tarde, preferiu o Minas.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Desde cedo, Sheilla defendeu a camisa da seleção brasileira. Após uma debandada de jogadoras experientes, em 2002, aos 19 anos, Sheilla se viu como oposta titular do Brasil. Dois anos mais tarde, com a volta dessas jogadoras, Sheilla perdeu espaço na seleção. Ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Atenas. Com a ascensão de Mari na posição de oposto, muitos não acreditavam no seu sucesso na seleção.

CARREIRA INTERNACIONAL

Desprestigiada no Brasil, Sheilla deixou o Minas para jogar no voleibol italiano, após os Jogos Olímpicos de Atenas. Sob olhares de grandes estrelas internacionais da modalidade, Sheilla amadureceu, sendo novamente convocada para defender o Brasil pelo técnico José Roberto Guimarães. Além disso, a empreitada internacional não parou. Com a camisa do Pesaro da Itália, ao lado da agora ponteira Mari, sob o comando de José Roberto Guimarães, foi campeã italiana.

PEQUIM 2008

Como dito acima, Sheilla e sua amiga Mari jogavam na mesma posição. A temporada de clubes na Itália serviu para treinar Mari na recepção, como ponteira, em um esquenta dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Em uma decisão corajosa, José Roberto Guimarães efetivou Mari como ponteira. As duas amigas juntas em quadra, cada uma em sua posição, foram campeãs olímpicas em Pequim, em uma campanha impecável.

MATCH POINTS

Quem acreditava que Sheilla já havia alcançado a glória, com a conquista do ouro em Pequim, não imaginava o que estava por vir. Já sem a amiga Mari na seleção, cortada às vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Sheilla viveu o grande momento da carreira defendendo o Brasil. Após uma 1ª fase complicada, o Brasil tinha pela frente nas quartas-de-final, seu principal carrasco, a Rússia. Em um jogo histórico, Sheilla salvou vários match points no tie-break, o Brasil eliminou as russas, abrindo o caminho para o bicampeonato olímpico.

CARACTERÍSTICAS

Como oposto, Sheilla sempre foi uma jogadora habilidosa. Com estatura de 1,85m, Sheilla não era muita alta para os padrões internacionais da modalidade, mas compensava com muita técnica. Suas bolas na saída de rede eram rápidas. Seu ataque potente e certeiro. Sheilla também tinha um excelente serviço. Quantas vezes assistimos um jogo do Brasil, com boas passagens de Sheilla no saque? Seja aonde for, Sheilla Castro deixará saudades na torcida brasileira.

Sheilla Castro no serviço/Divulgação FIVB

AFINAL, QUEM É O HERDEIRO DOS TÍTULOS DA UNILEVER?

A Unilever deixou o patrocínio do Rio de Janeiro, com mais uma conquista da Superliga Feminina/Divulgação CBV

Supercampeão da Superliga Feminina, o projeto da Unilever no voleibol nacional durou 20 anos. A parceria vitoriosa com Bernardinho foi hegemônica no Brasil. No total, foram 12 títulos conquistados da maior competição de voleibol do país. Nesse período, o projeto teve duas sedes. Entre 1997 e 2004, em Curitiba, no Paraná. Após essa data, até 2017, no Rio de Janeiro.

Depois da última conquista, na temporada 2016/2017, a Unilever deixou o voleibol brasileiro. Mas, no entanto, na atual edição da Superliga Feminina, é uma das marcas estampadas na camisa do Praia Clube. Ou seja, a Unilever ainda não abandou o vôlei brasileiro de fato.

NOVA PARCERIA

Órfão da Unilever, Bernardinho foi em busca de novos parceiros. Além do apoio do Sesc/RJ, para ter mais acesso aos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, Bernardinho fez uma parceria com o Flamengo, há dois anos. Até o momento, ela não rendeu títulos nacionais. Em duas temporadas, foram conquistados apenas títulos estaduais.

TÍTULOS NACIONAIS

Na época em que jogava defendendo o Rio de Janeiro Vôlei Clube, a Unilever herdou dois títulos da Superliga Feminina conquistados quando a sede do projeto era em Curitiba. Como o time manteve o patrocínio da empresa, na mudança de sede para o Rio de Janeiro, nada mais justo do que o reconhecimento dos dois títulos. Porém, no caso do novo parceiro do time de Bernardinho, a situação muda de figura.

RECONHECIMENTO

O Flamengo sempre foi uma potência olímpica no Brasil. Tanto que já venceu a Superliga Feminina, na temporada 2000/2001. Além disso, quando o principal campeonato de vôlei feminino do país não era disputado em formato de liga, o Flamengo também foi campeão, por duas vezes. Logo, seus títulos nacionais reconhecidos pela CBV, são três no total.

FUSÃO

Com uma espécie de fusão entre o time de Bernardinho e o Flamengo, muito é questionado sobre a herança dos títulos da Unilever. Após o reconhecimento de títulos pela CBV, como dito acima, na verdade, o Flamengo conquistou três títulos nacionais do voleibol feminino. Já o Rio de Janeiro Vôlei Clube, com o fim da parceria com a Unilever, conquistou dez títulos nacionais.

HERANÇA

A discussão sobre o tema da herança dos títulos, é sobre a possibilidade do Flamengo responder pelos títulos do período vitorioso da Unilever. Tal fato, na visão do blog está equivocado. Na verdade, juntos, Flamengo e Rio de Janeiro conquistaram 13 títulos nacionais. Porém, cada associação responde pelos seus títulos. Ou seja, 10 títulos para o Rio de Janeiro Vôlei Clube e 3 títulos para o Flamengo.

Caso, o Rio de Janeiro Vôlei Clube ainda entrasse em quadra sob a bandeira da Unilever, tudo mudaria. Isso porque, como já dito acima, os títulos conquistados na sede de Curitiba, são reconhecidos como da época do projeto em Curitiba. Dessa forma, ao todo, seriam doze títulos conquistados pelo Rio de Janeiro Vôlei Clube e os mesmos três títulos do Flamengo.

OUTROS CASOS

Fusões no voleibol brasileiro não são novidade. O próprio Osasco, rival histórico do time de Bernardinho, passou por situação parecida. Primeiramente, quando mudou de sede do Guarujá para Osasco, nos anos de 1990. Mais tarde, quando perdeu o patrocínio do Bradesco e foi agraciado com o patrocínio da Nestlé. Detalhe: a Nestlé foi um dos grandes adversários do Osasco na história da Superliga Feminina, quando bancava o projeto em Sorocaba e Jundiaí.

Já no masculino, também não faltam casos de fusões. Atualmente, uma das potências do voleibol brasileiro, o Sada começou a disputar a Superliga Masculina defendendo a cidade de Betim. Depois, associou-se ao Cruzeiro para manter o projeto vivo.

Além desse caso, outro fato interessante é o retorno da cidade de Campinas ao voleibol masculino. Nos anos de 1990, a cidade foi campeã da Superliga Masculina, com o projeto da Olympikus. Hoje, sob o patrocínio do Vôlei Renata disputa a principal competição da modalidade no país. Outros patrocinadores já passaram pela cidade, como a Brasil Kirin. Em caso de nova conquista da cidade, o título da Olympikus/Telesp será reconhecido?

O bicampeão olímpico Maurício foi campeão da Superliga Masculina com a camisa da Olympikus/Gazeta Press

OS MELHORES JOGADORES DE 2021

Pela primeira vez na história, no último mês de Janeiro, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) anunciou uma lista com os 12 melhores jogadores de 2021, nos dois naipes. A iniciativa lembra em muito, as premiações anuais do futebol. Segundo a FIVB, a lista levou em conta o desempenho em toda temporada do vôlei, seja ela de clubes ou de seleções. É bom ressaltar, que o ano de 2021, foi o ano de Olimpíada.

FEMININO

A lista das melhores jogadoras do feminino em 2021, conta com três atletas brasileiras. A melhor colocada é a central Carol Gattaz, atleta do Minas, 5ª colocada. Aos 40 anos, Gattaz disputou sua primeira Olimpíada, com grande rendimento, obtendo a medalha de prata como resultado. Além dela, a ponteira Gabi e a levantadora Macris, também vice-campeãs olímpicas, são outras brasileiras relacionadas. Gabi aparece em 7º lugar e Macris na décima posição.

A MELHOR

A melhor jogadora do ano de 2021, escolhida pela FIVB, foi a ponteira Kim da Coreia do Sul. Não é novidade para ninguém que acompanha o vôlei feminino, que a ponteira coreana Kim carrega a sua seleção nas costas. Sempre com performance acima média, Kim anunciou a aposentadoria da seleção, no ano passado. Graças a ela, a Coreia chegou a disputa do bronze, em Tóquio, mas acabou derrotada pela Sérvia, por 3×0. Kim encerrou sua trajetória por sua seleção, sem uma medalha olímpica.

Kim anunciou aposentadoria da seleção coreana, após os Jogos Olímpicos de Tóquio/Divulgação FIVB

LISTA FINAL DA FIVB

1- Kim da Coreia do Sul

2-Wong Orantes dos Estados Unidos

3- Egonu da Itália

4- Boskovic da Sérvia

5- Carol Gattaz do Brasil

6- Larson dos Estados Unidos

7- Gabi do Brasil

8- Fedorosvtseva da Rússia

9- Poulter dos Estados Unidos

10- Macris do Brasil

11- Erdem da Turquia

12- Haak da Suécia

MASCULINO

A lista dos melhores jogadores do masculino em 2021, conta com dois atletas brasileiros. O melhor posicionado é o ponteiro Lucarelli. Ele aparece em 9º lugar. O outro atleta brasileiro, entre os melhores, é o levantador Bruninho, em 12º lugar. Mesmo após o decepcionante 4º lugar, na Olimpíada de Tóquio, Lucarelli e Bruninho foram um dos líderes da conquista brasileira da VNL 2021, na bolha de Rimini.

O MELHOR

O melhor jogador do ano de 2021, eleito pela FIVB, foi o levantador Brizard da seleção francesa. Durante a conquista do ouro olímpico, em Tóquio, Brizard barrou o experiente levantador Toniutti. Desde então, ganhou a posição. Ao lado de Ngapeth, liderou a França diante do Comitê Olímpico Russo, na última final olímpica. Agora sob o comando de Bernardinho, atual técnico da França, Brizard e companhia prometem mais títulos.

Antoine Brizard, lors de la victoire de la France contre la Tunisie. (J. Crosnier/KMSP / AFP)
O levantador Brizard no serviço, um dos seus mais fortes fundamentos/France Press/Lequipe

LISTA FINAL DA FIVB

1-Brizard da França

2- De Cecco da Argentina

3- Ngapeth da França

4- Patry da França

5- Grebbenikov da França

6- Mikhaylov da Rússia

7- Michieletto da Itália

8- Iakovlev da Rússia

9- Lucarelli do Brasil

10- Chinenyeze da França

11- Ishikawa do Japão

12- Bruninho do Brasil

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Na virada do ano, a FIVB atualizou o ranking de seleções nos dois naipes. Desde 2020, o ranking mudou. Agora, cada resultado de partidas de torneios internacionais contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições. É bom ressaltar a importância da ranking no voleibol. É por ele que as chaves das Olimpíadas e Mundiais são divididas. E mais, é por ele que serão definidos os grupos de Pré-Olímpicos para os Jogos de Paris 2024.

MASCULINO

Com mais uma conquista do Sul-Americano, o Brasil conseguiu manter a liderança do ranking, com 399 pontos. O Brasil é líder do ranking da FIVB há quase 20 anos. No geral, também não houve alteração nas posições das outras seleções, mas sim na pontuação. Na sequência do Brasil estão a Polônia em 2º, a Rússia em 3º, a França em 4º e a Itália em 5º.

O Brasil manteve a hegemonia no Sul-Americano e a liderança no ranking da FIVB/Inovafoto/Divulgação CBV

FEMININO

No feminino, os Estados Unidos também conseguiram manter a liderança no ranking, mesmo com o revés no Campeonato Continental da Norceca. A seleção norte-americana está com 379 pontos no ranking, 13 à frente do Brasil, vice-líder. Em 3º lugar, aparece a China, com 350 pontos. Na sequência, em 4º lugar, a seleção da Turquia, com 331 pontos. Fechando o top 5, a seleção da Sérvia, a atual campeã mundial, com 306 pontos.

A seleção norte-americana é a atual campeã olímpica/Divulgação FIVB

RETROSPECTIVA 2021

Em 2021, mesmo com a pandemia em curso, seja na temporada de clubes ou na temporada internacional, o voleibol teve um ano movimentado. Além da retomada do calendário tradicional, 2021 foi ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio. E como o fim de ano é propício, é chegado o momento de rever o que aconteceu de importante nas competições em 2021.

COPA DO BRASIL

Devido ao COVID-19, em fevereiro de 2021, as finais da Copa do Brasil foram realizadas no Centro de Desenvolvimento do Vôlei (CDV), em Saquarema. Na versão masculina, o campeão da vez foi o Sada/Cruzeiro. Na final bateu o extinto Funvic/Taubaté, por 3×2. Foi o sexto título cruzeirense na história da competição. Já no feminino, o Minas conquistou o bicampeonato consecutivo da Copa do Brasil, após derrotar o Praia, nas finais, por 3×2.

SUPERLIGA 2020/2021

Também devido ao COVID-19, as finais da Superliga 2020/2021 foram disputadas em Saquarema, no CDV, nos dois naipes. Assim como na última edição com campeões, na temporada 2018/2019, Minas e Taubaté venceram a competição, no feminino e masculino, respectivamente. Entre as mulheres, na decisão do título, o Minas bateu o Praia. Foi o terceiro título do Minas na história da Superliga Feminina. Entre os homens, na decisão do título, o Taubaté superou o Minas. Foi o segundo título de Taubaté na história da Superliga Masculina.

LIGA DAS NAÇÕES 2021

Disputada em uma bolha, em Rimini na Itália, também devido ao COVID-19, a Liga das Nações serviu de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Pela 1ª vez, a seleção brasileira masculina conquistou a competição. Na grande final, bateu a Polônia por 3×1. Na versão feminina, o Brasil foi vice mais uma vez. Assim como em 2019, foi derrotado pelos Estados Unidos, que conquistou o terceiro título consecutivo da competição.

O Brasil conquistou a Liga das Nações 2021/Divulgação FIVB

OLIMPÍADA DE TÓQUIO 2020

Depois de muitas incertezas e até um certo suspense, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram realizados, em meio a pandemia, infelizmente, sem público. Ao contrário da Liga das Nações 2021, a seleção brasileira feminina obteve melhor desempenho que a seleção brasileira masculina. De forma surpreendente, chegou na final dos Jogos, conquistando a medalha de prata, após derrota para os Estados Unidos, por 3×0. Já na versão masculina, os brasileiros encerraram a competição, em um decepcionante 4º lugar, após derrota para os argentinos por 3×2, na disputa da medalha de bronze.

O Brasil foi prata em Tóquio no vôlei feminino/Divulgação FIVB

CAMPEONATO SUL-AMERICANO

Após o fim dos Jogos de Tóquio, seguindo o calendário do próximo ciclo olímpico, foi disputado o Campeonato Sul-Americano, nas categorias feminina e masculina. Entre os homens, a disputa aconteceu em Brasília, capital federal. O Brasil manteve a hegemonia na competição, conquistando mais um título e a classificação para o Campeonato Mundial 2022. Entre as mulheres, o Brasil também foi campeão sul-americano, conquistando classificação para o Mundial de 2022, mesmo após derrota para a Colômbia, por 3×1.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Encerrado os Jogos Olímpicos de Tóquio, a temporada nacional de clubes foi aberta com a disputa dos Campeonatos Estaduais. Entre as mulheres, na competição mais disputada, o Osasco venceu o paulista superando o Barueri nas finais. Em Minas Gerais, deu Praia, após anos de domínio do Minas. No Rio de Janeiro, o Fluminense até ameaçou fazer frente ao Flamengo de Bernardinho. Mas no fim, deu a lógica, com mais um título para o rubro-negro. Entre os homens, na disputa do Paulista, o Vôlei Renata/Campinas conquistou o bicampeonato. Em Minas, em mais uma final entre Cruzeiro e Minas, melhor para o time celeste, em sua 12ª conquista consecutiva.

SUPERCOPA

Na abertura da temporada da Superliga 2021/2022, pela Supercopa, o Praia conquistou o segundo título do ano, mais uma vez batendo o Minas, no naipe feminino. Já no naipe masculino, o Cruzeiro bateu o Funvic/Natal, também em sua segunda conquista na temporada 2021/2022.

SUL-AMERICANO DE CLUBES

A versão masculina do Sul-Americano, prevista para ocorrer em Belo Horizonte, na Arena Minas, foi cancelada. Já a versão feminina, aconteceu em Brasília, com a participação de 5 equipes. Em mais um duelo pelos títulos da temporada 2021/2022, o Praia bateu o Minas, no ginásio Taquatinga, na capital federal, por 3×2. Foi o primeiro título do Praia na história da competição.

MUNDIAL DE CLUBES

Neste último mês de Dezembro, foi disputado na cidade de Betim, Minas Gerais, o Mundial de Clubes 2021. Depois de um hiato de 2 anos, devido a pandemia, a competição voltou com tudo. Jogando em casa, o Cruzeiro foi tetracampeão mundial, desbancando dois poderosos times italianos. Já na versão feminina, disputada em Ancara, na Turquia, os representantes brasileiros na competição, Minas e Praia, ficaram fora do pódio. O título foi conquistado pelo Vakifbank da Turquia, clube onde joga a ponteira vice-campeã olímpica em Tóquio, Gabi.