A INFLUÊNCIA DE BERNARDINHO NO VÔLEI FEMININO MODERNO

O técnico Bernardinho, atual técnico da França, no naipe masculino/Divulgação FIVB

Multicampeão com a seleção brasileira masculina, Bernardinho trilhou o caminho das vitórias no vôlei feminino. Antes de comandar as brasileiras na década de 1990, ele ainda foi vice-campeão olímpico e mundial como atleta do Brasil. Convidado pela ex-jogadora brasileira Dulce Thompson para assumir um clube na Itália, ele desbravou o vôlei italiano feminino em seu começo.

Alguns anos depois, Bernardinho virou técnico da seleção brasileira feminina. Seu legado na formação do time, perdura até os dias de hoje. Não por acaso, Bernardinho nunca deixou o vôlei feminino de lado. Vários elementos técnicos e táticos de suas equipes são identificados no voleibol feminino atual. Confira alguns desses pontos.

VELHO X NOVO

Quando Bernardinho assumiu o comando técnico da seleção brasileira feminina, o voleibol praticado internacionalmente pelas mulheres era arcaico, principalmente, em relação ao naipe masculino. O porte físico e a força das atletas eram os fatores de desequilíbrio do jogo, a favor de Cuba e Rússia. O desafio de Bernardinho era introduzir um novo sistema tático, baseado na velocidade e na variação. Para isto, ele necessitava de material humano. Com uma geração talentosa nas mãos, campeã mundial juvenil em 1987, ele conseguiu implantar a sua filosofia de jogo.

SISTEMAS TÁTICOS

Para além das rivalidades, o voleibol praticado na década de 1990, entre seleções, possuía sistemas táticos diferentes. Enquanto Cuba jogava em 4×2, o Brasil de Bernardinho entrava em quadra no sistema 5×1, com oposta no passe e também como opção de ataque. Não havia líberos, as centrais também faziam o fundo de quadra. China e Rússia também possuíam sistemas táticos diferentes. O sistema tático adotado pelos Estados Unidos era o que mais se aproximava do Brasil.

Portanto, para além das brigas e provocações entre brasileiras e cubanas, também existia uma disputa tática pelo sistema de jogo. Quase trinta anos depois, com a evolução da modalidade, percebe-se que Bernardinho pode não ter levado o ouro para casa em Atlanta 1996, mas sua filosofia venceu. Atualmente, no vôlei feminino de alto nível, é inconcebível jogar sem oposta ou em outro sistema que não seja o 5×1 adotado pelo Brasil nos anos de 1990.

VELOCIDADE X FORÇA

Para competir com a força física cubana, Bernardinho apostou na velocidade e na variação de jogadas. Provavelmente, sem Fernanda Venturini ou Fofão como levantadoras, isso não seria possível. Além disso, o sistema defensivo foi o grande salto de qualidade dessa geração. Até então, as brasileiras tinham muitas dificuldades no bloqueio. Com direito a treinamento com homens, foi pelo bloqueio que o Brasil quase desbancou Cuba em Atlanta.

LEGADO

Atualmente, o voleibol praticado em alto nível alia força e velocidade. Entre as mulheres, é nítido o padrão de jogo introduzido por Bernardinho na seleção feminina. Ao combinar velocidade com variação, sua filosofia demonstrou que nem sempre a força é suficiente. Mais do que isso, o Brasil dos anos de 1990 conseguiu captar o espírito do nosso tempo. Com sua filosofia de jogo, Bernardinho mostrou que a disputa não acontece mais entre o mais forte e o mais fraco. Na verdade, entre o mais rápido e o mais lento ou ainda entre o mais leve e o mais pesado.

Bernardinho na época do comando da seleção masculina/Divulgação FIVB

A EVOLUÇÃO TÉCNICA E TÁTICA NA OLIMPÍADA

Nos últimos tempos, muito tem sido falado sobre o esgotamento da evolução do jogo no voleibol. No entanto, ao contrário do que se imaginava, nos último dois ciclos olímpicos, a modalidade apresentou novidades técnicas e táticas. Todas elas poderão ser vistas agora nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Como se sabe, o voleibol moderno é caracterizado por força e velocidade. Essa é a tônica do jogo desde a mudança da bola nos Jogos de Pequim 2008. Porém, aliado à força e velocidade, estão sendo introduzidos no jogo variações técnicas e outras importantes tendências táticas.

Falando tecnicamente, algumas mudanças já são visíveis. Por exemplo, desde o último Congresso Técnico da FIVB, já é permitido pela regra, largar no ataque, quase como um empurrão na bola, em uma ação quase conduzida da bola. Obviamente, isso foi muito questionado entre os especialistas. Para os puristas, uma clara violação da regra. Na hora do jogo, segundo a FIVB, a interpretação desse lance fica a critério da arbitragem.

Outra mudança importante, que abrange técnica e tática, foi vista nos últimos tempos, no naipe masculino: o saque híbrido. Misto de saque viagem, com saque flutuante, esse serviço é uma grande evolução da modalidade por quebrar a dicotomia entre força e velocidade. Mas atenção, ele em nada se parece com o serviço flutuante. Neste tipo de saque, o jogador se lança em uma ação de viagem, e ao tocar na bola, ela perde velocidade e morre na frente do passador.

A levantadora Macris/Divulgação

Outra mudança técnica, dessa vez no naipe feminino, que alguns anos atrás, poderia ser considerada uma aberração, é a segunda bola de toque. Tendência lançada pela levantadora brasileira Macris, atualmente, já é uma realidade entre todas as levantadoras do mundo. Detalhe: essa ação de segunda bola de toque é realizada sem salto, com os pés apoiados no chão.

Falando taticamente, em mais uma inovação brasileira, no naipe masculino, o técnico Renan Dal Zotto tem recomendado aos seus jogadores, trabalhar os lances de contra-ataques, ao invés de matar o ponto no xeque-mate, em chances geradas pelo serviço. Algo questionável, já que o Brasil é a única seleção no mundo no naipe masculino, que aparentemente prefere trabalhar o ponto ao invés de matar no xeque.

Ainda sobre essa questão, seguindo essa linha, existe outra tendência lançada pelo voleibol masculino europeu, de matar o ponto, na segunda bola, em ações geradas de forma gratuita pelos adversários. Um dos países que melhor executam essa bola, é a seleção da França, tamanha habilidade de seus jogadores.

O ponteiro francês Ngapeth, um dos jogadores mais habilidosos do mundo/Divulgação

Outras táticas escondidas pelos treinadores, poderão ser vistas, no naipe feminino, durante os Jogos de Tóquio. No caso brasileiro, uma dessas tendências de aposta do técnico José Roberto Guimarães é a troca de posição entre oposta e ponteira na rede, com inversão. Neste caso, o coringa do treinador brasileiro seria Rosamaria. Essa tática foi muito adotada por ele, durante o ciclo olímpico, principalmente, no título do Grand Prix 2017.

Rosamaria, o coringa de José Roberto/Divulgação

Outra variação tática, que deverá ser utilizada por muitas seleções, é o ataque pelo fundo da oposta na posição 1, com finta na rede da central. Essa jogada é tendência atual do jogo. No caso asiático, a bola entre o meio e a ponta, com velocidade, deve ser muito utilizada pelas ponteiras Zhu da China e Kim da Coreia do Sul.

A ponteira chinesa Zhu, atacando a bola entre o meio e a ponta/Divulgação

Além disso, outras tendências táticas do jogo, no naipe feminino, foram resgatadas ao longo do tempo. Por exemplo, atualmente, no caso norte-americano, por contar com uma oposta canhota, aquela antiga movimentação dessa posição, quando ela está invertida na rede, foi adaptada para os dias de hoje. No caso, a oposta Drews percorre toda a quadra, para atacar na saída de rede, quando está na posição 4.

Esteticamente estranha, essa movimentação pode ser o tendão de Aquiles americano nos Jogos de Tóquio. Isso porque, quando acontecia antigamente, a oposta tinha função de passe, e normalmente atacava pelo meio, quando estava na posição 4. Algumas variações ocorriam quando se tratava de uma jogadora canhota, mas a ação era bem melhor executada antes do que hoje no caso norte-americano.

A oposta norte-americana Drews, ao centro/Divulgação

Bem, isso pode parecer estranho, mas já vem sendo adotado pelo vôlei europeu feminino de clubes, na última temporada, até mesmo com opostas destras, como no caso turco, com a jovem jogadora Karakurt. Tudo para tentar não encalhar a rede e conter os danos, quando a oposta está na posição 4. Algo impensável para o naipe masculino.

Para encerrar, outra “velha” nova novidade, é o resgate do ataque de fundo pela posição 5, nos dois naipes. Talvez, mais uma solução encontrada para o desencalhe da rede, quando o oposto está na posição de entrada. Porém, também muito usual, para rodar a rede, aproveitando o potencial de ponteiros, com alto percentual de ataque, na bola pipe, pela posição 5.

A ENTREVISTA DE JULIO VELASCO AO BOLA DA VEZ

No último sábado, 3 de Julho, o consagrado técnico argentino Julio Velasco foi o convidado do programa Bola da Vez da ESPN Brasil. Um dos responsáveis pelo crescimento do vôlei feminino italiano, no fim dos anos de 1990, além de comandante da geração mais vitoriosa do vôlei masculino italiano, Velasco hoje é coordenador do trabalho de base da FIPAV – Federação Italiana de Vôlei.

Ao abordar o trabalho técnico na entrevista, Velasco disse que um bom treinador deve saber ensinar. Ele também enfatizou que treinar não é uma ciência, mas uma arte. Segundo Velasco, um bom treinador apresenta uma forma de jogo, que tenha a sua marca. Ele também apontou a importância de criar na cabeça de seus jogadores uma mentalidade de vencedor.

Ao ser questionado sobre as derrotas épicas do time italiano masculino, nos Jogos de Barcelona 1992 e Atlanta 1996, para a Holanda, Júlio Velasco disse que a pressão externa e financeira exercida sobre os seu jogadores, foi crucial para o revés em Barcelona. Ele disse que a seleção italiana chegou a ser comparada ao Dream Team de basquete norte-americano. Sobre Atlanta 96, ele acredita que poderia ter realizado algumas mudanças na decisão da medalha de ouro.

Júlio Velasco também foi inquirido sobre a comparação entre a vitoriosa geração italiana dos anos de 1990 e a geração brasileira vitoriosa dos anos 2000. Para ele, é uma comparação difícil. Velasco afirmou que o Brasil dos anos 2000 era criativo e veloz. Além disso, ele apontou a diferença do jogo nas duas épocas. O serviço foi um dos diferenciais citado como exemplo.

Ao ser perguntado sobre qual foi o melhor e maior atleta que dirigiu, Velasco não titubeou em citar o ponteiro italiano Bernardi. Ao ser perguntado sobre qual atleta gostaria de ter treinado, ele citou o norte-americano Karch Kiraly, atual técnico dos Estados Unidos, no naipe feminino, campeão olímpico na quadra e na areia, como jogador. Sobre um atleta difícil, Velasco apontou o levantador brasileiro Ricardinho, campeão olímpico em Atenas 2004.

Para encerrar a entrevista, Velasco foi questionado sobre uma punição dada pela FIVB a ele no Mundial de 2018. O técnico mandou uma banana para a arbitragem após a vitória da Argentina sobre a Polônia, no tie-break. Segundo explicou, a punição foi uma retaliação, após uma reclamação dele, para uma mudança de interpretação da regra, às vésperas do Mundial de 2018.

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Encerrada a Liga das Nações 2021, já é possível analisar o panorama do novo ranking da FIVB. Desde 2020, o ranking da federação mudou. Agora, cada resultado das partidas de torneios internacionais contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições. É bom ressaltar também, a importância do ranking na modalidade. É por ele que as chaves das Olimpíadas e do Mundial são divididas. E mais, é por ele que serão definidos os Pré-Olímpicos para os Jogos de Paris, em 2024.

No masculino, com a conquista da VNL 2021, o Brasil conseguiu manter a sua liderança no ranking, com 431 pontos. Detalhe: a seleção masculina é líder desde 2003, ou seja, são 18 anos à frente do ranking. Houveram algumas alterações, em relação à atualização anterior, ao novo formato do ranking. A Polônia subiu para a vice-liderança, com 390 pontos. A Rússia também subiu do 5º lugar para o 3º lugar. Os Estados Unidos caíram do 2º lugar para o 5º lugar.

A seleção brasileira, número 1 do ranking, há 18 anos/Divulgação FIVB

Os destaques positivos foram Eslovênia e França. Com uma ótima campanha na VNL 2021, a Eslovênia subiu para o 6º lugar. Uma das maiores escaladas com a nova metodologia. Já a França, também subiu. Com 331 pontos, está em 4º lugar no ranqueamento. Uma escalada de cinco posições, em relação ao antigo ranking. O destaque negativo ficou por conta da Itália. Disputando a VNL 2021, com um time alternativo, os italianos caíram seis posições, do 3º lugar para o 9º lugar.

No feminino, também ocorreram mudanças, mas não nas três primeiras posições. Primeiramente, os Estados Unidos consolidaram a liderança, após o tricampeonato da VNL, com 416 pontos. Mesmo disputando metade da VNL, com um time alternativo, a China manteve a vice-liderança, com 376 pontos. A diferença para o Brasil, 3º colocado, diminuiu para apenas 5 pontos. Completa o G4 do novo ranking, a Turquia, com 322 pontos.

Evidentemente, essas posições do novo ranking, podem não reproduzir o atual jogo de forças do vôlei feminino. Isso porque, Itália e Sérvia não competiram a VNL, com força máxima. Exatamente por isto, a Sérvia, atual campeã mundial, caiu para a 13ª posição do ranking. Uma grande distorção! A Itália, ao menos, conseguiu uma maior estabilidade no ranqueamento, mantendo-se entre as dez primeiras colocadas, em 9º lugar.

Fonte: FIVB

GIOVANE E SERGINHO SÃO INDICADOS AO HALL DA FAMA

Os bicampeões olímpicos Giovane e Serginho foram indicados ao Hall da Fama do Vôlei. A notícia foi dada em primeira mão, durante essa semana, por outro campeão olímpico, Nalbert, na gravação do podcast do GE “Na rede com Nalbert”. Giovane e Serginho foram surpreendidos. Nalbert convidou o executivo do Hall da Fama para anunciar oficialmente que os dois fazem parte do seleto grupo. A cerimônia do evento está marcada para o mês de Outubro, nos dias 15 e 16, em Holyoke, Massachusetts, Estados Unidos. Três brasileiros ainda concorrem a indicação em 2021. São eles: Fernanda Venturini, Bernardinho e Ricardinho.

A DESPEDIDA DE MARCELO MENDEZ

O técnico Marcelo Mendez/Divulgação Agência i7

O argentino Marcelo Mendez anunciou o fim de sua parceria com o Sada/Cruzeiro, após a eliminação precoce do time na Superliga Masculina 2020/2021. Em mais de dez anos na direção da equipe, ele conquistou 39 títulos. Uma marca impressionante e inigualável. Dificilmente, nos próximos anos, teremos no vôlei nacional, o domínio e a quebra dessa marca da parceria entre Marcelo Mendez e o Cruzeiro.

Além das vitórias e títulos, a passagem de Marcelo Mendez contribuiu para o desenvolvimento da seleção brasileira masculina. Sob a tutela do argentino, o mago “William” consagrou-se vestindo a camisa do Cruzeiro. O oposto Wallace, de promessa da modalidade, tornou-se referência em sua posição, com a camisa do Cruzeiro e do Brasil.

Evidentemente, o sucesso de Marcelo Mendez no voleibol brasileiro e a saída de Bernardinho do comando da seleção brasileira, levaram a especulações em torno da substituição. Marcelo Mendez foi cogitado para a função. No entanto, foi preterido no processo pela CBV, que decidiu por um nome mais conservador: do vice-campeão olímpico, como jogador, em Los Angeles 1984, Renan Dal Zotto.

Nem por isso, podemos afirmar que Marcelo Mendez, não deixou um legado para a seleção brasileira masculina. Sob seu comando, o ponteiro cubano Leal, ainda jovem, aprimorou o seu voleibol, defendendo o Cruzeiro. Foram anos de trabalho. O resultado foi tão satisfatório, que o cubano acabou por naturalizar-se brasileiro, em um cenário de escassez de talentos para a posição no Brasil.

Certo é que não dá pra dizer quem sai perdendo com essa história. Cruzeiro ou Brasil? Agora treinador da seleção masculina da Argentina, rumo à Europa, no vôlei de clubes, Marcelo Mendez imprimiu seu estilo no Cruzeiro. Será um duro adversário para o Brasil daqui em diante, no comando da Argentina. Falando nisso, hoje o Cruzeiro anunciou o nome do ponteiro Filipe como seu substituto técnico. Uma aposta arrojada. Resta aos fãs cruzeirenses, dividirem-se entre torcer para o seu time, o Brasil e a Argentina.

DEPOIS DE TÓQUIO, BERNARDINHO SERÁ TÉCNICO DA FRANÇA

Na tarde de hoje, no Brasil, veio a público o acerto do técnico Bernardinho com a Federação Francesa de Voleibol. O ex-técnico da seleção brasileira será técnico da França no próximo ciclo olímpico, no naipe masculino. Segundo a revista francesa L’Equipe, o objetivo é a conquista da medalha de ouro nas Olimpíadas de Paris, em 2024. O primeiro compromisso de Bernardinho com a seleção francesa será o Campeonato Europeu 2021, no mês de Setembro. Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, entre Julho e Agosto, deste ano, a França será comandada por Laurent Tillie.

Durante o dia, fontes da imprensa, especularam o fim da parceria de Bernardinho com o Flamengo. Ele negou. Segundo o próprio técnico, a parceria do Sesc/RJ com o rubro-negro continua. Bernardinho já projeta a próxima temporada da Superliga Feminina. Ele irá conciliar os projetos. Também de acordo com a imprensa, o ex-assistente técnico de Bernardinho na seleção brasileira e atual treinador do Bauru, Rubinho, fará parte da comissão técnica da França, juntamente, com o franco-brasileiro, Maurício Paes, técnico do Tourcoing.

Nos últimos anos, a França observou um crescimento no cenário internacional. Por duas vezes, em 2015 e 2017, os franceses conquistaram a Liga Mundial no Brasil, nas cidades do Rio de Janeiro e de Curitiba, respectivamente. Na primeira edição da Liga das Nações, em 2018, foi vice-campeã, dentro de casa, perdendo a final para a Rússia. Além disso, foi campeã europeia, pela 1ª vez na sua história, em 2015. Em Mundiais, os franceses foram medalha de bronze na Argentina, em 2002, e 4º lugar, em 2014, na Polônia.

Realmente, nos últimos anos, a França alcançou bons resultados na modalidade, no entanto, o esporte ainda não é popular no país. Recentemente, não soube lidar com o favoritismo ao ouro olímpico, nos Jogos do Rio, em 2016. Dito isso, fica claro o grande desafio para o multicampeão Bernardinho, dado que a França, em 4 participações olímpicas, nunca avançou da 1ª fase, sendo a melhor colocação o 8º lugar, em Seul, 1988.

O técnico Bernardinho, bicampeão olímpico e tricampeão mundial com a seleção brasileira masculina de vôlei

O CENÁRIO DA PRÓXIMA TEMPORADA DA SUPERLIGA FEMININA

No fim de 2020, uma notícia publicada pelo blog Olhar Olímpico do UOL, anunciou a diminuição dos investimentos do Sesi/Bauru no voleibol feminino. De acordo com a informação, na próxima temporada, o Sesi/Bauru disputará a Superliga Feminina com prioridade para jovens promessas da modalidade. Diante do quadro de debilidade econômica, derivado do coronavírus, não chega a ser uma novidade o anúncio do Sesi/Bauru. No ano passado, o alvo de cortes de investimento foi a equipe masculina.

Para se ter uma ideia da gravidade dessa notícia para o nível de competitividade da Superliga Feminina é bom ter como exemplo a versão masculina atual da competição. Nela, após perda de investimento, o Sesi/SP briga para não ser rebaixado. Caso isso se aplique a próxima temporada do principal campeonato feminino do país, o quadro de forças atual da Superliga sofrerá alterações.

Na contramão do Sesi/Bauru aparece o São Paulo/Barueri de José Roberto Guimarães. Durante o mês de fevereiro, deste ano, o tricampeão olímpico finalmente anunciou um novo patrocinador para a sua equipe. A parceria com o clube de futebol pode ter facilitado o acesso ao novo patrocinador via lei de incentivo. O projeto vinha sendo bancado com recursos próprios do treinador. Dependendo do tamanho do investimento, o São Paulo/Barueri poderá sonhar com o título da Superliga, figurando entre os favoritos da competição.

Em situação delicada está a parceria entre o Sesc de Bernardinho e o Flamengo. No fim do ano passado, também foi notícia na mídia, um mal-estar entre os parceiros. O motivo: quebra de acordo. Recursos obtidos com a TIM, de patrocínio para o voleibol, no valor de R$ 4 milhões, segundo a mídia, não foram repassados ao time de Bernardinho. Como retaliação, Bernardinho mandou alguns jogos de sua equipe, na atual temporada da Superliga Feminina, em Saquarema.

Após o ocorrido, ao que parece, a situação arrefeceu. Pelo menos, publicamente. Não se sabe ao certo quais serão as consequências do acontecido. Estaria a fusão entre os dois times em xeque? Depois dos cortes nos times do Sesi e do time masculino do Sesc, seria a equipe feminina de Bernardinho a bola da vez? Fato é que, até o momento quem saiu no lucro com essa história foi o Flamengo, que virou o jogo em relação ao seu rival Fluminense na Superliga Feminina. Se na temporada passada o rubro-negro lutava para não cair, quem corre esse risco de descenso hoje é o tricolor carioca.

Seleção brasileira

Não dá para não citar a seleção brasileira feminina para fechar essa equação. Caso haja o cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, José Roberto Guimarães poderá mudar de planos, estendendo a sua permanência como técnico do Brasil até o Mundial da Holanda e Polônia em 2022. Fatalmente, isso deve atrapalhar os planos de sucessão do técnico pela CBV. No auge da pandemia, em meados de 2020, o retorno de Bernardinho ao comando da seleção feminina foi ventilado na imprensa. Seria esse o fim do time do Sesc? O Flamengo manterá sua equipe de vôlei feminino caso perca o parceiro?

AS CONSEQUÊNCIAS DO BANIMENTO RUSSO

No último dia 17 de Dezembro, o CAS, Corte Arbitral do Esporte decidiu banir a Rússia de todas as competições esportivas por 2 anos, sob alegação de doping generalizado e obstrução de investigação. O caso se arrastava há quatro anos. A sentença também incluiu o direito a sediar eventos de qualquer modalidade. Até 2022, a Rússia não receberá eventos esportivos, como punição. Por incrível que possa parecer, ao saber da decisão, dirigentes russos comemoraram a sentença, em virtude da pena branda e do direito dos atletas “limpos” competirem sob bandeira neutra.

Para o vôlei, a sentença pode gerar algumas consequências imediatas como: a mudança da sede do Mundial masculino de 2022. Em 2018, a Rússia foi anunciada como sede do evento. Após a sentença do CAS, isso provavelmente mudará. A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) ainda não se pronunciou. Assim que saiu a sentença pediu mais detalhes ao CAS. Dado que os últimos três Mundiais do naipe masculino foram na Europa, o blog aposta que a nova sede do Mundial de 22 será o Japão, ou até mesmo o Brasil.

Além disso, a FIVB precisa correr contra o tempo para tomar decisões importantes sobre a questão. Como ficará a participação dos russos na Liga das Nações durante o período de punição? Poderão os atletas russos competir na Liga das Nações sob bandeira neutra ou a Rússia perderá a vaga para outro país? Mais, será que a Federação Russa conseguirá formar uma equipe competitiva, tanto no masculino, quanto no feminino, excluindo os jogadores com caso de doping? E o que vale para os Jogos Olímpicos de Tóquio também será o mesmo para a Liga das Nações? É bom lembrar que a Rússia estava programada como sede da Ligas das Nações 2021 e 2022.

Outras questões podem ser levantadas por partes interessadas. Por exemplo, no caso dos esportes individuais é claro que a vaga olímpica conquistada pertence ao atleta. Porém, nos esportes coletivos, esse conceito poderá ser colocado em xeque. A classificação russa para os Jogos de Tóquio 2020, nos naipes masculino e feminino do vôlei, pertencem ao país. Portanto, passível de questionamento por outras federações. Afinal, a classificação olímpica pertence ao país ou aos atletas?

Existem várias saídas para esse imbróglio. Em 1992, nos Jogos de Barcelona, por se tratar de uma questão política, os russos competiram sob a bandeira neutra da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Mas ao que parece, a situação agora é outra: um grave caso de corrupção esportiva. Dependendo da decisão tomada pela FIVB, mais polêmicas poderão surgir. Em caso de eliminação da Rússia, sem poder competir sob bandeira neutra, como será decidida a seleção substituta? Um novo qualificatório olímpico ou um convite por índice técnico através do controverso novo ranking?

Em tempos de pandemia, não dá pra cravar com certeza como será o amanhã. O coronavírus já obrigou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a adiar o seu maior evento esportivo por um ano. O calendário de competições das modalidades foi bagunçado. Há o risco de não acontecer as Olimpíadas. Não dá pra descartar a desistência de delegações em participar dos Jogos de Tóquio, mesmo que ele ocorra, ainda em plena pandemia, com plateia vazia. Logo, a eliminação russa é apenas uma das surpresas que poderão acontecer.

PALCO DO MUNDIAL DE 94, IBIRAPUERA PODERÁ SER IMPLODIDO

Palco de competições esportivas internacionais históricas, como o Campeonato Mundial de vôlei feminino, em 1994, o ginásio do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, poderá ser implodido. Projeto do governo Dória, ainda não aprovado, prevê a demolição de todo o equipamento esportivo do local. Em seu lugar, deve ser construído um complexo de entretenimento que inclui um centro de gastronomia, um shopping e uma rede hoteleira. Consta ainda no projeto, a construção de uma Arena esportiva com capacidade para receber 20 mil pessoas.

O principal argumento contra o projeto do governador Dória é a carência de espaços públicos gratuitos disponíveis para a prática de atividade física na capital paulista. Nessa semana, opositores ao projeto do governo de São Paulo, tiveram um pedido de tombamento do complexo do Ibirapuera negado pelo Conselho do Patrimônio Histórico. Para conseguir a aprovação do projeto na Assembleia, Dória conta com o apoio de várias federações esportivas do estado. Entre elas, a FPV, Federação Paulista de Vôlei. As entidades assinaram um documento, a pedido do governo do estado, em que concordam com a demolição do Ibirapuera.

Mundial de 94

No ano de 1994, o ginásio do Ibirapuera foi palco do Campeonato Mundial de vôlei feminino. Naquele ano, as cidades de São Paulo e Belo Horizonte sediaram a competição em conjunto. Recordes sucessivos de público foram quebrados durante o torneio. Pela 1ª vez na história, o Brasil subiu ao pódio do Mundial feminino. A grande final, disputada entre brasileiras e cubanas, aconteceu na capital paulista. Após a derrota do Brasil, por um incontestável 3×0, surgiu a grande rivalidade entre os dois países no vôlei feminino. No link abaixo, você confere a final do Mundial feminino de 1994.