DEPOIS DE TÓQUIO, BERNARDINHO SERÁ TÉCNICO DA FRANÇA

Na tarde de hoje, no Brasil, veio a público o acerto do técnico Bernardinho com a Federação Francesa de Voleibol. O ex-técnico da seleção brasileira será técnico da França no próximo ciclo olímpico, no naipe masculino. Segundo a revista francesa L’Equipe, o objetivo é a conquista da medalha de ouro nas Olimpíadas de Paris, em 2024. O primeiro compromisso de Bernardinho com a seleção francesa será o Campeonato Europeu 2021, no mês de Setembro. Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, entre Julho e Agosto, deste ano, a França será comandada por Laurent Tillie.

Durante o dia, fontes da imprensa, especularam o fim da parceria de Bernardinho com o Flamengo. Ele negou. Segundo o próprio técnico, a parceria do Sesc/RJ com o rubro-negro continua. Bernardinho já projeta a próxima temporada da Superliga Feminina. Ele irá conciliar os projetos. Também de acordo com a imprensa, o ex-assistente técnico de Bernardinho na seleção brasileira e atual treinador do Bauru, Rubinho, fará parte da comissão técnica da França, juntamente, com o franco-brasileiro, Maurício Paes, técnico do Tourcoing.

Nos últimos anos, a França observou um crescimento no cenário internacional. Por duas vezes, em 2015 e 2017, os franceses conquistaram a Liga Mundial no Brasil, nas cidades do Rio de Janeiro e de Curitiba, respectivamente. Na primeira edição da Liga das Nações, em 2018, foi vice-campeã, dentro de casa, perdendo a final para a Rússia. Além disso, foi campeã europeia, pela 1ª vez na sua história, em 2015. Em Mundiais, os franceses foram medalha de bronze na Argentina, em 2002, e 4º lugar, em 2014, na Polônia.

Realmente, nos últimos anos, a França alcançou bons resultados na modalidade, no entanto, o esporte ainda não é popular no país. Recentemente, não soube lidar com o favoritismo ao ouro olímpico, nos Jogos do Rio, em 2016. Dito isso, fica claro o grande desafio para o multicampeão Bernardinho, dado que a França, em 4 participações olímpicas, nunca avançou da 1ª fase, sendo a melhor colocação o 8º lugar, em Seul, 1988.

O técnico Bernardinho, bicampeão olímpico e tricampeão mundial com a seleção brasileira masculina de vôlei

O CENÁRIO DA PRÓXIMA TEMPORADA DA SUPERLIGA FEMININA

No fim de 2020, uma notícia publicada pelo blog Olhar Olímpico do UOL, anunciou a diminuição dos investimentos do Sesi/Bauru no voleibol feminino. De acordo com a informação, na próxima temporada, o Sesi/Bauru disputará a Superliga Feminina com prioridade para jovens promessas da modalidade. Diante do quadro de debilidade econômica, derivado do coronavírus, não chega a ser uma novidade o anúncio do Sesi/Bauru. No ano passado, o alvo de cortes de investimento foi a equipe masculina.

Para se ter uma ideia da gravidade dessa notícia para o nível de competitividade da Superliga Feminina é bom ter como exemplo a versão masculina atual da competição. Nela, após perda de investimento, o Sesi/SP briga para não ser rebaixado. Caso isso se aplique a próxima temporada do principal campeonato feminino do país, o quadro de forças atual da Superliga sofrerá alterações.

Na contramão do Sesi/Bauru aparece o São Paulo/Barueri de José Roberto Guimarães. Durante o mês de fevereiro, deste ano, o tricampeão olímpico finalmente anunciou um novo patrocinador para a sua equipe. A parceria com o clube de futebol pode ter facilitado o acesso ao novo patrocinador via lei de incentivo. O projeto vinha sendo bancado com recursos próprios do treinador. Dependendo do tamanho do investimento, o São Paulo/Barueri poderá sonhar com o título da Superliga, figurando entre os favoritos da competição.

Em situação delicada está a parceria entre o Sesc de Bernardinho e o Flamengo. No fim do ano passado, também foi notícia na mídia, um mal-estar entre os parceiros. O motivo: quebra de acordo. Recursos obtidos com a TIM, de patrocínio para o voleibol, no valor de R$ 4 milhões, segundo a mídia, não foram repassados ao time de Bernardinho. Como retaliação, Bernardinho mandou alguns jogos de sua equipe, na atual temporada da Superliga Feminina, em Saquarema.

Após o ocorrido, ao que parece, a situação arrefeceu. Pelo menos, publicamente. Não se sabe ao certo quais serão as consequências do acontecido. Estaria a fusão entre os dois times em xeque? Depois dos cortes nos times do Sesi e do time masculino do Sesc, seria a equipe feminina de Bernardinho a bola da vez? Fato é que, até o momento quem saiu no lucro com essa história foi o Flamengo, que virou o jogo em relação ao seu rival Fluminense na Superliga Feminina. Se na temporada passada o rubro-negro lutava para não cair, quem corre esse risco de descenso hoje é o tricolor carioca.

Seleção brasileira

Não dá para não citar a seleção brasileira feminina para fechar essa equação. Caso haja o cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, José Roberto Guimarães poderá mudar de planos, estendendo a sua permanência como técnico do Brasil até o Mundial da Holanda e Polônia em 2022. Fatalmente, isso deve atrapalhar os planos de sucessão do técnico pela CBV. No auge da pandemia, em meados de 2020, o retorno de Bernardinho ao comando da seleção feminina foi ventilado na imprensa. Seria esse o fim do time do Sesc? O Flamengo manterá sua equipe de vôlei feminino caso perca o parceiro?

AS CONSEQUÊNCIAS DO BANIMENTO RUSSO

No último dia 17 de Dezembro, o CAS, Corte Arbitral do Esporte decidiu banir a Rússia de todas as competições esportivas por 2 anos, sob alegação de doping generalizado e obstrução de investigação. O caso se arrastava há quatro anos. A sentença também incluiu o direito a sediar eventos de qualquer modalidade. Até 2022, a Rússia não receberá eventos esportivos, como punição. Por incrível que possa parecer, ao saber da decisão, dirigentes russos comemoraram a sentença, em virtude da pena branda e do direito dos atletas “limpos” competirem sob bandeira neutra.

Para o vôlei, a sentença pode gerar algumas consequências imediatas como: a mudança da sede do Mundial masculino de 2022. Em 2018, a Rússia foi anunciada como sede do evento. Após a sentença do CAS, isso provavelmente mudará. A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) ainda não se pronunciou. Assim que saiu a sentença pediu mais detalhes ao CAS. Dado que os últimos três Mundiais do naipe masculino foram na Europa, o blog aposta que a nova sede do Mundial de 22 será o Japão, ou até mesmo o Brasil.

Além disso, a FIVB precisa correr contra o tempo para tomar decisões importantes sobre a questão. Como ficará a participação dos russos na Liga das Nações durante o período de punição? Poderão os atletas russos competir na Liga das Nações sob bandeira neutra ou a Rússia perderá a vaga para outro país? Mais, será que a Federação Russa conseguirá formar uma equipe competitiva, tanto no masculino, quanto no feminino, excluindo os jogadores com caso de doping? E o que vale para os Jogos Olímpicos de Tóquio também será o mesmo para a Liga das Nações? É bom lembrar que a Rússia estava programada como sede da Ligas das Nações 2021 e 2022.

Outras questões podem ser levantadas por partes interessadas. Por exemplo, no caso dos esportes individuais é claro que a vaga olímpica conquistada pertence ao atleta. Porém, nos esportes coletivos, esse conceito poderá ser colocado em xeque. A classificação russa para os Jogos de Tóquio 2020, nos naipes masculino e feminino do vôlei, pertencem ao país. Portanto, passível de questionamento por outras federações. Afinal, a classificação olímpica pertence ao país ou aos atletas?

Existem várias saídas para esse imbróglio. Em 1992, nos Jogos de Barcelona, por se tratar de uma questão política, os russos competiram sob a bandeira neutra da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Mas ao que parece, a situação agora é outra: um grave caso de corrupção esportiva. Dependendo da decisão tomada pela FIVB, mais polêmicas poderão surgir. Em caso de eliminação da Rússia, sem poder competir sob bandeira neutra, como será decidida a seleção substituta? Um novo qualificatório olímpico ou um convite por índice técnico através do controverso novo ranking?

Em tempos de pandemia, não dá pra cravar com certeza como será o amanhã. O coronavírus já obrigou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a adiar o seu maior evento esportivo por um ano. O calendário de competições das modalidades foi bagunçado. Há o risco de não acontecer as Olimpíadas. Não dá pra descartar a desistência de delegações em participar dos Jogos de Tóquio, mesmo que ele ocorra, ainda em plena pandemia, com plateia vazia. Logo, a eliminação russa é apenas uma das surpresas que poderão acontecer.

PALCO DO MUNDIAL DE 94, IBIRAPUERA PODERÁ SER IMPLODIDO

Palco de competições esportivas internacionais históricas, como o Campeonato Mundial de vôlei feminino, em 1994, o ginásio do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, poderá ser implodido. Projeto do governo Dória, ainda não aprovado, prevê a demolição de todo o equipamento esportivo do local. Em seu lugar, deve ser construído um complexo de entretenimento que inclui um centro de gastronomia, um shopping e uma rede hoteleira. Consta ainda no projeto, a construção de uma Arena esportiva com capacidade para receber 20 mil pessoas.

O principal argumento contra o projeto do governador Dória é a carência de espaços públicos gratuitos disponíveis para a prática de atividade física na capital paulista. Nessa semana, opositores ao projeto do governo de São Paulo, tiveram um pedido de tombamento do complexo do Ibirapuera negado pelo Conselho do Patrimônio Histórico. Para conseguir a aprovação do projeto na Assembleia, Dória conta com o apoio de várias federações esportivas do estado. Entre elas, a FPV, Federação Paulista de Vôlei. As entidades assinaram um documento, a pedido do governo do estado, em que concordam com a demolição do Ibirapuera.

Mundial de 94

No ano de 1994, o ginásio do Ibirapuera foi palco do Campeonato Mundial de vôlei feminino. Naquele ano, as cidades de São Paulo e Belo Horizonte sediaram a competição em conjunto. Recordes sucessivos de público foram quebrados durante o torneio. Pela 1ª vez na história, o Brasil subiu ao pódio do Mundial feminino. A grande final, disputada entre brasileiras e cubanas, aconteceu na capital paulista. Após a derrota do Brasil, por um incontestável 3×0, surgiu a grande rivalidade entre os dois países no vôlei feminino. No link abaixo, você confere a final do Mundial feminino de 1994.

OS TÉCNICOS ARGENTINOS NO BRASIL

O voleibol brasileiro sempre teve as portas abertas para os nossos vizinhos argentinos. Seja dentro de quadra ou fora dela, eles sempre estiveram presentes em nossas competições. Nem por isso, a rivalidade entre os dois países na modalidade deixou de existir. No entanto, o intercâmbio entre os dois países contribuiu para o crescimento da excelência no esporte. O maior exemplo disso é a forte presença de técnicos argentinos na história da Superliga Masculina.

Em se tratando de história da Superliga, no naipe masculino, 5 treinadores argentinos já disputaram o certame. Com menor destaque, Jon Uriarte e Daniel Castellani. O primeiro comandou a Austrália no ciclo de 2000 a 2004, sendo vice-campeão da Superliga com o Minas na temporada 2004/2005. Mais tarde, na última década, ele voltou a ser técnico da seleção australiana masculina.

Já o segundo, Castellani, teve passagem turbulenta pelo Taubaté, na temporada 2018/2019, sendo substituído por Renan Dal Zotto. Após a sua saída, o Taubaté foi campeão da Superliga pela 1ª vez. Em seu currículo, consta o primeiro título europeu masculino da Polônia em 2009. Em comum entre Uriarte e Castellani, está a conquista da medalha de bronze pela Argentina, nos Jogos de Seul em 1988, como jogadores.

Os outros três treinadores com passagens por equipes brasileiras masculinas na Superliga disputam a atual edição da competição. São eles: Horácio Dileo, Marcelo Mendez, Javier Weber. Cada um deles, com currículos de fazer inveja a Bernardinho, José Roberto Guimarães e Bebeto de Freitas.

Marcelo Mendez (Divulgação FIVB)

Campeão de tudo com o Cruzeiro, a frente do projeto do Sada há mais de dez anos, atual treinador da seleção masculina da Argentina, Marcelo Mendez representa como ninguém o sucesso do intercâmbio técnico da Superliga, seja fora ou dentro de quadra. Seu legado para o vôlei brasileiro é tão importante, que ele foi cogitado a treinar a seleção nacional após a saída de Bernardinho.

Javier Weber/Divulgação FIVB

Único estrangeiro a ser campeão como treinador e jogador da Superliga Masculina, Javier Weber é um grande conhecido da modalidade no Brasil. Responsável pelo desenvolvimento de jovens talentos em seu país, ele despontou como técnico após conquistar a Superliga Masculina pela Unisul na temporada 2003/2004. Entre suas conquistas está o bronze em Seul como atleta, além da hegemonia nacional no vôlei argentino com o Bolívar, como treinador. Também esteve presente nos Jogos Olímpicos como treinador de seu país em 2008 e 2012.

Horácio Dileo/Divulgação Vôlei Renata

Atual campeão paulista pelo Campinas, Horácio Dileo já é uma figura constante na Superliga. No Brasil, desde 2016, Dileo alcançou a marca de mais de 130 jogos como técnico do Campinas. Profundo conhecedor de vôlei, seu trabalho foi reconhecido por ninguém menos que Marcelo Mendez, outro técnico argentino da Superliga. Atualmente, além de dirigir o Campinas, Dileo é assistente de Marcelo Mendez na seleção masculina da Argentina. Juntos, no ano passado, eles conquistaram o ouro no Pan de Lima.

O AMISTOSO ENTRE MINAS E SESI/BAURU

No último sábado, em Belo Horizonte, na Arena Minas, Itambé/Minas e Sesi/Bauru realizaram amistoso com vistas a temporada nacional 2020/2021. Foi a retomada da modalidade no naipe feminino no Brasil, após paralisação de mais de cinco meses, em virtude da pandemia do coronavírus. Como determina o figurino, o jogo atendeu ao “novo normal” da modalidade, com arquibancadas vazias, sem troca de lado entre os times ao final de cada parcial. O único porém nesse quesito foi a confraternização natural das jogadoras no fim do jogo, com troca de abraços e aperto de mãos. Será que era esse o protocolo?

Apesar da expectativa, as duas equipes estavam desfalcadas de reforços importantes para a temporada. No caso do Minas, a ponteira americana Megan Hodge não entrou em quadra. Já pelo Bauru, ficaram de fora a oposta azeri Rahimova e a líbero dominicana Castillo. No entanto, o torcedor do Minas deve ter gostado do que assistiu. A outra americana do time, a oposta Cuttino fez uma estreia excelente com a camisa do clube. Ela foi a maior pontuadora do jogo, além de demonstrar entrosamento com a levantadora Macris.

Nos aspectos físicos, ficou claro a falta de ritmo das duas equipes. Porém, o Bauru sofreu mais do que o Minas. Suas atletas ainda estão visivelmente longe da forma ideal. Tecnicamente, o Minas também está a um nível acima do Bauru. Taticamente, a vitória do Minas, até com certa facilidade, por 3×0, ficou marcada pelo bom desempenho no saque e bloqueio. A central Thaísa deu trabalho para as atacantes do Bauru. Além disso, o time do interior paulista teve muitas dificuldades na linha de passe. Mari Casemiro não resolveu os problemas no fundo de quadra. A ponteira Suellen entrou bem no jogo, em seu lugar. Também não deu para entender porque a central Mara ficou no banco a maior parte da partida.

Sobre a transmissão, apesar do esforço do patrocinador do Minas, das belas imagens da Arena, é lamentável as informações imprecisas dadas pela cobertura do jogo. Além disso, a narração do duelo beirou o amadorismo. Nem de longe lembra a Tv Bandeirantes do saudoso Luciano do Valle. Salvou-se apenas os comentários da bicampeã olímpica Sheilla. Para uma próxima vez, fica a expectativa por uma cobertura melhor. O telespectador merece.

A oposta Cuttino, maior pontuadora do amistoso, com 18 pontos/Orlando Bento/Divulgação MTC

A MELHOR SELEÇÃO DE TODOS OS TEMPOS

No último dia do mês de Agosto, o GE, portal de esportes do Grupo Globo, divulgou o resultado de uma enquete interativa sobre a melhor seleção brasileira feminina de todos os tempos. Os critérios para escalação do time foram restringidos apenas entre atletas medalhistas olímpicas. Ou seja, disputaram o voto dos internautas somente as seleções olímpicas de Atlanta 1996, Sydney 2000, Pequim 2008 e Londres 2012. Nesses jogos, o Brasil conquistou dois bronzes e dois ouros, respectivamente.

Segundo o próprio GE, foram mais de 13 mil times votados e todas as jogadoras receberam votos. Ainda de acordo com o GE, o fator que mais pesou na escolha do internauta foi a conquista da medalha de ouro em Pequim e Londres. Quatro bicampeãs olímpicas ficaram entre as mais votadas. A disputa mais apertada aconteceu na posição de ponteira. A mais votada foi a única sem medalha de ouro no time.

A melhor seleção de todos os tempos

Com 14.341 escalações, a líbero Fabi foi a atleta mais votada para a melhor seleção de todos os tempos. Em seguida, a central Fabiana com 10.975 escalações e a também central Thaísa com 10.715 escalações. Em 4º lugar, a oposta Sheilla com 10.346. Na 5ª posição, como levantadora ideal da melhor seleção de todos os tempos, ficou Fofão com 8.336 escalações. Considerada uma das melhores jogadoras de todos os tempos, a levantadora Fernanda Venturinni perdeu a disputa para Fofão com 4.629 escalações. Fechando o time, nas pontas, em 6º e 7º lugar, a ponteira Ana Moser com 6.471 escalações e a ponteira Jaqueline com 6.273 escalações.

Em entrevista ao GE, a medalhista de bronze em Atlanta 1996, Ana Moser, afirmou ser muito bom lembrarem dela. Segundo a jogadora, faz muito tempo desde quando ela se aposentou (20 anos) e muita gente não viu Ana Moser em quadra, com a camisa da seleção brasileira. Para ela é um orgulho ser escolhida. Já a ponteira Jaqueline, também em entrevista ao GE, disse ter ficado emocionada e feliz com esse reconhecimento. A bicampeã olímpica fez questão de enaltecer todas as atletas que defenderam o Brasil. Ela ainda agradeceu a todos os internautas participantes da votação. Para conferir a votação completa da página do vôlei do GE clique no link abaixo.

https://interativos.globoesporte.globo.com/volei/voce-escala/vc-escala-monte-a-selecao-feminina-de-volei-da-historia

OS CORTES ÀS VÉSPERAS DAS OLIMPÍADAS

Já virou drama. A cada ciclo olímpico a história costuma se repetir. Seja em função de lesão, pelo tamanho da delegação ou por questão técnica, os cortes nas seleções às vésperas dos Jogos Olímpicos são sempre uma dor de cabeça para os treinadores. Muitas vezes polêmicos, invariavelmente eles acabam mexendo com o humor da torcida.

Nas últimas Olimpíadas, no caso específico da seleção brasileira, os cortes entre as mulheres têm dado mais o que falar do que entre os homens. Por exemplo, na Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães preteriu a líbero Camila Brait pela segunda vez consecutiva em um ciclo olímpico. Em seu lugar, foi convocada a líbero Leia. Em Londres 2012, Brait era reserva da bicampeã olímpica Fabi. Ainda na Rio 2016, a oposta Tandara foi outro corte controverso. A seleção ficou sem uma opção viável no banco para o lugar de Sheilla, que estava na reserva de seu clube na Europa.

Entre os homens, Bernardinho cortou o ponteiro Murilo da Rio 2016. MVP no Mundial 2010 e nos Jogos de Londres 2012, Murilo teve uma lesão na panturrilha esquerda que o tirou das Olimpíadas. Além disso, ao longo dos anos, o bicampeão mundial sofria com dores crônicas no ombro. Atualmente, ele joga na posição de líbero. Ainda na Rio 2016, com problemas de contusão do central Maurício Souza, segundo consta, Bernardinho procurou o central Sidão para o seu lugar, mas ouviu um não como resposta.

Algumas tomadas de decisões dos treinadores no momento dos cortes podem ser decisivas. O caso brasileiro em Londres 2012 pode ser utilizado como exemplo. A seleção brasileira masculina sofreu com problemas físicos na final de Londres contra a Rússia, porém antes da disputa, Bernardinho foi pressionado a fazer uma escolha de Sofia. A dúvida pairava sobre a convocação da grande estrela do voleibol brasileiro Giba ou do então jovem ponteiro promissor Lucarelli. Bernardinho optou por Giba. Se a decisão fosse outra, será que o resultado final seria diferente?

Já no feminino, em Londres 2012, o corte realizado por José Roberto Guimarães causou uma comoção entre a torcida e o próprio time. Nesse caso, não há parâmetro para questionar se o treinador acertou ou não. O Brasil foi bicampeão olímpico. Além do previsível corte da líbero Camila Brait, já em Londres, José Roberto Guimarães anunciou em pleno saguão do aeroporto de Guarulhos, após a disputa do Grand Prix, para toda a equipe, o corte da levantadora Fabíola e da central Juciely. Ainda naquele ciclo, o técnico da seleção brasileira já havia causado com outro corte, o da ponteira Mari, por questões “técnicas”.

Ciclos repetidos

A polêmica em torno do corte de grandes nomes da história do esporte em detrimento de jovens atletas é recorrente. Em Sydney 2000, após uma sofrida classificação olímpica, o técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Radamés Lattari foi praticamente obrigado a acatar recomendação da confederação brasileira em convocar alguns dos campeões olímpicos em Barcelona 1992, ao invés de outros jogadores.

No feminino, em Atenas 2004, o problema foi outro. Em um período conturbado de nossa seleção, com briga de jogadoras com técnico, além de troca do comando no meio do caminho, José Roberto Guimarães possuía a sua disposição quatro opostas de bom nível técnico. Duas delas, com possibilidade de jogar na posição de ponteira. No momento de corte, ele optou por levar três dessas jogadoras. A oposta canhota Leila, ídolo da torcida, ficou de fora, segundo consta, pela baixa estatura. Além dela, jovens atletas que defenderam o Brasil no ciclo, também foram preteridas.

Já em 2008, a polêmica se deu pela ausência de dois dos maiores levantadores da história do voleibol brasileiro. No caso masculino, a controvérsia começou antes, no Pan de 2007. O levantador Ricardinho deixou a seleção por problemas internos, dias antes do começo da competição. A pressão por seu retorno persistiu até Londres, quando o mesmo se acertou com a comissão técnica, sendo convocado como reserva de Bruninho, no lugar do preterido da vez, o levantador Marlom.

No caso feminino, quem ficou de fora foi a levantadora Fernanda Venturini. Fora da seleção durante todo aquele ciclo, a jogadora foi alvo de corte do técnico José Roberto Guimarães. A justificativa dada pelo treinador foi justamente a ausência de convocação da atleta no período anterior aos Jogos de Pequim 2008.

Nem sempre os cortes na seleção são fruto de questões técnicas ou tamanho da delegação. Em Atlanta 1996, o então técnico da seleção masculina, José Roberto Guimarães, foi obrigado a cortar o ponteiro Carlão, às vésperas dos Jogos, devido a uma contusão na panturrilha direita. Em seu lugar, foi convidado o ponteiro Kid.

Deu-se um imbróglio. A Federação Internacional considerou encerrado o prazo para a inscrição de novos jogadores. O Brasil iniciou a disputa dos Jogos com 11 atletas até que seu recurso fosse aceito pelo Comitê Olímpico. Carlão ainda manteve esperanças de disputar os Jogos até o último momento, mesmo contundido. Resultado: o Brasil teve dificuldades de avançar na 1ª fase, sendo eliminado pela Iugoslávia, nas quartas-de-final, por 3×2.

Por fim, desde os primórdios do nosso vôlei, os cortes na modalidade as vésperas das Olimpíadas sempre chamam a atenção da mídia e dos torcedores. Exemplos não faltam, seja por qual motivo for. Ultimamente, com as redes sociais e o engajamento da torcida, a convocação da seleção brasileira, seja feminina ou masculina, tornou-se um grande “evento”, com garantia de público e muita pipoca.