A DESPEDIDA DE SHEILLA DAS QUADRAS

Acabou! Sheilla Castro, uma das maiores jogadores da história do voleibol brasileiro encerrou a carreira. Despediu-se das quadras na última edição da Liga profissional americana. A bicampeã olímpica agora planeja seguir no esporte como treinadora. O primeiro passo já foi dado. Sheilla integra a comissão técnica do Minas Tênis Clube, uma das potências olímpicas do Brasil.

INÍCIO

Foi no mesmo Minas Tênis Clube que a mineira de Belo Horizonte começou a carreira profissional. Poderia ter seguido os passos da também mineira Érika Coimbra. Ambas reveladas pelo Mackenzie, clube de Belo Horizonte, a oposto Sheila e a ponteira Érika receberam convites do técnico Bernardinho para defender o Rexona. Em 1997, Érika aceitou o convite de Bernardinho, já Sheilla, 4 anos mais tarde, preferiu o Minas.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Desde cedo, Sheilla defendeu a camisa da seleção brasileira. Após uma debandada de jogadoras experientes, em 2002, aos 19 anos, Sheilla se viu como oposta titular do Brasil. Dois anos mais tarde, com a volta dessas jogadoras, Sheilla perdeu espaço na seleção. Ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Atenas. Com a ascensão de Mari na posição de oposto, muitos não acreditavam no seu sucesso na seleção.

CARREIRA INTERNACIONAL

Desprestigiada no Brasil, Sheilla deixou o Minas para jogar no voleibol italiano, após os Jogos Olímpicos de Atenas. Sob olhares de grandes estrelas internacionais da modalidade, Sheilla amadureceu, sendo novamente convocada para defender o Brasil pelo técnico José Roberto Guimarães. Além disso, a empreitada internacional não parou. Com a camisa do Pesaro da Itália, ao lado da agora ponteira Mari, sob o comando de José Roberto Guimarães, foi campeã italiana.

PEQUIM 2008

Como dito acima, Sheilla e sua amiga Mari jogavam na mesma posição. A temporada de clubes na Itália serviu para treinar Mari na recepção, como ponteira, em um esquenta dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Em uma decisão corajosa, José Roberto Guimarães efetivou Mari como ponteira. As duas amigas juntas em quadra, cada uma em sua posição, foram campeãs olímpicas em Pequim, em uma campanha impecável.

MATCH POINTS

Quem acreditava que Sheilla já havia alcançado a glória, com a conquista do ouro em Pequim, não imaginava o que estava por vir. Já sem a amiga Mari na seleção, cortada às vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Sheilla viveu o grande momento da carreira defendendo o Brasil. Após uma 1ª fase complicada, o Brasil tinha pela frente nas quartas-de-final, seu principal carrasco, a Rússia. Em um jogo histórico, Sheilla salvou vários match points no tie-break, o Brasil eliminou as russas, abrindo o caminho para o bicampeonato olímpico.

CARACTERÍSTICAS

Como oposto, Sheilla sempre foi uma jogadora habilidosa. Com estatura de 1,85m, Sheilla não era muita alta para os padrões internacionais da modalidade, mas compensava com muita técnica. Suas bolas na saída de rede eram rápidas. Seu ataque potente e certeiro. Sheilla também tinha um excelente serviço. Quantas vezes assistimos um jogo do Brasil, com boas passagens de Sheilla no saque? Seja aonde for, Sheilla Castro deixará saudades na torcida brasileira.

Sheilla Castro no serviço/Divulgação FIVB

AFINAL, QUEM É O HERDEIRO DOS TÍTULOS DA UNILEVER?

A Unilever deixou o patrocínio do Rio de Janeiro, com mais uma conquista da Superliga Feminina/Divulgação CBV

Supercampeão da Superliga Feminina, o projeto da Unilever no voleibol nacional durou 20 anos. A parceria vitoriosa com Bernardinho foi hegemônica no Brasil. No total, foram 12 títulos conquistados da maior competição de voleibol do país. Nesse período, o projeto teve duas sedes. Entre 1997 e 2004, em Curitiba, no Paraná. Após essa data, até 2017, no Rio de Janeiro.

Depois da última conquista, na temporada 2016/2017, a Unilever deixou o voleibol brasileiro. Mas, no entanto, na atual edição da Superliga Feminina, é uma das marcas estampadas na camisa do Praia Clube. Ou seja, a Unilever ainda não abandou o vôlei brasileiro de fato.

NOVA PARCERIA

Órfão da Unilever, Bernardinho foi em busca de novos parceiros. Além do apoio do Sesc/RJ, para ter mais acesso aos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, Bernardinho fez uma parceria com o Flamengo, há dois anos. Até o momento, ela não rendeu títulos nacionais. Em duas temporadas, foram conquistados apenas títulos estaduais.

TÍTULOS NACIONAIS

Na época em que jogava defendendo o Rio de Janeiro Vôlei Clube, a Unilever herdou dois títulos da Superliga Feminina conquistados quando a sede do projeto era em Curitiba. Como o time manteve o patrocínio da empresa, na mudança de sede para o Rio de Janeiro, nada mais justo do que o reconhecimento dos dois títulos. Porém, no caso do novo parceiro do time de Bernardinho, a situação muda de figura.

RECONHECIMENTO

O Flamengo sempre foi uma potência olímpica no Brasil. Tanto que já venceu a Superliga Feminina, na temporada 2000/2001. Além disso, quando o principal campeonato de vôlei feminino do país não era disputado em formato de liga, o Flamengo também foi campeão, por duas vezes. Logo, seus títulos nacionais reconhecidos pela CBV, são três no total.

FUSÃO

Com uma espécie de fusão entre o time de Bernardinho e o Flamengo, muito é questionado sobre a herança dos títulos da Unilever. Após o reconhecimento de títulos pela CBV, como dito acima, na verdade, o Flamengo conquistou três títulos nacionais do voleibol feminino. Já o Rio de Janeiro Vôlei Clube, com o fim da parceria com a Unilever, conquistou dez títulos nacionais.

HERANÇA

A discussão sobre o tema da herança dos títulos, é sobre a possibilidade do Flamengo responder pelos títulos do período vitorioso da Unilever. Tal fato, na visão do blog está equivocado. Na verdade, juntos, Flamengo e Rio de Janeiro conquistaram 13 títulos nacionais. Porém, cada associação responde pelos seus títulos. Ou seja, 10 títulos para o Rio de Janeiro Vôlei Clube e 3 títulos para o Flamengo.

Caso, o Rio de Janeiro Vôlei Clube ainda entrasse em quadra sob a bandeira da Unilever, tudo mudaria. Isso porque, como já dito acima, os títulos conquistados na sede de Curitiba, são reconhecidos como da época do projeto em Curitiba. Dessa forma, ao todo, seriam doze títulos conquistados pelo Rio de Janeiro Vôlei Clube e os mesmos três títulos do Flamengo.

OUTROS CASOS

Fusões no voleibol brasileiro não são novidade. O próprio Osasco, rival histórico do time de Bernardinho, passou por situação parecida. Primeiramente, quando mudou de sede do Guarujá para Osasco, nos anos de 1990. Mais tarde, quando perdeu o patrocínio do Bradesco e foi agraciado com o patrocínio da Nestlé. Detalhe: a Nestlé foi um dos grandes adversários do Osasco na história da Superliga Feminina, quando bancava o projeto em Sorocaba e Jundiaí.

Já no masculino, também não faltam casos de fusões. Atualmente, uma das potências do voleibol brasileiro, o Sada começou a disputar a Superliga Masculina defendendo a cidade de Betim. Depois, associou-se ao Cruzeiro para manter o projeto vivo.

Além desse caso, outro fato interessante é o retorno da cidade de Campinas ao voleibol masculino. Nos anos de 1990, a cidade foi campeã da Superliga Masculina, com o projeto da Olympikus. Hoje, sob o patrocínio do Vôlei Renata disputa a principal competição da modalidade no país. Outros patrocinadores já passaram pela cidade, como a Brasil Kirin. Em caso de nova conquista da cidade, o título da Olympikus/Telesp será reconhecido?

O bicampeão olímpico Maurício foi campeão da Superliga Masculina com a camisa da Olympikus/Gazeta Press

OS MELHORES JOGADORES DE 2021

Pela primeira vez na história, no último mês de Janeiro, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) anunciou uma lista com os 12 melhores jogadores de 2021, nos dois naipes. A iniciativa lembra em muito, as premiações anuais do futebol. Segundo a FIVB, a lista levou em conta o desempenho em toda temporada do vôlei, seja ela de clubes ou de seleções. É bom ressaltar, que o ano de 2021, foi o ano de Olimpíada.

FEMININO

A lista das melhores jogadoras do feminino em 2021, conta com três atletas brasileiras. A melhor colocada é a central Carol Gattaz, atleta do Minas, 5ª colocada. Aos 40 anos, Gattaz disputou sua primeira Olimpíada, com grande rendimento, obtendo a medalha de prata como resultado. Além dela, a ponteira Gabi e a levantadora Macris, também vice-campeãs olímpicas, são outras brasileiras relacionadas. Gabi aparece em 7º lugar e Macris na décima posição.

A MELHOR

A melhor jogadora do ano de 2021, escolhida pela FIVB, foi a ponteira Kim da Coreia do Sul. Não é novidade para ninguém que acompanha o vôlei feminino, que a ponteira coreana Kim carrega a sua seleção nas costas. Sempre com performance acima média, Kim anunciou a aposentadoria da seleção, no ano passado. Graças a ela, a Coreia chegou a disputa do bronze, em Tóquio, mas acabou derrotada pela Sérvia, por 3×0. Kim encerrou sua trajetória por sua seleção, sem uma medalha olímpica.

Kim anunciou aposentadoria da seleção coreana, após os Jogos Olímpicos de Tóquio/Divulgação FIVB

LISTA FINAL DA FIVB

1- Kim da Coreia do Sul

2-Wong Orantes dos Estados Unidos

3- Egonu da Itália

4- Boskovic da Sérvia

5- Carol Gattaz do Brasil

6- Larson dos Estados Unidos

7- Gabi do Brasil

8- Fedorosvtseva da Rússia

9- Poulter dos Estados Unidos

10- Macris do Brasil

11- Erdem da Turquia

12- Haak da Suécia

MASCULINO

A lista dos melhores jogadores do masculino em 2021, conta com dois atletas brasileiros. O melhor posicionado é o ponteiro Lucarelli. Ele aparece em 9º lugar. O outro atleta brasileiro, entre os melhores, é o levantador Bruninho, em 12º lugar. Mesmo após o decepcionante 4º lugar, na Olimpíada de Tóquio, Lucarelli e Bruninho foram um dos líderes da conquista brasileira da VNL 2021, na bolha de Rimini.

O MELHOR

O melhor jogador do ano de 2021, eleito pela FIVB, foi o levantador Brizard da seleção francesa. Durante a conquista do ouro olímpico, em Tóquio, Brizard barrou o experiente levantador Toniutti. Desde então, ganhou a posição. Ao lado de Ngapeth, liderou a França diante do Comitê Olímpico Russo, na última final olímpica. Agora sob o comando de Bernardinho, atual técnico da França, Brizard e companhia prometem mais títulos.

Antoine Brizard, lors de la victoire de la France contre la Tunisie. (J. Crosnier/KMSP / AFP)
O levantador Brizard no serviço, um dos seus mais fortes fundamentos/France Press/Lequipe

LISTA FINAL DA FIVB

1-Brizard da França

2- De Cecco da Argentina

3- Ngapeth da França

4- Patry da França

5- Grebbenikov da França

6- Mikhaylov da Rússia

7- Michieletto da Itália

8- Iakovlev da Rússia

9- Lucarelli do Brasil

10- Chinenyeze da França

11- Ishikawa do Japão

12- Bruninho do Brasil

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Na virada do ano, a FIVB atualizou o ranking de seleções nos dois naipes. Desde 2020, o ranking mudou. Agora, cada resultado de partidas de torneios internacionais contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições. É bom ressaltar a importância da ranking no voleibol. É por ele que as chaves das Olimpíadas e Mundiais são divididas. E mais, é por ele que serão definidos os grupos de Pré-Olímpicos para os Jogos de Paris 2024.

MASCULINO

Com mais uma conquista do Sul-Americano, o Brasil conseguiu manter a liderança do ranking, com 399 pontos. O Brasil é líder do ranking da FIVB há quase 20 anos. No geral, também não houve alteração nas posições das outras seleções, mas sim na pontuação. Na sequência do Brasil estão a Polônia em 2º, a Rússia em 3º, a França em 4º e a Itália em 5º.

O Brasil manteve a hegemonia no Sul-Americano e a liderança no ranking da FIVB/Inovafoto/Divulgação CBV

FEMININO

No feminino, os Estados Unidos também conseguiram manter a liderança no ranking, mesmo com o revés no Campeonato Continental da Norceca. A seleção norte-americana está com 379 pontos no ranking, 13 à frente do Brasil, vice-líder. Em 3º lugar, aparece a China, com 350 pontos. Na sequência, em 4º lugar, a seleção da Turquia, com 331 pontos. Fechando o top 5, a seleção da Sérvia, a atual campeã mundial, com 306 pontos.

A seleção norte-americana é a atual campeã olímpica/Divulgação FIVB

RETROSPECTIVA 2021

Em 2021, mesmo com a pandemia em curso, seja na temporada de clubes ou na temporada internacional, o voleibol teve um ano movimentado. Além da retomada do calendário tradicional, 2021 foi ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio. E como o fim de ano é propício, é chegado o momento de rever o que aconteceu de importante nas competições em 2021.

COPA DO BRASIL

Devido ao COVID-19, em fevereiro de 2021, as finais da Copa do Brasil foram realizadas no Centro de Desenvolvimento do Vôlei (CDV), em Saquarema. Na versão masculina, o campeão da vez foi o Sada/Cruzeiro. Na final bateu o extinto Funvic/Taubaté, por 3×2. Foi o sexto título cruzeirense na história da competição. Já no feminino, o Minas conquistou o bicampeonato consecutivo da Copa do Brasil, após derrotar o Praia, nas finais, por 3×2.

SUPERLIGA 2020/2021

Também devido ao COVID-19, as finais da Superliga 2020/2021 foram disputadas em Saquarema, no CDV, nos dois naipes. Assim como na última edição com campeões, na temporada 2018/2019, Minas e Taubaté venceram a competição, no feminino e masculino, respectivamente. Entre as mulheres, na decisão do título, o Minas bateu o Praia. Foi o terceiro título do Minas na história da Superliga Feminina. Entre os homens, na decisão do título, o Taubaté superou o Minas. Foi o segundo título de Taubaté na história da Superliga Masculina.

LIGA DAS NAÇÕES 2021

Disputada em uma bolha, em Rimini na Itália, também devido ao COVID-19, a Liga das Nações serviu de preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Pela 1ª vez, a seleção brasileira masculina conquistou a competição. Na grande final, bateu a Polônia por 3×1. Na versão feminina, o Brasil foi vice mais uma vez. Assim como em 2019, foi derrotado pelos Estados Unidos, que conquistou o terceiro título consecutivo da competição.

O Brasil conquistou a Liga das Nações 2021/Divulgação FIVB

OLIMPÍADA DE TÓQUIO 2020

Depois de muitas incertezas e até um certo suspense, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram realizados, em meio a pandemia, infelizmente, sem público. Ao contrário da Liga das Nações 2021, a seleção brasileira feminina obteve melhor desempenho que a seleção brasileira masculina. De forma surpreendente, chegou na final dos Jogos, conquistando a medalha de prata, após derrota para os Estados Unidos, por 3×0. Já na versão masculina, os brasileiros encerraram a competição, em um decepcionante 4º lugar, após derrota para os argentinos por 3×2, na disputa da medalha de bronze.

O Brasil foi prata em Tóquio no vôlei feminino/Divulgação FIVB

CAMPEONATO SUL-AMERICANO

Após o fim dos Jogos de Tóquio, seguindo o calendário do próximo ciclo olímpico, foi disputado o Campeonato Sul-Americano, nas categorias feminina e masculina. Entre os homens, a disputa aconteceu em Brasília, capital federal. O Brasil manteve a hegemonia na competição, conquistando mais um título e a classificação para o Campeonato Mundial 2022. Entre as mulheres, o Brasil também foi campeão sul-americano, conquistando classificação para o Mundial de 2022, mesmo após derrota para a Colômbia, por 3×1.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Encerrado os Jogos Olímpicos de Tóquio, a temporada nacional de clubes foi aberta com a disputa dos Campeonatos Estaduais. Entre as mulheres, na competição mais disputada, o Osasco venceu o paulista superando o Barueri nas finais. Em Minas Gerais, deu Praia, após anos de domínio do Minas. No Rio de Janeiro, o Fluminense até ameaçou fazer frente ao Flamengo de Bernardinho. Mas no fim, deu a lógica, com mais um título para o rubro-negro. Entre os homens, na disputa do Paulista, o Vôlei Renata/Campinas conquistou o bicampeonato. Em Minas, em mais uma final entre Cruzeiro e Minas, melhor para o time celeste, em sua 12ª conquista consecutiva.

SUPERCOPA

Na abertura da temporada da Superliga 2021/2022, pela Supercopa, o Praia conquistou o segundo título do ano, mais uma vez batendo o Minas, no naipe feminino. Já no naipe masculino, o Cruzeiro bateu o Funvic/Natal, também em sua segunda conquista na temporada 2021/2022.

SUL-AMERICANO DE CLUBES

A versão masculina do Sul-Americano, prevista para ocorrer em Belo Horizonte, na Arena Minas, foi cancelada. Já a versão feminina, aconteceu em Brasília, com a participação de 5 equipes. Em mais um duelo pelos títulos da temporada 2021/2022, o Praia bateu o Minas, no ginásio Taquatinga, na capital federal, por 3×2. Foi o primeiro título do Praia na história da competição.

MUNDIAL DE CLUBES

Neste último mês de Dezembro, foi disputado na cidade de Betim, Minas Gerais, o Mundial de Clubes 2021. Depois de um hiato de 2 anos, devido a pandemia, a competição voltou com tudo. Jogando em casa, o Cruzeiro foi tetracampeão mundial, desbancando dois poderosos times italianos. Já na versão feminina, disputada em Ancara, na Turquia, os representantes brasileiros na competição, Minas e Praia, ficaram fora do pódio. O título foi conquistado pelo Vakifbank da Turquia, clube onde joga a ponteira vice-campeã olímpica em Tóquio, Gabi.

O BALANÇO DO MUNDIAL DE CLUBES 2021

No fim de semana passado, foi encerrado o Mundial de Clubes 2021. Nas duas versões, masculina e feminina, foram testadas novas regras para diminuir o prolongamento das partidas. Medidas como: apenas um tempo técnico, uma parada por equipe, além de mudanças estéticas no banco de reservas, deram as caras no Mundial de Clubes 2021.

Porém, o destaque mesmo, foi um relógio de 15 segundos, para os jogadores realizarem o serviço. Esse tempo foi contado após a definição do ponto e a execução do fundamento. Além de otimizar o tempo do jogo, essa medida tem potencial para mudar as estratégias das equipes no serviço. Teve jogo do Mundial de Clubes masculino, que foi encerrado em erro no fundamento, justamente por causa da nova regra.

Fato é que, o retardamento das partidas caiu, e os jogos do Mundial ganharam em fluidez. As chances dessas medidas serem aprovadas no Congresso Técnico da FIVB são altas. Além de mudarem o jogo, principalmente no naipe masculino, devido à potência do serviço, as novas regras vão na direção correta de tornar o produto voleibol mais atrativo para fãs e patrocinadores.

Competição

O Sada/Cruzeiro conquistou o tetracampeonato mundial/Divulgação FIVB

No que tange à competição, o Mundial de Clubes masculino surpreendeu muita gente, com a conquista do tetracampeonato do Sada/Cruzeiro. Com o ex-ponteiro Filipe no banco e o ponteiro cubano López na quadra, o Cruzeiro desbancou dois poderosos times italianos: Trentino e Civitanova. Jogando em casa, com autoridade, o Cruzeiro calou o mundo do vôlei que não acreditava em uma nova conquista.

Já no naipe feminino, deu a lógica. Apesar disso, não dá para não destacar a diferença de elenco entre os times nacionais e o times europeus. O fator de desequilíbrio é a moeda. Com maior poder de investimento, os times europeus são verdadeiras seleções nacionais. Fica difícil para o nosso voleibol competir com eles nessas condições.

Não por acaso, as conquistas brasileiras no Mundial de Clubes feminino, aconteceram quando os times do país, contavam com uma seleção nacional no elenco. Quem não se recorda dos títulos da Sadia, do Leites, e mais recentemente do Osasco? Eram verdadeiras seleções nacionais! Enquanto essa realidade não mudar, o título mundial de clubes ficará distante do Brasil.

PRÊMIO BRASIL OLÍMPICO 2021

Aconteceu, ontem, no Rio de Janeiro, o Prêmio Brasil Olímpico 2021. Após dois anos da última edição, a premiação consagrou os melhores atletas do ano no Brasil, em cada modalidade. No caso específico do vôlei de quadra, a ponteira Fernanda Garay foi escolhida a melhor atleta do esporte em 2021.

Além de vencer nessa categoria, Fernanda Garay concorreu ao prêmio “Atleta da Galera”. A jogadora campeã olímpica em Londres e medalha de prata em Tóquio, disputou com outros atletas de outras modalidades. Em votação exclusiva realizada pelo COB na internet, Fernanda Garay também levou esse prêmio.

A ponteira Fernanda Garay/Divulgação COB

A LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE

Criada em 2006, a Lei de Incentivo ao Esporte foi formulada nos moldes do incentivo nas artes no Brasil, através da Lei Rouanet. Funciona como renúncia fiscal de impostos. No entanto, após 15 anos de promulgação, atualmente, é possível notar algumas distorções no seu funcionamento, principalmente, na modalidade de interesse do blog: o voleibol.

PROJETOS X CLUBE SOCIAL

Até o período anterior ao da Lei de Incentivo ao Esporte, os projetos de patrocínio de equipes de voleibol dominavam o cenário. Tais projetos englobavam toda a estrutura da equipe, incluindo o investimento na base e no social. Com a chegada da Lei, ficou mais atraente para as empresas realizarem patrocínios pontuais, via dedução fiscal, nos clubes sociais, como no caso do Minas Tênis e Praia Clube.

CONSEQUÊNCIAS

As consequências para a modalidade, no caso da Superliga, foi uma inversão de forças competitivas. Na prática, a Lei alterou o panorama da competição por decreto. Ao invés de torcemos para equipes patrocinadas por multinacionais, como no exemplo da Nestlé e Unilever, passamos a torcer para clubes de futebol.

É óbvio que o objetivo inicial da Lei era o fomento do esporte, mas para as empresas ficou mais fácil, barato e interessante se associar ao clubes esportivos. Fora isso, ainda há relação da Lei com o Estado. No caso, prefeituras e estados, gerando mais distorções. Além disso, a Lei restringiu o acesso aos seus recursos.

DISTORÇÕES

Um exemplo claro de algumas distorções da Lei de Incentivo ao Esporte foi o Campeonato Sul-Americano feminino 2018. Naquele ano, o Minas foi sede da competição, sendo campeão dentro de casa, contra o Sesc de Bernardinho. O time carioca era o atual campeão nacional, tendo a vaga na competição garantida como campeão da Superliga da temporada anterior.

Mas onde está a distorção? O Minas sediou o evento através da Lei de Incentivo ao Esporte. Ou seja, recursos públicos foram utilizados, por meio de dedução fiscal, para o Minas garantir classificação em uma competição na qual ele não poderia participar. Tal fato se repetiu nos últimos anos, em outros casos, mais recentemente, no Sul-Americano 2021, no caso do Brasília Vôlei, sede da competição, no mês passado.

FUTEBOL

Um exemplo de como a Lei dificultou a montagem de projetos no formato anterior, é a proliferação de clubes de futebol na Superliga. Um dos casos mais evidentes, é a parceria de Bernardinho com o Flamengo. De acordo com informações ventiladas na imprensa, a pandemia e a facilidade de acesso aos recursos da Lei de Incentivo, foram fundamentais para selar o acordo.

FUTURO

Assim como houveram questionamos sobre a Lei Rouanet, nas últimas eleições no Brasil, está claro que a Lei de Incentivo ao Esporte também necessita de aprimoramentos. Caso contrário, continuaremos a acompanhar distorções esportivas e favorecimentos no esporte olímpico, dentro e fora das quadras.

A INFLUÊNCIA DE BERNARDINHO NO VÔLEI FEMININO MODERNO

O técnico Bernardinho, atual técnico da França, no naipe masculino/Divulgação FIVB

Multicampeão com a seleção brasileira masculina, Bernardinho trilhou o caminho das vitórias no vôlei feminino. Antes de comandar as brasileiras na década de 1990, ele ainda foi vice-campeão olímpico e mundial como atleta do Brasil. Convidado pela ex-jogadora brasileira Dulce Thompson para assumir um clube na Itália, ele desbravou o vôlei italiano feminino em seu começo.

Alguns anos depois, Bernardinho virou técnico da seleção brasileira feminina. Seu legado na formação do time, perdura até os dias de hoje. Não por acaso, Bernardinho nunca deixou o vôlei feminino de lado. Vários elementos técnicos e táticos de suas equipes são identificados no voleibol feminino atual. Confira alguns desses pontos.

VELHO X NOVO

Quando Bernardinho assumiu o comando técnico da seleção brasileira feminina, o voleibol praticado internacionalmente pelas mulheres era arcaico, principalmente, em relação ao naipe masculino. O porte físico e a força das atletas eram os fatores de desequilíbrio do jogo, a favor de Cuba e Rússia. O desafio de Bernardinho era introduzir um novo sistema tático, baseado na velocidade e na variação. Para isto, ele necessitava de material humano. Com uma geração talentosa nas mãos, campeã mundial juvenil em 1987, ele conseguiu implantar a sua filosofia de jogo.

SISTEMAS TÁTICOS

Para além das rivalidades, o voleibol praticado na década de 1990, entre seleções, possuía sistemas táticos diferentes. Enquanto Cuba jogava em 4×2, o Brasil de Bernardinho entrava em quadra no sistema 5×1, com oposta no passe e também como opção de ataque. Não havia líberos, as centrais também faziam o fundo de quadra. China e Rússia também possuíam sistemas táticos diferentes. O sistema tático adotado pelos Estados Unidos era o que mais se aproximava do Brasil.

Portanto, para além das brigas e provocações entre brasileiras e cubanas, também existia uma disputa tática pelo sistema de jogo. Quase trinta anos depois, com a evolução da modalidade, percebe-se que Bernardinho pode não ter levado o ouro para casa em Atlanta 1996, mas sua filosofia venceu. Atualmente, no vôlei feminino de alto nível, é inconcebível jogar sem oposta ou em outro sistema que não seja o 5×1 adotado pelo Brasil nos anos de 1990.

VELOCIDADE X FORÇA

Para competir com a força física cubana, Bernardinho apostou na velocidade e na variação de jogadas. Provavelmente, sem Fernanda Venturini ou Fofão como levantadoras, isso não seria possível. Além disso, o sistema defensivo foi o grande salto de qualidade dessa geração. Até então, as brasileiras tinham muitas dificuldades no bloqueio. Com direito a treinamento com homens, foi pelo bloqueio que o Brasil quase desbancou Cuba em Atlanta.

LEGADO

Atualmente, o voleibol praticado em alto nível alia força e velocidade. Entre as mulheres, é nítido o padrão de jogo introduzido por Bernardinho na seleção feminina. Ao combinar velocidade com variação, sua filosofia demonstrou que nem sempre a força é suficiente. Mais do que isso, o Brasil dos anos de 1990 conseguiu captar o espírito do nosso tempo. Com sua filosofia de jogo, Bernardinho mostrou que a disputa não acontece mais entre o mais forte e o mais fraco. Na verdade, entre o mais rápido e o mais lento ou ainda entre o mais leve e o mais pesado.

Bernardinho na época do comando da seleção masculina/Divulgação FIVB

A EVOLUÇÃO TÉCNICA E TÁTICA NA OLIMPÍADA

Nos últimos tempos, muito tem sido falado sobre o esgotamento da evolução do jogo no voleibol. No entanto, ao contrário do que se imaginava, nos último dois ciclos olímpicos, a modalidade apresentou novidades técnicas e táticas. Todas elas poderão ser vistas agora nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Como se sabe, o voleibol moderno é caracterizado por força e velocidade. Essa é a tônica do jogo desde a mudança da bola nos Jogos de Pequim 2008. Porém, aliado à força e velocidade, estão sendo introduzidos no jogo variações técnicas e outras importantes tendências táticas.

Falando tecnicamente, algumas mudanças já são visíveis. Por exemplo, desde o último Congresso Técnico da FIVB, já é permitido pela regra, largar no ataque, quase como um empurrão na bola, em uma ação quase conduzida da bola. Obviamente, isso foi muito questionado entre os especialistas. Para os puristas, uma clara violação da regra. Na hora do jogo, segundo a FIVB, a interpretação desse lance fica a critério da arbitragem.

Outra mudança importante, que abrange técnica e tática, foi vista nos últimos tempos, no naipe masculino: o saque híbrido. Misto de saque viagem, com saque flutuante, esse serviço é uma grande evolução da modalidade por quebrar a dicotomia entre força e velocidade. Mas atenção, ele em nada se parece com o serviço flutuante. Neste tipo de saque, o jogador se lança em uma ação de viagem, e ao tocar na bola, ela perde velocidade e morre na frente do passador.

A levantadora Macris/Divulgação

Outra mudança técnica, dessa vez no naipe feminino, que alguns anos atrás, poderia ser considerada uma aberração, é a segunda bola de toque. Tendência lançada pela levantadora brasileira Macris, atualmente, já é uma realidade entre todas as levantadoras do mundo. Detalhe: essa ação de segunda bola de toque é realizada sem salto, com os pés apoiados no chão.

Falando taticamente, em mais uma inovação brasileira, no naipe masculino, o técnico Renan Dal Zotto tem recomendado aos seus jogadores, trabalhar os lances de contra-ataques, ao invés de matar o ponto no xeque-mate, em chances geradas pelo serviço. Algo questionável, já que o Brasil é a única seleção no mundo no naipe masculino, que aparentemente prefere trabalhar o ponto ao invés de matar no xeque.

Ainda sobre essa questão, seguindo essa linha, existe outra tendência lançada pelo voleibol masculino europeu, de matar o ponto, na segunda bola, em ações geradas de forma gratuita pelos adversários. Um dos países que melhor executam essa bola, é a seleção da França, tamanha habilidade de seus jogadores.

O ponteiro francês Ngapeth, um dos jogadores mais habilidosos do mundo/Divulgação

Outras táticas escondidas pelos treinadores, poderão ser vistas, no naipe feminino, durante os Jogos de Tóquio. No caso brasileiro, uma dessas tendências de aposta do técnico José Roberto Guimarães é a troca de posição entre oposta e ponteira na rede, com inversão. Neste caso, o coringa do treinador brasileiro seria Rosamaria. Essa tática foi muito adotada por ele, durante o ciclo olímpico, principalmente, no título do Grand Prix 2017.

Rosamaria, o coringa de José Roberto/Divulgação

Outra variação tática, que deverá ser utilizada por muitas seleções, é o ataque pelo fundo da oposta na posição 1, com finta na rede da central. Essa jogada é tendência atual do jogo. No caso asiático, a bola entre o meio e a ponta, com velocidade, deve ser muito utilizada pelas ponteiras Zhu da China e Kim da Coreia do Sul.

A ponteira chinesa Zhu, atacando a bola entre o meio e a ponta/Divulgação

Além disso, outras tendências táticas do jogo, no naipe feminino, foram resgatadas ao longo do tempo. Por exemplo, atualmente, no caso norte-americano, por contar com uma oposta canhota, aquela antiga movimentação dessa posição, quando ela está invertida na rede, foi adaptada para os dias de hoje. No caso, a oposta Drews percorre toda a quadra, para atacar na saída de rede, quando está na posição 4.

Esteticamente estranha, essa movimentação pode ser o tendão de Aquiles americano nos Jogos de Tóquio. Isso porque, quando acontecia antigamente, a oposta tinha função de passe, e normalmente atacava pelo meio, quando estava na posição 4. Algumas variações ocorriam quando se tratava de uma jogadora canhota, mas a ação era bem melhor executada antes do que hoje no caso norte-americano.

A oposta norte-americana Drews, ao centro/Divulgação

Bem, isso pode parecer estranho, mas já vem sendo adotado pelo vôlei europeu feminino de clubes, na última temporada, até mesmo com opostas destras, como no caso turco, com a jovem jogadora Karakurt. Tudo para tentar não encalhar a rede e conter os danos, quando a oposta está na posição 4. Algo impensável para o naipe masculino.

Para encerrar, outra “velha” nova novidade, é o resgate do ataque de fundo pela posição 5, nos dois naipes. Talvez, mais uma solução encontrada para o desencalhe da rede, quando o oposto está na posição de entrada. Porém, também muito usual, para rodar a rede, aproveitando o potencial de ponteiros, com alto percentual de ataque, na bola pipe, pela posição 5.