OS JOGOS OLÍMPICOS DE TÓQUIO

Dentro de mais ou menos uma semana começam os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Após ser adiado no ano passado, devido à pandemia do coronavírus, o maior evento esportivo do mundo está confirmado pelo COI. Sem público, com muitas regras restritivas, até mesmo no cerimonial das medalhas. Tudo para preservar a saúde dos atletas e conter os danos da pandemia. Segundo o COI, 85% dos atletas dos Jogos foram vacinados.

Falando especificamente das modalidades, no caso do blog, o vôlei de quadra, no naipe feminino, as esperanças do Brasil são menores do que no naipe masculino. Após o vice-campeonato na Liga das Nações 2021, a seleção brasileira feminina chega com alguma moral ao Jogos, depois da boa campanha na competição, porém ainda abaixo das favoritas ao pódio olímpico: China, Sérvia, Itália e EUA. Outras seleções correm por fora, ao lado do Brasil. São elas: Japão, Turquia, Rússia, Coreia do Sul.

Apesar de não ficar entre os três primeiros colocados da VNL 2021, China, Itália e Sérvia não perderam a condição de favoritismo ao pódio em Tóquio, já que não priorizaram a competição. No caso chinês, é bom salientar que desde o começo da pandemia em 2020, as chinesas estão treinando exclusivamente para a Olimpíada, com alguma exceção para a temporada de clubes passada. Portanto, não está descartado, a China levar a medalha de ouro, atropelando todos os adversários, com o pé nas costas, assim como o Brasil em Pequim 2008.

Já a situação italiana é diferente. Na história das Olimpíadas, no naipe feminino, a Itália nunca subiu ao pódio. Mesmo quando foi campeã mundial, em 2002, a Itália não conseguiu uma medalha naquele ciclo, em Atenas 2004, sendo eliminada nas quartas-de-final. As italianas nunca passaram dessa fase dos Jogos. Atual vice-campeã mundial em 2018, esta é a grande chance da Itália conquistar uma medalha olímpica no naipe feminino, quem sabe até o ouro.

No entanto, a tarefa não será nada fácil. Pra começar, a Itália caiu no grupo da morte nos Jogos de Tóquio. As italianas estão na chave B, ao lado da China, atual campeã olímpica, Estados Unidos, atual tricampeão da VNL. Completam o grupo: o Time Russo (Rússia) sempre candidato a medalha nas Olimpíadas, a Turquia, maior investidora do vôlei de clubes na atualidade, e a Argentina. Como se vê, não será nada tranquilo o caminho italiano nos Jogos de Tóquio.

Masculino

Em comparação com o feminino, o Brasil tem mais chances de medalha nos Jogos de Tóquio, no voleibol, no naipe masculino. Após a conquista do primeiro título da VNL, em 2021, os brasileiros chegam com força na Olimpíada. Antes da pandemia, o Brasil já demonstrava o seu favoritismo na conquista da Copa do Mundo 2019, mesmo sem o oposto Wallace.

É verdade que o reforço do ponteiro cubano naturalizado brasileiro Leal, no último ciclo, foi preponderante para consolidar o favoritismo do Brasil. Porém, não podemos esquecer da campanha do Mundial 2018, em que o Brasil foi vice-campeão, sem Lucarelli e Leal, mostrando a força do seu elenco. Apesar disso, os brasileiros não estão sozinhos na luta pelo ouro em Tóquio. Também dividem o favoritismo ao pódio olímpico com: Polônia, Time Russo (Rússia), França, Estados Unidos e Itália.

O caminho do Brasil em Tóquio será difícil. Os brasileiros caíram no grupo da morte. Estão na chave B, ao lado da França, Time Russo, Estados Unidos, Argentina e Tunísia. Para a seleção brasileira, é importante avançar de fase na liderança do grupo B, para evitar um cruzamento mais complicado, nas quartas-de-final, fugindo de Itália ou Polônia.

Falando nos poloneses, atuais bicampeões mundiais, desde a conquista da medalha de ouro, em Montreal 1976, a Polônia não consegue passar das quartas-de-final dos Jogos Olímpicos. Nas últimas quatro edições, foram quatro eliminações, nesta fase, para Brasil, em Atenas 2004, Itália, em Pequim 2008, Rússia, em Londres 2012, e Estados Unidos, na Rio 2016.

Quebrar essa sina não será fácil. Desde Atenas, apenas em Londres, os quatro primeiros dos Jogos, no voleibol masculino, não foram Brasil, Itália, EUA e Rússia. Na única vez em que o G4 das Olimpíadas não foi esse, isso ocorreu porque houve um confronto nas quartas-de-final, entre eles. No caso, a Itália eliminou os Estados Unidos, por 3×0, nas quartas-de-final.

O blog aposta que as chances de se repetir um confronto entre favoritos nas quartas-de-final do voleibol, no naipe masculino, em Tóquio, são altas. Portanto, será muito importante avançar de fase em 1º lugar dos respectivos grupos, para não ficar a mercê do sorteio de confrontos no mata-mata da disputa. No entanto, isso não quer dizer que a Polônia conseguirá quebrar essa sina, já que poderá ter pela frente os seus fantasmas de sempre.

O TAPETÃO NOS JOGOS DE BARCELONA 1992

O time norte-americano de vôlei masculino, nos Jogos de Barcelona 1992/UsaVolleyball

Quem acredita que não há tapetão nos Jogos Olímpicos precisa rever os seus conceitos! Na história olímpica, são vários os exemplos de controvérsia, a maioria por doping. Em alguns casos, a origem dos fatos é diferente. Quem não se recorda do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima sendo obstruído por um transeunte, em plena corrida pelo ouro, em Atenas 2004? Pois então, o vôlei olímpico também possui polêmicas registradas em sua história. Uma delas, vamos relembrar a seguir.

Foi em Barcelona 1992, logo no jogo de abertura do grupo A daqueles Jogos, no naipe masculino. A partida em questão envolvia o Japão e os Estados Unidos. Os japoneses venciam a partida por 2×1 e tinham o match point, com 14/13 no placar. Foi quando o jogador norte-americano Bob Samuelson recebeu o segundo cartão amarelo por atitude antidesportiva. Pela regra, a infração daria um ponto técnico para o Japão e o jogador deveria ser expulso do jogo. Com isso, os japoneses fechariam o confronto em 3×1, sendo vitoriosos no duelo.

No entanto, o árbitro Rammis Samedov do Azerbaijão optou por não expulsar o jogador norte-americano da partida. O jogo foi continuado, sob objeção do segundo árbitro brasileiro Laert Francisco de Souza. Deu-se a confusão. Os Estados Unidos conseguiram virar o duelo, com vitórias no 4º set e tie-break. O técnico japonês Seiji Oko protestou contra a derrota para um júri da Federação Internacional de Vôlei.

24 horas depois, a vitória norte-americana na estreia dos Jogos de Barcelona, virou derrota. Após uma reunião de cinco horas, o Comitê de Controle da FIVB, composto por 24 membros, decidiu por acatar o protesto dos japoneses, concedendo a vitória por 3×1, para o Japão. O presidente da FIVB na época, o mexicano Ruben Acosta disse ao Los Angeles Times sentir pela decisão, mas segundo ele, era o justo. Ele disse que o Comitê de Controle cumpria regras.

A seleção norte-americana, em protesto pela decisão da FIVB, resolveu raspar o cabelo de todos os jogadores para demonstrar descontentamento com a decisão. Tal fato ocorreu, porque o jogador norte-americano envolvido na polêmica, no caso Bob Samuelson, sofria de alopecia. A atitude serviu para unir a delegação de vôlei dos Estados Unidos.

Fato é que, os Estados Unidos estavam em busca do seu tricampeonato olímpico consecutivo. A mudança no resultado acabou por jogar o Brasil no caminho dos americanos nas semifinais. Além disso, foi crucial para a classificação do Japão na primeira fase, deixando França e Espanha de fora das quartas-de-final. O final disso, todos no Brasil já conhecem! O time de José Roberto Guimarães foi medalha de ouro, contra a Holanda na final, e os Estados Unidos ficaram com o bronze. No link abaixo, você acessa a reportagem da época do Los Angeles Times acerca da polêmica.

https://www.latimes.com/archives/la-xpm-1992-07-28-mn-4573-story.html

Fonte: Olympedia

OS AMISTOSOS ENTRE ITÁLIA E SÉRVIA

A ponteira Milenkovic no ataque/Divulgação

Na semana que passou, mais exatamente, nos dias 5, 7 e 9 de Julho, Itália e Sérvia, atual vice-campeã e campeã mundial, entraram em quadra, para três amistosos, em Belgrado, na Sérvia. Os confrontos entre as duas seleções foram importantes porque nenhuma delas jogou a Liga das Nações feminina 2021 com suas equipes principais. Ao que parece, os duelos serviram para dar ritmo de jogo aos dois times.

No entanto, pelo que foi apresentado nos três amistosos, os técnicos de Itália e Sérvia devem ficar preocupados. Nos três jogos, os números de erros foram demasiadamente altos, o que deixa claro a falta de ritmo. As duas seleções também demonstraram dificuldades na linha de passe. Para completar, a capitã italiana, a ponteira Sylla sofreu um entorse no tornozelo, na terceira partida.

Outro ponto em questão, foi a dependência de italianas e sérvias, de suas opostas, Egonu e Boskovic, respectivamente. De fato, isto não é de todo mal, neste momento, já que se trata de duas das melhoras jogadoras do mundo na atualidade. Resumindo, para quem viu os amistosos, ficou a sensação de que Itália e Sérvia podem muito mais ou estão escondendo o jogo para a Olimpíada.

Sobre o fato notório da falta de ritmo, das duas seleções, é preciso dar um voto de confiança ao técnico da Sérvia, Zoran Terzic. Não que seja esse o motivo, mas nos ciclos olímpicos de Pequim 2008 e Londres 2012, a Sérvia foi muito prejudicada por uma série de lesões, devido a temporada desgastante, que desfalcou o time, comprometendo o desempenho olímpico. Portanto, nada mais justo, do que ele poupar suas jogadoras, visando o que ele acredita ser mais importante.

Amistosos

5 de Julho – Sérvia 3×2 Itália 29/27, 25/19, 22/25, 21/25, 15/12

Maior pontuadora – Egonu com 26 pontos

7 de Julho – Sérvia 3×2 Itália 19/25, 30/28, 17/25, 29/27, 15/9

Maior pontuadora – Boskovic com 32 pontos

9 de Julho – Sérvia 3×2 Itália 25/18, 23/25, 24/26, 25/22, 16/14

Maior pontuadora – Egonu com 31 pontos

A seleção da Sérvia, em comemoração de ponto/Divulgação

A ENTREVISTA DE JULIO VELASCO AO BOLA DA VEZ

No último sábado, 3 de Julho, o consagrado técnico argentino Julio Velasco foi o convidado do programa Bola da Vez da ESPN Brasil. Um dos responsáveis pelo crescimento do vôlei feminino italiano, no fim dos anos de 1990, além de comandante da geração mais vitoriosa do vôlei masculino italiano, Velasco hoje é coordenador do trabalho de base da FIPAV – Federação Italiana de Vôlei.

Ao abordar o trabalho técnico na entrevista, Velasco disse que um bom treinador deve saber ensinar. Ele também enfatizou que treinar não é uma ciência, mas uma arte. Segundo Velasco, um bom treinador apresenta uma forma de jogo, que tenha a sua marca. Ele também apontou a importância de criar na cabeça de seus jogadores uma mentalidade de vencedor.

Ao ser questionado sobre as derrotas épicas do time italiano masculino, nos Jogos de Barcelona 1992 e Atlanta 1996, para a Holanda, Júlio Velasco disse que a pressão externa e financeira exercida sobre os seu jogadores, foi crucial para o revés em Barcelona. Ele disse que a seleção italiana chegou a ser comparada ao Dream Team de basquete norte-americano. Sobre Atlanta 96, ele acredita que poderia ter realizado algumas mudanças na decisão da medalha de ouro.

Júlio Velasco também foi inquirido sobre a comparação entre a vitoriosa geração italiana dos anos de 1990 e a geração brasileira vitoriosa dos anos 2000. Para ele, é uma comparação difícil. Velasco afirmou que o Brasil dos anos 2000 era criativo e veloz. Além disso, ele apontou a diferença do jogo nas duas épocas. O serviço foi um dos diferenciais citado como exemplo.

Ao ser perguntado sobre qual foi o melhor e maior atleta que dirigiu, Velasco não titubeou em citar o ponteiro italiano Bernardi. Ao ser perguntado sobre qual atleta gostaria de ter treinado, ele citou o norte-americano Karch Kiraly, atual técnico dos Estados Unidos, no naipe feminino, campeão olímpico na quadra e na areia, como jogador. Sobre um atleta difícil, Velasco apontou o levantador brasileiro Ricardinho, campeão olímpico em Atenas 2004.

Para encerrar a entrevista, Velasco foi questionado sobre uma punição dada pela FIVB a ele no Mundial de 2018. O técnico mandou uma banana para a arbitragem após a vitória da Argentina sobre a Polônia, no tie-break. Segundo explicou, a punição foi uma retaliação, após uma reclamação dele, para uma mudança de interpretação da regra, às vésperas do Mundial de 2018.

A LISTA OLÍMPICA DE RENAN DAL ZOTTO

Logo após a conquista da Liga das Nações masculina 2021, mais exatamente, no Domingo, 27 de Junho, o técnico Renan Dal Zotto divulgou a lista dos doze atletas que irão defender o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. São eles: os levantadores Bruninho e Cachopa, os centrais Lucão, Maurício Souza e Isac, os ponteiros Lucarelli, Leal, Maurício Borges e Douglas Souza, os opostos Wallace e Alan, e o líbero Thales.

O principais nomes preteridos foram o líbero Maique e o central Flávio. Sobre isso, chamou a atenção, a pressão nas redes sociais e na imprensa, para rodagem do elenco brasileiro durante a VNL 2021. Houveram reclamações contra a comissão técnica do Brasil. O técnico Renan não esteve presente na competição, devido ao coronavírus. Ele foi contaminado pelo vírus e se recupera para a Olimpíada. Segundo os críticos, não foi dada a mesma oportunidade para todos os jogadores.

A principal polêmica seria na posição de líbero e também na titularidade do ponteiro Douglas Souza. O problema é que, quando o Brasil já estava classificado para as finais da VNL, perdendo o último jogo da fase regular para a Rússia, por 2×0, os mesmos críticos resolveram valorizar o resultado, porque o Brasil perdeu a partida rodando o seu elenco. Haja incoerência! Bem, a história terminou com a conquista do primeiro título do Brasil na VNL, contando os dois naipes.

De fato, quem soube aproveitar bem a Liga das Nações, foi o central Isac. Ele saiu da competição como o melhor bloqueador do Brasil, além de ótimas passagens pelo serviço. Já o central Flávio, concorrente direto de Isac pela vaga olímpica, não conseguiu manter a mesma performance apresentada com a camisa da seleção brasileira, em 2019.

Para completar, na última semana, foi anunciado a possibilidade da delegação brasileira levar 14 atletas para os Jogos de Tóquio, sendo dois atletas como reserva para treinamento, em virtude da pandemia do coronavírus, em caráter excepcional. Ao contrário da seleção feminina, de acordo com o site Webvolei, Renan Dal Zotto optou em utilizar o recurso. Neste caso, também viajam para Tóquio, para os treinamentos, o central Flávio e o ponteiro Vaccari.

O central Flávio/Divulgação FIVB

A LISTA OLÍMPICA DE JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES

Logo após o fim da Liga das Nações feminina 2021, mais exatamente, no sábado, 26 de Junho, o técnico José Roberto Guimarães divulgou a lista das doze atletas que irão defender o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. São elas: as levantadoras Macris e Roberta, as centrais Carol, Bia e Carol Gattaz, as ponteiras Gabi, Natália, Fernanda Garay e Ana Cristina, a oposta Tandara, a ponta/oposta Rosamaria, e a líbero Camila Brait.

Os principais nomes preteridos foram os da oposta bicampeã olímpica Sheilla, da levantadora Dani Lins ouro em Londres e da oposta Lorenne do Flamengo. Sobre isso, chamou à atenção, o silêncio da mídia sobre o corte de Lorenne. Apesar da temporada irregular, defendendo o rubro-negro na Superliga, na temporada 2020/2021, a oposta foi uma das responsáveis pela classificação olímpica ao lado da central Mara, no Pré-Olímpico, em 2019.

Ao que parece, José Roberto Guimarães não encontrou a solução certa para encaixar Lorenne no time, sem perder a jovem Ana Cristina. Fato é que, a média de idade da seleção brasileira está alta. Não que seja esse o motivo da convocação de Ana Cristina, mas a sua ida para Tóquio ajuda a baixar a média de idade do time. Seja por isso ou por rendimento abaixo do esperado, Sheilla e Dani Lins foram corretamente cortadas.

A oposta Lorenne/Divulgação FIVB

Não é a primeira vez que um jogador ou jogadora é cortado da seleção, após um excelente desempenho no Pré-Olímpico. No naipe masculino, nos Jogos de Sydney 2000, o oposto Joel, depois de uma grande performance no qualificatório sul-americano, foi preterido da convocação pelo técnico Radamés Lattari, hoje dirigente da CBV.

Também não poderia deixar de citar, a convocação de Rosamaria. Atuando como ponteira ou oposta, ela está sendo apontada pelos especialistas e torcedores como o coringa de José Roberto. No entanto, ela deixa claro a sua preferência pela posição na saída de rede. Durante a VNL 2021, Rosamaria foi testada nas duas posições. Talvez isso, explique o corte de Lorenne e a preferência de José Roberto.

Para completar, na última semana, foi anunciado a possibilidade da delegação brasileira levar 14 atletas para os Jogos de Tóquio, sendo dois atletas como reserva para treinamento, em virtude da pandemia do coronavírus, em caráter excepcional. Ao contrário da seleção masculina, de acordo com o site Webvolei, José Roberto preferiu não utilizar o recurso.

O RANKING ATUALIZADO DA FIVB

Encerrada a Liga das Nações 2021, já é possível analisar o panorama do novo ranking da FIVB. Desde 2020, o ranking da federação mudou. Agora, cada resultado das partidas de torneios internacionais contam para o novo ranking, de acordo com o peso das competições. É bom ressaltar também, a importância do ranking na modalidade. É por ele que as chaves das Olimpíadas e do Mundial são divididas. E mais, é por ele que serão definidos os Pré-Olímpicos para os Jogos de Paris, em 2024.

No masculino, com a conquista da VNL 2021, o Brasil conseguiu manter a sua liderança no ranking, com 431 pontos. Detalhe: a seleção masculina é líder desde 2003, ou seja, são 18 anos à frente do ranking. Houveram algumas alterações, em relação à atualização anterior, ao novo formato do ranking. A Polônia subiu para a vice-liderança, com 390 pontos. A Rússia também subiu do 5º lugar para o 3º lugar. Os Estados Unidos caíram do 2º lugar para o 5º lugar.

A seleção brasileira, número 1 do ranking, há 18 anos/Divulgação FIVB

Os destaques positivos foram Eslovênia e França. Com uma ótima campanha na VNL 2021, a Eslovênia subiu para o 6º lugar. Uma das maiores escaladas com a nova metodologia. Já a França, também subiu. Com 331 pontos, está em 4º lugar no ranqueamento. Uma escalada de cinco posições, em relação ao antigo ranking. O destaque negativo ficou por conta da Itália. Disputando a VNL 2021, com um time alternativo, os italianos caíram seis posições, do 3º lugar para o 9º lugar.

No feminino, também ocorreram mudanças, mas não nas três primeiras posições. Primeiramente, os Estados Unidos consolidaram a liderança, após o tricampeonato da VNL, com 416 pontos. Mesmo disputando metade da VNL, com um time alternativo, a China manteve a vice-liderança, com 376 pontos. A diferença para o Brasil, 3º colocado, diminuiu para apenas 5 pontos. Completa o G4 do novo ranking, a Turquia, com 322 pontos.

Evidentemente, essas posições do novo ranking, podem não reproduzir o atual jogo de forças do vôlei feminino. Isso porque, Itália e Sérvia não competiram a VNL, com força máxima. Exatamente por isto, a Sérvia, atual campeã mundial, caiu para a 13ª posição do ranking. Uma grande distorção! A Itália, ao menos, conseguiu uma maior estabilidade no ranqueamento, mantendo-se entre as dez primeiras colocadas, em 9º lugar.

Fonte: FIVB

O BALANÇO DA VNL 2021

Com uma conquista brasileira, foi encerrada no último Domingo, 27 de Junho, a VNL 2021. Do ponto de vista da organização, o evento realizado na bolha de Rimini na Itália, devido à pandemia do coronavírus, foi um sucesso. Para se ter uma ideia do nível de organização da FIVB, durante o torneio, nenhum caso do vírus foi detectado. Quase um milagre! A falta de torcedores, que poderia ser um problema, foi compensada por um show de boa música do DJ residente da “bolha”. A música brasileira esteve muito presente.

Como nem tudo é perfeito, o ponto baixo foi a ausência de comprometimento das seleções com a competição. Mesmo com o aumento das premiações em dinheiro, a FIVB não conseguiu atrair alguns países para o seu principal torneio anual. Às vésperas da Olimpíada, algumas seleções preferiram rodar o seu elenco ou fazer testes com plantéis de segunda linha. No entanto, isso não apaga o valor da conquista brasileira. Foi o primeiro título do Brasil na VNL, contando os dois naipes.

Nas finais, o Brasil deu show em quadra, com vitórias convincentes contra França e Polônia. Durante a fase regular, foram duas derrotas apenas, para Rússia e França. Além disso, a boa notícia, foi a recuperação do nível de jogo do oposto Wallace. Em alto nível, mais maduro, Wallace ganhou experiência na temporada de clubes na Europa e voltou com tudo. Sua performance calou os críticos. O sucesso foi tanto, que ele foi eleito MVP da competição ao lado do polonês Kurek.

Aliás, a FIVB cometeu um grande erro neste quesito. Aparentemente, por questões políticas, Bruninho não foi eleito o melhor levantador da VNL 2021. Bola fora da federação! Além disso, a divisão de prêmios entre o oposto Wallace e o polonês Kurek, nas categorias de oposto e MVP, pareceu improviso. Foi tão inusitado, que no momento de receber a premiação, o polonês Kurek ficou visivelmente constrangido.

Como não poderia faltar, a VNL 2021 também teve suas surpresas. No masculino, a Eslovênia, atual vice-campeã europeia, realizou sua melhor campanha em um torneio da FIVB, ficando em 4º lugar. Com o resultado, subiu no ranking da FIVB. No feminino, a surpresa para muitos, foi o Japão. Sede das Olimpíadas, a seleção japonesa perdeu apenas 5 jogos, em 17 partidas. Perdeu o bronze para a Turquia. Tudo bem que muitas seleções estavam desfalcadas, mas isso não apaga o feito japonês. Olho nelas!

Já a China, rival japonesa, amargou o 5º lugar na competição. Foi a primeira vez, em três edições, que ficou de fora das finais. Ao que parece, faltou planejamento. A seleção chinesa acreditou que poderia entrar na competição quando quisesse. Somente, após 9 rodadas, trouxe a sua delegação principal, com Lang Ping e companhia. Não deu certo. A China não contava com as derrotas de seu time B para Bélgica e Canadá.

Encerrando o balanço, não poderia deixar de citar o domínio norte-americano na Liga das Nações feminina. Em 2021, os Estados Unidos conquistaram o seu terceiro título consecutivo na história da competição. Mais do que isso, para ser ter uma ideia da hegemonia estadunidense no torneio, em toda a sua história, em mais de 50 jogos, daria para contar nos dedos, o número de vezes que os Estados Unidos perdeu! Uma delas para o Brasil, em 2019.

DE VIRADA, BRASIL É CAMPEÃO DA VNL

O Brasil conquistou a Liga das Nações 2021. O título foi o primeiro da seleção brasileira na história competição. Anteriormente, em 2018 e 2019, o Brasil sequer tinha subido ao pódio do torneio. Neste ano, na decisão, disputada na bolha de Rimini na Itália, o Brasil derrotou a Polônia, de virada, por 3×1, com parciais de 22/25, 25/23, 25/16, 25/14.

O oposto Wallace foi o destaque individual da grande final da VNL 2021. Ele marcou 22 pontos. Wallace ainda dividiu o prêmio de MVP da competição com o oposto Kurek da Polônia. Eles também dividiram o prêmio de melhor oposto no time dos sonhos da VNL 2021. Em conversa com a assessoria da CBV, Wallace falou sobre a vitória do Brasil.

“Estou muito feliz. Eu sou parte de um time e fico feliz de contribuir e cumprir bem meu papel nesse grupo. É o nosso primeiro título da Liga Das Nações o que me deixa ainda mais feliz. Hoje nós sacamos muito bem e o nosso passe funcionou mesmo com o saque forte da Polônia. Essa foi a chave do sucesso. Nós também cometemos poucos erros e isso foi muito importante”.

BRASIL Bruninho, Wallace, Lucarelli, Leal, Lucão, Maurício Souza, Thales (L). Entraram: Alan, Douglas Souza, Isac, Flávio. Técnico: Carlos Schwanke

POLÔNIA Drzyzga, Kurek, Leon, Kubiak, Nowakowski, Bieniek, Zatorski (L). Entraram: Kaczamarek, Lomacz, Sliwka, Semeniuk. Técnico: Vital Heynen

A seleção brasileira no pódio/Divulgação FIVB

TIME DOS SONHOS DA LIGA DAS NAÇÕES 2021

O time dos sonhos da VNL 2021 foi composto pelo levantador polonês Drzyzga, os ponteiros Kubiak da Polônia e Leal do Brasil, os centrais Maurício Souza do Brasil e Bienik da Polônia, e o líbero brasileiro Thales. Os opostos Wallace do Brasil e Kurek da Polônia dividiram o prêmio de melhor oposto. Como destacado acima, eles também dividiram o prêmio de MVP da competição.

FRANÇA É BRONZE NA VNL 2021

A França ficou com a medalha de bronze na VNL masculina 2021. Jogando contra a Eslovênia, na bolha de Rimini na Itália, pela disputa do 3º lugar, a seleção francesa bateu a Eslovênia, por 3×0, com parciais 25/20, 25/18, 25/19. Com o resultado, a França subiu ao pódio da competição, pela segunda vez na história. Em 2018, a França foi vice-campeã do torneio, perdendo para a Rússia na decisão. Já a Eslovênia, mesmo com a derrota, obteve o seu melhor resultado na Liga das Nações masculina. O ponteiro francês Ngapeth foi o maior pontuador do jogo, com 18 pontos. Pela Eslovênia, Stern marcou 12 pontos.

O francês Patry com a medalha de bronze/Divulgação FIVB