O FIM DO JEJUM JAPONÊS

Uma das seleções mais tradicionais do voleibol feminino, o Japão ficou 28 anos sem subir no pódio das Olimpíadas. Bicampeãs olímpicas em 1964 e 1976, as japonesas ficaram de jejum do pódio olímpico de Los Angeles 1984 até Londres 2012. Esse período compreende o momento em que o Japão entrou em um limbo na modalidade. As japonesas sofreram com o aumento padrão da estatura das jogadoras, além da falta de potência ofensiva. Nem mesmo o conhecido sistema defensivo do país conseguiu frear a decadência. O ápice da crise foi a ausência do Japão no voleibol feminino nos Jogos de Sydney em 2000. De lá para cá, o Japão se recuperou após uma reformulação na estrutura da modalidade, além da chegada de algumas jogadoras mais altas, sem perder a sua essência tática. Veja abaixo, um pouco dessa história.

A seleção japonesa feminina postulada após a disputa do bronze em Londres/Divulgação

MANABE

Após os Jogos de Pequim em 2008, o ex-levantador da seleção masculina japonesa, Manabe, assumiu o comando técnico da seleção feminina do Japão. Seu trabalho revolucionou a modalidade no país. Logo de cara, ele conquistou a medalha de bronze no Mundial 2010, jogando em casa. Para se ter uma ideia do alcance do resultado, as japonesas não conquistavam uma medalha em Campeonatos Mundiais desde 1978. Naquela ocasião, as japonesas foram vice-campeãs sendo superadas por Cuba.

EXPECTATIVA OLÍMPICA

O bronze no Mundial em casa fez as japonesas sonharem com um resultado melhor nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Entretanto, a concorrência era pesada. O Japão não figurava entre os favoritos ao pódio em Londres. Porém, a performance nas partidas da Copa do Mundo 2011 e do próprio Mundial 2010 mostraram que as japonesas poderiam surpreender! Quem não se lembra daquela semifinal do Mundial 2010 entre Brasil e Japão? As brasileiras sofreram para ganhar do Japão. Talvez, por esse desempenho, o Japão levou o bronze no Mundial 2010 contra os Estados Unidos.

JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES 2012

Em Londres 2012, o Japão não caiu no grupo da morte, mas teria adversários fortes pela frente como República Dominicana, Itália e Rússia. Além de cumprir seu papel vencendo a República Dominicana, por 3×1, as japonesas foram muito elogiadas nas derrotas para Rússia e Itália, por 3×1. O desafio seria avançar para semifinais. Pela frente, a rival China. Muito bem, corroborando o desempenho na 1ª fase, o Japão foi a única seleção do grupo A dos Jogos de Londres que conseguiu conquistar classificação para semifinais! Eliminou as chinesas no tie-break, em show da levantadora Takeshita e das ponteiras Kimura e Ebata.

DISPUTA DE BRONZE

Apesar do desempenho acima da média, o Japão não foi páreo para o Brasil nas semifinais, sendo eliminado da disputa do ouro, por 3×0. Mas havia a disputa do bronze, contra outra rival do continente, a Coreia do Sul. No histórico de confrontos, a Coreia do Sul levava vantagem sobre o Japão nas últimas décadas. Além disso, contava em seu elenco com a estupenda ponteira Kim. Porém, contrariando mais uma vez os prognósticos, o Japão bateu a Coreia do Sul, por 3×0, ficando com a medalha de bronze nos Jogos de Londres no voleibol feminino. No link abaixo, você acessa a partida que deu fim ao jejum de pódio olímpico do Japão no voleibol feminino.

SÉRVIA VENCE TORNEIO AMISTOSO NA POLÔNIA

Atual bicampeã mundial, a Sérvia venceu o torneio amistoso Agata Mroz. Disputado na Polônia, em homenagem a ex-jogadora polonesa, o torneio contou com a participação da Polônia, França, República Dominicana, além da própria Sérvia. Em formato de todos contra todos, a Sérvia ficou em 1º lugar, mesmo após perder ontem para República Dominicana, por 3×2. Dona da casa e adversária do Brasil na 1ª fase dos Jogos Olímpicos de Paris, a Polônia foi vice-campeã do torneio, após perder o jogo do título para Sérvia, hoje, por 3×1. Completou o pódio da competição, em 3º lugar, a seleção da República Dominicana depois de bater a França, por 3×0.

A Sérvia jogou a Liga das Nações com um time alternativo, visando preparação para os Jogos Olímpicos/Divulgação/X

TORNEIO AGATA MROZ

16/7 Sérvia 🇷🇸3×0🇫🇷França

16/7 Polônia 🇵🇱3×0🇩🇴Rep. Dominicana

18/7 Sérvia 🇷🇸2×3🇩🇴Rep. Dominicana

18/7 Polônia 🇵🇱3×0🇫🇷França

19/7 Rep. Dominicana🇩🇴3×0🇫🇷França

19/7 Polônia 🇵🇱1×3🇷🇸Sérvia

CLASSIFICAÇÃO FINAL

1 🇷🇸 Sérvia 7 pontos

2 🇵🇱 Polônia 6 pontos

3 🇩🇴 Rep. Dominicana 5 pontos

4 🇫🇷 França 0 pontos

A FINAL OLÍMPICA MAIS LONGA DA HISTÓRIA

A Polônia levou o seu único ouro olímpico nos Jogos de Montreal 1976/Reprodução/Internet

No século XX, os jogos de voleibol tinham vantagem assim como no tênis e terminavam em 15 pontos. Por causa disso, as partidas tinham longas durações. Em jogos muitos disputados, os confrontos costumavam durar mais de 3 horas. No caso dos Jogos Olímpicos, o cenário não era muito diferente. Em Montreal 1976, no Canadá, um recorde histórico foi quebrado, justamente na final olímpica! A disputa da medalha de ouro entre Polônia e União Soviética, que envolvia também geopolítica, foi o jogo de maior duração da história das Olimpíadas.

A vitória polonesa sobre os soviéticos, por 3×2, durou quatro horas e 36 minutos! Para se ter uma ideia do tamanho do fato, a transmissão da final olímpica pela TV Globo no Brasil foi interrompida antes do resultado final porque a emissora não tinha mais disponibilidade de satélite. O tie-break da final olímpica entre Polônia e URSS foi exibido no dia seguinte para os brasileiros. Desde 1999, os jogos de voleibol não tem mais vantagem. A contagem dos pontos é realizada de forma direta encerrando em 25 pontos. No link abaixo, você acessa ao compacto da final olímpica mais longa da história entre Polônia e URSS nos Jogos Olímpicos de Montreal 1976.

O TAPETÃO NOS JOGOS OLÍMPICOS DE ATLANTA 1996

Quem ficou surpreso com os casos de doping da Rússia nos últimos anos precisa rever os seus conceitos! Além de disputarem os Jogos Olímpicos sob suspeita em Tóquio, os russos também são mestres em agir nos bastidores. Aliás, em algumas ocasiões, por várias vezes, o Comitê Olímpico Internacional foi acusado de favorecer os russos. Mas vamos ao fatos! Durante os anos seguintes ao colapso da União Soviética, mais precisamente no ciclo para Atlanta 1996, o esporte russo estava desorganizado. A maior prova disso é modalidade que nos cabe: o voleibol.

PRÉ-OLÍMPICO EUROPEU

Depois de terminar o Europeu em 1995 em 3º lugar, a Rússia ficou de fora da Copa do Mundo no Japão, que distribuía três vagas diretas para os Jogos Olímpicos de Atlanta, conquistadas por Cuba, Brasil e China. Para conseguir classificação olímpica, a Rússia deveria jogar o Pré-Olímpico Europeu na Alemanha em Bremen, em janeiro de 1996. Após vencer os três jogos da 1ª fase, a Rússia foi supreendida pela anfitriã Alemanha na decisão da vaga europeia. No confronto derradeiro, a Alemanha bateu a Rússia, por 3×2, com parciais de 4/15, 15/9, 15/5, 8/15, 16/14. Com o resultado, para disputar os Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, a Rússia deveria jogar uma repescagem mundial no Japão.

VIRADA DE MESA

No entanto, a poderosa Rússia jamais poderia disputar uma repescagem mundial para estar nas Olimpíadas. Deu-se a manobra! Simplesmente, a Rússia foi transferida de zona. O que isso significava? Ao invés de disputar a repescagem mundial, a Russia foi jogar na zona da África. Até Atlanta 1996 não havia o critério de cota continental para disputar as Olimpíadas. Aqueles Jogos Olímpicos seriam os primeiros a contemplar o continente africano no naipe feminino, mas devido manobra para salvar a Rússia, a primeira seleção africana que participou das Olimpíadas foi o Quênia em Sydney 2000.

Voltando ao assunto Pré-Olímpico Africano, o Egito seria a sede da competição, mas desistiu por falta de condições financeiras. O torneio trocou de local e foi disputado na Nigéria. Sob protestos de Nigéria e Quênia, a Rússia conquistou a vaga olímpica que seria da África para os Jogos de Atlanta 1996. A Nigéria ainda poderia tentar a vaga olímpica na repescagem mundial no Japão, mas foi substituída pela Romênia. O blog não conseguiu descobrir os motivos da substituição da Nigéria pela Romênia.

Como observa-se todo esse imbróglio é tão cabuloso que há pouquíssimos registros na internet. Agora, imagina você caro leitor se um escândalo do tipo acontece nos dias de hoje? Para você ter uma ideia do alcance disso tudo, o Brasil poderia ter perdido a sua primeira medalha olímpica no vôlei feminino para a Rússia na disputa de bronze em Atlanta 1996. Já pensou nisso?

O lendário Nikolay Karpol era o comandante técnico russo naquela época/Divulgação

O CALVÁRIO ITALIANO NAS OLIMPÍADAS

Se tem uma coisa que italiano não gosta, é de dar vexame. Mas quando o assunto é Olimpíadas a vergonha é inevitável. Donos de uma das maiores ligas de voleibol do planeta, os italianos nunca ganharam o ouro olímpico na modalidade seja no masculino ou feminino. A lista de fracassos é enorme, porém para os Jogos Olímpicos de Paris, os italianos estão confiantes que finalmente vão alcançar os seus objetivos. Será que agora vai?

Os italianos conquistaram a prata nos Jogos do Rio 2016/Divulgação

MASCULINO

O sucesso do voleibol de clubes na Itália fez emergir a seleção nacional do país na década de 1980. A primeira medalha olímpica do país, o bronze nos Jogos de Los Angeles 1984, foi a prova disso. Apesar do boicote do bloco soviético, os italianos fizeram por merecer essa medalha. A Itália foi a grande referência na época quando o assunto era Liga Nacional. Eles foram um dos responsáveis pela profissionalização da modalidade, mas isso nunca lhes garantiu uma medalha de ouro.

LISTA DE FRACASSOS

A lista de fracassos olímpicos da Itália é enorme! Eles sempre se deram melhor em Campeonatos Mundiais do que com Olimpíadas. Tudo começou na década de 1990. No período, os italianos foram hegemônicos no voleibol masculino, sendo tricampeões mundiais, além de vencer a Liga Mundial por oito vezes, mas não conquistaram o ouro olímpico.

Na condição de favoritos, os italianos sequer disputaram medalha nos Jogos de Barcelona 1992, sendo eliminados nas quartas de final pela Holanda. Quatro anos mais tarde, mais uma decepção! Depois de chegarem invictos na final olímpica em Atlanta 1996, os italianos perderam o ouro olímpico por 3×2. Os algozes novamente foram os holandeses. Talvez essa tenha sido a maior chance da Itália de levar o ouro nas Olimpíadas. Em Sydney 2000, a lista de fracassos foi atualizada com sucesso! Dessa vez, a Itália perdeu a semifinal para Iugoslávia, ficando com o bronze.

DÉCADA DE 2000

Nos anos 2000, a Itália perdeu a hegemonia na modalidade no naipe masculino para o Brasil. As duas seleções parecem ter trocado de papéis. Os brasileiros foram tricampeões mundiais, além de vencer a Liga Mundial por oito vezes, mas diferentemente dos italianos na década de 1990, o Brasil foi campeão olímpico em Atenas 2004. A disputa desse ouro foi justamente contra Itália. Os brasileiros venceram a final olímpica por 3×1. Desde então, a Itália parece perdida quando o assunto são os Jogos Olímpicos.

REVANCHE

Depois de Atenas, o Brasil virou a pedra no sapato da Itália nas Olimpíadas. Foram duas eliminações em semifinais na sequência nos Jogos de Pequim 2008 e Londres 2012, além de mais uma derrota em final olímpica nos Jogos do Rio 2016. No restrospecto de confrontos entre as duas seleções nas Olimpíadas, a vantagem do Brasil é considerável. Os italianos venceram o Brasil apenas uma vez, mais precisamente, na 1ª fase dos Jogos do Rio em 2016, enquanto os brasileiros ganharam 7 jogos da Itália em Jogos Olímpicos. Em Paris, as duas seleções estão na mesma chave na 1ª fase. Quem vai levar a melhor? Brasil ou Itália?

FEMININO

Se a lista de fracassos olímpicos da Itália no naipe masculino é grande, o feminino não fica muito atrás. As italianas sequer conseguiram alguma vez em Jogos Olímpicos disputar medalhas. Sempre foram eliminadas nas quartas de final. Isso sem contar as duas vezes em que foram eliminadas na fase de grupos nos Jogos de Sydney 2000 e Rio 2016.

O histórico é longo! Na condição de campeãs mundiais, as italianas caíram para Cuba em Atenas 2004. Quatro anos mais tarde, em Pequim, em meio ao imbróglio envolvendo a cubana Aguero e ditadura de Fidel, foram eliminadas nas quartas de final pelos Estados Unidos por 3×2. Em Londres 2012, talvez o maior vexame italiano, derrota para Coreia do Sul da ponteira Kim, por 3×1, também nas quartas de final. Fechando o histórico olímpico, já com a geração de Egonu, um novo revés nas quartas de final, para Sérvia em Tóquio, por 3×0. Será que isso tudo não passa de maldição?

O DESEMPENHO OLÍMPICO DE BERNARDINHO E ZÉ ROBERTO

O símbolo olímpico

Dois dos maiores técnicos do mundo no voleibol são brasileiros. Bernardinho e José Roberto Guimarães são alguns dos responsáveis pelo sucesso do Brasil na modalidade. José Roberto Guimarães está à frente da seleção brasileira feminina desde 2003. São mais de 20 anos no comado da seleção feminina. Ele também teve passagens pela seleção brasileira masculina na década de 1990. Já Bernardinho voltou ao comando da seleção masculina neste ano. Anteriormente, ele foi técnico do Brasil durante 15 anos, entre 2001 e 2016. Assim como José Roberto Guimarães, Bernardinho também teve passagens pelo outro naipe da seleção brasileira, na década de 1990. Abaixo, você confere um panorama do desempenho olímpico desses dois grandes treinadores.

DENTRO DE QUADRA

Pouca gente sabe, mas José Roberto Guimarães defendeu a seleção brasileira masculina nos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976 como atleta. Ele era levantador reserva do time brasileiro. Ao final daqueles Jogos, o Brasil terminou em 7º lugar. Como jogador, Bernardinho também fez parte da seleção brasileira masculina. Ele disputou os Jogos Olímpicos de Moscou e Los Angeles em 1980 e 1984. Assim como Zé Roberto, ele era reserva do time brasileiro. Mas ao contrário de Zé Roberto, Bernardinho conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

ASSISTENTE TÉCNICO

Bernardinho e José Roberto Guimarães foram assistentes técnicos da seleção brasileira masculina durante o período em que Bebeto de Freitas retornou ao comando do voleibol masculino brasileiro. Os dois principais técnicos do Brasil foram lapidados por Bebeto de Freitas antes de alçar voos mais altos.

MEDALHAS OLÍMPICAS

José Roberto Guimarães saiu na frente de Bernardinho ao conquistar o primeiro ouro olímpico nos Jogos de Barcelona 1992. O Brasil já havia sido medalha de prata em Los Angeles 1984, como dito acima, com Bernardinho como levantador reserva. Mas se Zé Roberto levou o primeiro ouro olímpico no masculino, Bernardinho ganhou a primeira medalha olímpica do voleibol feminino em Atlanta 1996. Naquela Olimpíada, o Brasil foi bronze. Em Sydney 2000, Bernardinho repetiu a dose e pela segunda vez consecutiva levou o bronze com a seleção brasileira feminina.

DÉCADA DE OURO

Nos anos 2000, Bernardinho e José Roberto Guimarães trocaram de lugar no comando técnico do Brasil. Bernardinho assumiu a seleção masculina em 2001, José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em 2003. Nesse período, o Brasil estabeleceu uma hegemonia no naipe masculino, que perdurou da conquista do ouro olímpico em Atenas 2004 até a medalha de prata em Pequim 2008, além de conquistar a primeira medalha olímpica do voleibol feminino em Pequim. Com essa conquista, José Roberto Guimarães se tornou o primeiro técnico campeão olímpico no masculino e feminino.

SALDO FINAL

José Roberto Guimarães ainda conquistou o bicampeonato olímpico com a seleção feminina nos Jogos de Londres em 2012. Bernardinho não ficou por baixo. Levou o ouro olímpico em casa nos Jogos do Rio em 2016 e a prata em Londres 2012. Na última edição dos Jogos em Tóquio, ele não era mais técnico da seleção masculina, que acabou perdendo a disputa de bronze para Argentina. Já Zé Roberto foi prata, depois de ser derrotado na final olímpica pelos Estados Unidos.

No saldo final, Bernardinho conquistou mais medalhas olímpicas do que José Roberto Guimarães. Ao todo, são dois ouros, três pratas (incluindo como atleta), 2 bronzes para Bernardinho. Porém, José Roberto Guimarães levou mais ouros. Ao todo são três ouros olímpicos e uma prata para Zé Roberto. E para você vôlei fã quem tem o melhor desempenho olímpico? Bernardinho ou José Roberto Guimarães?

POLÔNIA VENCE TORNEIO MEMORIAL WAGNER

Adversária do Brasil na fase de grupos dos Jogos Olímpicos de Paris no voleibol masculino, a Polônia venceu o tradicional torneio amistoso Memorial Wagner. Jogando em casa, na cidade de Cracóvia, a Polônia venceu os três jogos da competição contra Egito, Alemanha e Eslovênia. No jogo título, neste domingo, 14 de julho, os poloneses ganharam da Eslovênia por 3×1 com parciais de 25/20, 26/28, 25/14, 26/24. Outro adversário do Brasil na 1ª fase das Olimpíadas de Paris, o Egito encerrou o torneio em 4º lugar, com três derrotas em três jogos. Na disputa do bronze hoje, 14 de julho, o Egito foi superado pela Alemanha também por 3×1 com parciais de 25/14, 26/24, 17/25, 25/19. Com o resultado, os alemães ficaram com o bronze do torneio. Na próxima sexta-feira, 19 de julho, a Alemanha enfrenta o Brasil em amistoso disputado na França, às 16h, com transmissão do SPORTV 2.

TORNEIO MEMORIAL WAGNER

12/7 Polônia 🇵🇱3×0🇪🇬Egito

12/7 Eslovênia 🇸🇮3×2 🇩🇪Alemanha

13/7 Polônia 🇵🇱3×2 🇩🇪Alemanha

13/7 Eslovênia 🇸🇮3×1🇪🇬Egito

14/7 Polônia 🇵🇱3×1 🇸🇮Eslovênia

14/7 Alemanha 🇩🇪3×1🇪🇬Egito

Os poloneses estão no mesmo grupo do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris/Divulgação

O TÍTULO MUNDIAL DOS ESTADOS UNIDOS

Os Estados Unidos no pódio do Mundial feminino 2014/Divulgação/FIVB

Depois de muito tempo, os Estados Unidos finalmente ganharam uma grande competição no voleibol feminino. As norte-americanas levaram a taça do Campeonato Mundial em 2014 na Itália. Anteriormente, os Estados Unidos haviam vencido o Grand Prix, por cinco vezes, além de terem sido vice-campeões olímpicos por três vezes, antes de levar a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio em 2021. Aliás, duas dessas medalhas de prata das norte-americanas nos Jogos Olímpicos são cercadas de histórias traumáticas, uma delas envolvendo o Brasil em Londres 2012. Confira abaixo, como dois anos depois de Londres, os Estados Unidos viraram o jogo conquistando o Mundial 2014, título que até hoje o Brasil não venceu no vôlei feminino.

REFORMULAÇÃO GERAL

Após mais um fracasso olímpico em Londres, os Estados Unidos promoveram uma reformulação geral no time feminino de voleibol. Com um trabalho de base de excelência nas universidades, uma nova geração talentosa chegou ao time adulto sob o comando de um novo técnico, o lendário Karch Kiraly, considerado o melhor jogador da história da modalidade no naipe masculino. Um trabalho de garimpo no país, capitaneado por ele, que mudou a cara da seleção nacional.

ESTILO DE JOGO

Uma das mudanças promovidas por Karch Kiraly foi a obsessão por opostas canhotas. Em seu sistema tático que privilegiava a velocidade era fundamental manter a virada de bola com uma oposta canhota. No garimpo realizado por ele, essa jogadora foi encontrada. Tratava-se de Kelly Murphy. Além disso, mesmo com uma levantadora remanescente do ciclo passado, no caso Alisha Glass, Karch Kiraly imprimiu um ritmo na armação das jogadas que ainda não tinha sido visto no voleibol feminino. O trabalho de sua levantadora foi comparada ao lendário levantador brasileiro, Ricardinho, tamanha a velocidade da distribuição do seu jogo.

PRÉ-MUNDIAL

Antes do Mundial 2014, os Estados Unidos fizeram campanhas modestas com relação ao potencial do time. Além do 6º lugar no Grand Prix 2013, os Estados Unidos ficaram de fora da fase final da competição em 2014. Como resultado mais alvissareiro, às norte-americanas foram vice-campeãs da Copa dos Campeões em 2013 no Japão. Pouco, para o que vinha pela frente, porém, dentro do previsto dado o tamanho da reformulação realizada por Karch Kiraly.

FASE DE GRUPOS

Na 1ª fase do Mundial 2014, os Estados Unidos caíram no mesmo grupo da Rússia, atual bicampeã mundial, em Verona. Além das russas, os Estados Unidos tiveram como adversários: México, Holanda, Cazaquistão e Tailândia. Na estreia, os Estados Unidos tomaram um susto, perdendo uma parcial para o México. Nos jogos seguintes, três vitórias por 3×0, contra holandesas, tailandesas e cazaques. No grande duelo pela liderança chave, os Estados Unidos passaram pelo primeiro grande teste da competição, ao bater a Rússia, por 3×1, com parciais de 34/32, 25/19, 29/31, 26/24.

2ª FASE

Na 2ª fase, os Estados Unidos tiveram o primeiro encontro com o Brasil na competição. O grupo das norte-americanas cruzava com o o grupo do Brasil, com 4 jogos para cada seleção. As três melhores avançavam para 3ª fase. Estados Unidos, Rússia e Brasil eram os favoritos do grupo, mas a chave brasileira teoricamente era mais difícil. Para supresa de muitos, os Estados Unidos ganharam dos adversários do Brasil na 1ª fase com certa tranquilidade. Vitória por 3×1 contra a Turquia e por 3×0 contra Sérvia e Bulgária. No duelo derradeiro com o Brasil, pela liderança da chave, uma surpresa! Depois do episódio de Londres, em que poderia ter eliminado o Brasil dos Jogos Olímpicos na 1ª fase, caso perdesse para a Turquia, os Estados Unidos entraram com um time considerado reserva para o jogo com as brasileiras no Mundial 2014. Tal fato foi marcante para torcida brasileira porque nesse dia aconteceu votação presidencial no país pelo 1º turno eleitoral. Resultado: vitória do Brasil por 3×0. No link abaixo, você acessa essa partida no YouTube.

3ª FASE

Os cálculos dos Estados Unidos na partida com o Brasil na 2ª fase jogaram as norte-americanas no grupo da Itália, dona da casa, na 3ª fase. Além das italianas, os Estados Unidos enfrentariam também novamente a Rússia. Na partida com a Itália, os Estados Unidos sofreram uma derrota acachapante por 3×0. Tudo parecia perdido para elas após esse revés, mas uma nova vitória sobre a Rússia por 3×1, combinada com revés das russas para Itália, também por 3×1, classificaram os Estados Unidos para semifinais. No link abaixo, você acessa o jogo em que a Itália despachou a Rússia, ajudando os Estados Unidos.

ACERTO DE CONTAS

Nas semifinais, aconteceu o segundo encontro de Estados Unidos e Brasil no Mundial 2014. Um verdadeiro acerto de contas após os Jogos Olímpicos de Londres. Dessa vez, com o time completo, ao contrário da partida da 2ª fase, os Estados Unidos não deram chances para o Brasil, dando o troco nas brasileiras pela derrota na final olímpica de 2012. Em sets diretos, vitória dos Estados Unidos com parciais de 25/18, 29/27, 25/20. No link abaixo, você acessa essa semifinal entre Brasil e Estados Unidos.

DECISÃO DO TÍTULO

Na grande final da competição, o adversário dos Estados Unidos seria a grande rival no cenário geopolítico, China. Após uma campanha ruim em Londres, a China também estava reformulada com Lang Ping no banco como treinadora, além do fenômeno Ting Zhu com apenas 20 anos de idade. Com bom jogo coletivo, os Estados Unidos conseguiram neutralizar a ponteira chinesa, além de contar com grande atuação de Kim Hill. Sua performance foi tão decisiva, que ela acabou eleita melhor jogadora da competição. Enfim, finalmente o título mundial norte-americano veio, com um triunfo por 3×1 sobre as chinesas. No link abaixo, você acessa a final do Mundial 2014 no YouTube.

A TROCA DE TÉCNICOS NA SELEÇÃO BRASILEIRA NOS ANOS 2000

Na década de 2000, o Brasil foi a força dominante no voleibol. Entre os homens, o Brasil foi tricampeão mundial, campeão olímpico em Atenas, medalha de prata em Pequim, bicampeão da Copa do Mundo, além de ter vencido a Liga Mundial no período por oito vezes. Já entre as mulheres, em cenário de mais equilíbrio, após o fracasso em Atenas, o Brasil conquistou o primeiro ouro olímpico do vôlei feminino em 2008, abrindo caminho para o bicampeonato na década seguinte em Londres. Além disso, venceu o Grand Prix por cinco vezes na década de 2000, além de ser vice-campeão mundial em 2006 e 2010. Tal feito, não teria acontecido, não fosse a liderança técnica de dois dos melhores treinadores do mundo na modalidade, Bernardinho e Zé Roberto.

APOSTA

Depois do 6º lugar nos Jogos de Sydney 2000 no voleibol masculino, a CBV sob o comando de Ary Graça, tomou uma das decisões mais arrojadas da história da entidade. Em uma aposta certeira, Ary Graça fez uma troca arriscada de comando no naipe masculino. Simplesmente, Ary Graça promoveu Bernardinho após o sucesso do treinador com o voleibol feminino. Com duas conquistas inéditas de bronze no currículo com as mulheres, além de um excelente trabalho que fez frente a Cuba, Bernardinho assumiu o comando do masculino após os Jogos de Sydney. Um risco, que tanto Ary Graça, como Bernardinho correram, mas que levou o voleibol brasileiro ao topo da modalidade durante mais de uma década.

MATERIAL HUMANO

A aposta certeira de Ary Graça abriu o caminho para uma série de mudanças na modalidade interna e externamente. Entretanto, sem material humano, não seria possível para Bernardinho ou Zé Roberto realizarem um trabalho de excelência. Mas, seja pela conjunção dos astros ou não, durante a década de 2000, além de ganhar quase tudo no adulto, o Brasil dominou a base do esporte, com uma série de títulos nas categorias inferiores. Várias estrelas do Brasil na modalidade foram reveladas na gestão de Ary Graça na CBV. Um trabalho que não dá para esconder, sendo referência internacional até os dias de hoje.

TRANSIÇÃO

Mas nem tudo foi fruto somente de trabalho administrativo. A chegada de Bernardinho na seleção masculina mudou a forma de jogar voleibol no naipe masculino. Bernardinho imprimiu uma velocidade jamais vista na modalidade, graças ao trabalho incansável do levantador Ricardinho. O Brasil virou referência internacional. Os levantamentos de Ricardinho mal tinham parábola. Além disso, toda a experiência com o feminino, veio com Bernardinho na bagagem. O volume de jogo brasileiro no masculino era algo impensável até aquele momento. Os brasileiros chegaram a ser comparados com os japoneses, tamanho o nível de jogo no fundo de quadra.

TROCA-TROCA

O sucesso da transição de Bernardinho do feminino para o masculino, fez Ary Graça dobrar a aposta. Vendo o Brasil favorito ao ouro nos Jogos de Atenas 2004, Ary Graça chamou para o comando da seleção feminina, o ex-técnico da seleção masculina, José Roberto Guimarães, ouro em Barcelona. Naquele momento, Zé Roberto treinava o time feminino do Osasco e a seleção feminina passava por uma crise interna de relacionamentos com o técnico Marco Aurélio Motta. A chegada de Zé Roberto na seleção feminina foi em boa hora, mas as coisas não deram tão certo em Atenas, como deram quatro anos depois nos Jogos Olímpicos de Pequim.

ADAPTAÇÃO

Ao contrário do que poderiam imaginar, Jose Roberto Guimarães trouxe para seleção feminina uma sensibilidade no trato com as jogadoras. Não que ele fosse grosseiro no masculino, mas sua transição para o feminino foi perfeita. Segundo consta, a comissão técnica de Zé Roberto acompanha até mesmo o ciclo menstrual das jogadoras para avaliar o desempenho e o rendimento delas dentro de quadra. Além disso, seu maior desafio era promover uma adaptação no sistema tático da seleção feminina. O Brasil jogava em 5×1, mas nossas opostas eram muita vezes passadoras, até mesmo as canhotas, como por exemplo, Leila. Com a chegada de Zé Roberto, o Brasil assumiu o sistema tático em 5×1 plenamente, assim como no masculino, graças ao talento de jogadoras como Mari e Sheilla.

SUCESSO INTERNACIONAL

O domínio brasileiro no voleibol nos anos 2000, ainda gerou vários dividendos para todos os envolvidos na empreitada. Entre eles, o principal responsável pela aposta no troca-troca de técnicos, o então presidente da CBV, Ary Graça. Nada mais, nada menos, ele chegou ao comando da Federação Internacional de Voleibol. Para se ter uma ideia, ele derrotou na eleição, ninguém menos que o norte-americano Doug Beal, outro nome histórico da modalidade. Sua gestão na FIVB parece muito bem avaliada, dado o seu prestígio com o COI – Comitê Olímpico Internacional. Para quem tem medo de apostas de risco, este é um exemplo de que vale a pena correr perigo quando há competência.

O presidente da FIVB, Ary Graça

CHINA E REPÚBLICA TCHECA VENCEM CHALLENGER CUP 2024

China e República Tcheca conquistaram a Copa Challenger 2024 nos naipes masculino e feminino, respectivamente. A competição garante ao vencedor um lugar na Liga das Nações 2025. Entre os homens, jogando em casa, a China bateu a Bélgica na decisão do título, por 3×1, com parciais de 25/20, 25/20, 22/25, 25/22. Já entre as mulheres, a República Tcheca superou Porto Rico, nas Filipinas, também por 3×1, com parciais de 25/23, 25/20, 18/25, 25/18. Além de China e República Tcheca, mais uma seleção em cada naipe estará classificada para Liga das Nações 2025, pelo ranking da FIVB. Ao contrário de edições anteriores em 2025, a Liga das Nações terá 18 seleções participantes no masculino e feminino. Tanto que em 2024, não houve rebaixamento na competição.

A seleção chinesa estará de volta na Liga das Nações masculina 2025/Volleyball World/Divulgação