A PRIMEIRA SUPERLIGA DA HISTÓRIA

No embalo do plano Real, a CBV lançou em 1994, uma nova versão da sua principal competição anual. Batizado de Superliga, o campeonato nacional de voleibol foi relançado na temporada de 1994/1995, substituindo a Liga Nacional. Aproveitando-se da estabilidade econômica no país, um dos principais atrativos da primeira temporada da Superliga foi o “repatriamento” dos campeões olímpicos nos Jogos de Barcelona em 1992, no naipe masculino. Giovane, Tande, Marcelo Negrão, Maurício, Paulão e Carlão, todos eles estavam de volta aos clubes do Brasil, após duas temporadas na Europa.

LANÇAMENTO

Para lançar seu novo produto no mercado, a CBV realizou um jogo das estrelas às avessas. Antes da competição iniciar, escalou o principal destaque individual das equipes participantes, tanto no feminino, quanto no masculino, para uma partida de abertura. Cada jogador escalado, carregava nas costas o nome da equipe e vestia a camisa do seu time, em um jogo amistoso. A iniciativa perdurou apenas na primeira edição, sendo abandonada pela CBV, anos mais tarde.

TRANSMISSÃO

Em sua primeira edição, a Superliga foi exibida em sistema de TV aberto e fechado. Iniciando sua parceria histórica com os canais Globo, a competição foi transmitida pelo SPORTV na TV fechada. Até os dias de hoje, a Superliga é exibida pelo SPORTV. Já no sistema aberto, a primeira temporada da Superliga foi dividida. Na versão masculina, o torneio foi transmitido pela TV Bandeirantes. Já no naipe feminino, a exibição da Superliga ficou por conta da extinta TV Manchete.

FAVORITOS

Ainda em uma fase pré-ranking de atletas, a primeira temporada da Superliga Feminina teve como favoritos: Leite Moça, BCN/Guarujá, L’aqua di Fiori/Minas, Sollo Tietê e o Nossa Caixa/Recra. Já no naipe masculino, despontaram para o primeiro título da competição, quatro times paulistas: Suzano, Palmeiras/Parmalat, Olympikus/Telesp e Banespa.

COMPETIÇÃO

A fase regular da Superliga Feminina 1994/1995 teve algumas curiosidades. O Leite Moça, time de Fernanda Venturini, Ana Paula, Ana Moser, entre outras, perdeu os pontos de seu primeiro jogo contra a equipe do Datasul de Joinville. Tudo porque, a equipe paulista escalou a jogadora Dirce de forma irregular. Por tal fato, o Datasul foi considerado vencedor da partida por 3×0, com parciais de 15/0, 15/0, 15/0. Com o resultado, ao final da 1ª fase, o BCN/Guarujá acabou assumindo a dianteira da competição, com 16 vitórias e 2 derrotas. Já o Leite Moça, ficou em segundo lugar, também com 16 vitórias e 2 derrotas, mas com um set average menor.

No naipe masculino, as favoritas equipes paulistas foram surpreendidas pelo valente Frangosul/Ginástica. Apesar disso, o Suzano conseguiu liderar a 1ª fase, com 19 vitórias e 3 derrotas. O Frangosul ficou na vice-liderança, com campanha idêntica, mas set average menor. Em 3º lugar, ficou o Palmeiras. Fechando o G4 da Superliga Masculina 1994/1995, o Olympikus/Telesp.

PLAYOFFS

Apesar da liderança na 1ª fase, o BCN/Guarujá chegou aos playoffs da Superliga Feminina 1994/1995, aos trancos e barrancos. Com vários problemas de lesão no elenco, além de queda no rendimento, o BCN conseguiu perder o segundo jogo das quartas de finais, para o Cepacol/São Caetano de Cilene, 8º colocado da fase regular. Fato raro, até hoje, em se tratando de Superliga Feminina. Além disso, no enfrentamento das semifinais, contra o Nossa Caixa Recra de Estefânia, o BCN esteve perto da eliminação.

Já o rival de Sorocaba, o Leite Moça, eliminou o Sparta de Belo Horizonte, pelas quartas de final, com facilidade, com duplo 3×0. Já nas semifinais, o Leite Moça encontrou dificuldades diante do Minas de Leila, Hilma e Márcia Fú. No primeiro jogo em casa, vitória por 3×0. No segundo jogo, em BH, vitória do Minas, por 3×2. No terceiro jogo, em Sorocaba, nova vitória do Leite Moça por 3×0. Fechando a série em BH, por 3×1, com vitória sobre o Minas, por 3×0, com parciais de 16/14, 15/13, 15/5.

No naipe masculino, o confronto mais equilibrado das quartas, como previsto, aconteceu entre Banespa e Olympikus. Com 2 vitórias e uma derrota, o Olympikus eliminou o Banespa, campeoníssimo brasileiro, nos tempos de Liga Nacional. No entanto, nas semifinais, o Olympikus não conseguiu bater o seu arquirrival na época, Suzano. No outro lado da chave, o Frangosul chegou na decisão da competição, eliminado o Palmeiras de Giovane, com três vitórias em 3 jogos.

FINAIS

Nas finais da Superliga Feminina 1994/1995, o Leite Moça superou a desvantagem do mando de quadra, sendo campeão no domínio adversário. Sem dar chances ao BCN/Guarujá, o time de Sorocaba cedeu apenas uma parcial na decisão, sagrando-se campeão, com três vitórias nos três jogos. Para se ter uma ideia da superioridade da equipe dirigida por Sérgio Negrão, o Leite Moça chegou a fazer 15/0, em uma das parciais do jogo 2 das finais. Após a conquista do título, as campeãs da Superliga 1994/1995 declararam na imprensa, certa surpresa com o baixo nível do jogo apresentado pelo BCN nas finais.

Fernanda Venturini liderou o três títulos do Leite Moça na Superliga Feminina, nas três primeiras edições/Gazeta Press

Já no naipe masculino, o Frangosul/Ginástica surpreendeu o Suzano, também no domínio adversário. No primeiro jogo das finais, o Frangosul bateu o Suzano, fora de casa, por 3×1. No segundo jogo das finais, uma nova surpresa. Depois de estar perdendo por 2×0, com o apoio de sua torcida, o Frangosul derrotou o Suzano, por 3×2, em novo triunfo nas finais. Fechando a série, no terceiro jogo, um dos principais capítulos da história da Superliga Masculina. Jogando com o pé quebrado, o ponteiro Carlão do Frangosul, ouro em Barcelona, foi campeão da primeira Superliga, em uma vitória épica, por 3×0, com parciais de 15/11, 15/10, 15/10.

O ponteiro Carlão, à esquerda, com o troféu da Superliga Masculina 1994/1995, conquistado pelo Ginástica

Ao final do torneio, Fernanda Venturini e Giovane foram eleitos MVPs da Superliga 1994/1995. No link abaixo, você pode acessar o primeiro jogo das finais da Superliga Masculina 1994/1995.

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