A HEGEMONIA TÉCNICA NO VOLEIBOL

O voleibol foi introduzido no programa olímpico nos Jogos de Tóquio, em 1964. A modalidade foi inventada pelo norte-americano William George Morgan, em 1895. Durante as duas Grandes Guerras Mundiais, o voleibol foi o esporte preferido praticado pelos militares nos momentos de descanso. Em 1947, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) foi fundada. O primeiro Campeonato Mundial da modalidade foi disputado em 1949, na antiga Tchecoslováquia, no naipe masculino. Três anos mais tarde, foi a vez das mulheres jogarem o Mundial da categoria na União Soviética. Desde então, o esporte aumentou a sua popularidade pelo mundo. Além disso, graças à evolução técnica do jogo, alguns períodos da modalidade foram marcados pela hegemonia de seleções históricas.

GUERRA FRIA

No período posterior da Segunda Guerra Mundial, o voleibol foi amplamente dominado pelos soviéticos no naipe masculino. Eles foram percursores da modalidade no desenvolvimento de fundamentos como serviço e bloqueio. Além disso, possuíam o biotipo físico adequado para a prática do esporte. O sistema tático dos soviéticos também era avançado para a época. Durante a Guerra Fria, a União Soviética conquistou seis títulos mundiais e três ouros olímpicos.

Já no feminino, a grande força rival dos soviéticos no período era o Japão. As japonesas possuíam um grande controle dos fundamentos da modalidade. Também tinham excelência no sistema defensivo, para compensar a baixa estatura. Além disso, o Japão trabalhava seu ataque com mais velocidade do que as soviéticas. Nenhuma seleção traduziu melhor o espírito do seu povo, do que o Japão dos tempos da Guerra Fria. Durante esse período, as japonesas conquistaram dois ouros olímpicos e três mundiais. No masculino, ainda foram campeões olímpicos em 1972, em Munique.

DOMÍNIO NORTE-AMERICANO

Na década de 1980, os Estados Unidos foram a seleção hegemônica do período. Sob o comando técnico de Doug Beal, os norte-americanos introduziram ao sistema tático da modalidade, a definição da posição específica de cada jogador. Sob liderança de Karch Kiraly em quadra, eleito melhor jogador do século XX, os Estados Unidos foram bicampeões olímpicos e campeões mundiais, feito inigualável até hoje. Existia na época, uma grande polêmica sobre quem era a melhor seleção do mundo naquele momento, devido ao boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984. URSS ou Estados Unidos? Muito bem, a dúvida foi sanada nos confrontos do Mundial de 1986 e nos Jogos de Seul 1988, com a vitória dos norte-americanos sobre os soviéticos nas finais.

Os Estados Unidos no alto do pódio, na década de 1980/NYT

PROFISSIONALIZAÇÃO DO ESPORTE

Com a queda do Muro de Berlim e a globalização, a Itália nadou de braçada na década de 1990. Os italianos eram o exemplo no voleibol de profissionalização do esporte. Com incentivo privado, a melhor Liga de Voleibol do mundo era da Itália. Para se ter uma ideia do sucesso, a liga nacional italiana serviu de modelo para a implantação da Superliga no Brasil. Anteriormente, sob a nomenclatura de Liga Nacional, o Brasil já copiava dos italianos os seus moldes de financiamento da modalidade. Dentro de quadra, tal organização dos italianos, obteve grandes resultados como o tricampeonato mundial (1990, 1994, 1998) e a conquista de oito Ligas Mundiais. Ficou faltando o ouro olímpico, mas a Itália de Zorzi está no panteão das grandes seleções da história do voleibol.

AS MORENAS DO CARIBE

Ainda na década de 1990, outra seleção histórica marcou o voleibol porém no naipe feminino. Estou falando do incrível time cubano liderado por Regla Torres e Mireya Luís. Sob o comando técnico de Antônio Perdomo, Cuba conquistou o tricampeonato olímpico (1992, 1996, 2000), o bicampeonato mundial (1994, 1998) e o tricampeonato da Copa do Mundo (1991, 1995, 1999). Para se ter uma ideia do nível daquela seleção cubana, na época se dizia que havia na modalidade três categorias. Em primeiro lugar: todo o naipe masculino. Em segundo lugar: a seleção feminina cubana. Em terceiro lugar: todo o naipe feminino. O Brasil, ao lado de China e Rússia, eram os países que faziam frente as cubanas, mas aquela seleção era considerada de outro patamar.

A seleção cubana após a conquista do ouro em Sydney/Divulgação FIVB

OURO, SUOR E LÁGRIMAS

Depois de trocar a seleção brasileira feminina pela masculina, o técnico Bernardinho levou o voleibol brasileiro ao topo. Sob o seu comando, o Brasil dominou o cenário da modalidade durante uma década. Entre 2001 e 2010, foram conquistados todos os títulos possíveis, entre eles, o tricampeonato mundial, o bicampeonato da Copa do Mundo, o ouro olímpico em Atenas 2004, e o recorde de títulos da Liga Mundial. O Brasil mudou o jeito de jogar da modalidade no voleibol masculino. Com velocidade e variação, os brasileiros deixaram como marca para o esporte, o ataque da linha de três, conhecida internacionalmente como pipe. Três jogadores do Brasil entraram para a história da modalidade. O ponteiro Giba, eleito MVP das principais competições do período, o levantador Ricardinho, maestro do time, e o líbero Serginho, que mudou a visão do jogo em relação à sua posição.

A geração mais vitoriosa do voleibol brasileiro, em Atenas/Divulgação FIVB

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