A INFLUÊNCIA DE BERNARDINHO NO VÔLEI FEMININO MODERNO

O técnico Bernardinho, atual técnico da França, no naipe masculino/Divulgação FIVB

Multicampeão com a seleção brasileira masculina, Bernardinho trilhou o caminho das vitórias no vôlei feminino. Antes de comandar as brasileiras na década de 1990, ele ainda foi vice-campeão olímpico e mundial como atleta do Brasil. Convidado pela ex-jogadora brasileira Dulce Thompson para assumir um clube na Itália, ele desbravou o vôlei italiano feminino em seu começo.

Alguns anos depois, Bernardinho virou técnico da seleção brasileira feminina. Seu legado na formação do time, perdura até os dias de hoje. Não por acaso, Bernardinho nunca deixou o vôlei feminino de lado. Vários elementos técnicos e táticos de suas equipes são identificados no voleibol feminino atual. Confira alguns desses pontos.

VELHO X NOVO

Quando Bernardinho assumiu o comando técnico da seleção brasileira feminina, o voleibol praticado internacionalmente pelas mulheres era arcaico, principalmente, em relação ao naipe masculino. O porte físico e a força das atletas eram os fatores de desequilíbrio do jogo, a favor de Cuba e Rússia. O desafio de Bernardinho era introduzir um novo sistema tático, baseado na velocidade e na variação. Para isto, ele necessitava de material humano. Com uma geração talentosa nas mãos, campeã mundial juvenil em 1987, ele conseguiu implantar a sua filosofia de jogo.

SISTEMAS TÁTICOS

Para além das rivalidades, o voleibol praticado na década de 1990, entre seleções, possuía sistemas táticos diferentes. Enquanto Cuba jogava em 4×2, o Brasil de Bernardinho entrava em quadra no sistema 5×1, com oposta no passe e também como opção de ataque. Não havia líberos, as centrais também faziam o fundo de quadra. China e Rússia também possuíam sistemas táticos diferentes. O sistema tático adotado pelos Estados Unidos era o que mais se aproximava do Brasil.

Portanto, para além das brigas e provocações entre brasileiras e cubanas, também existia uma disputa tática pelo sistema de jogo. Quase trinta anos depois, com a evolução da modalidade, percebe-se que Bernardinho pode não ter levado o ouro para casa em Atlanta 1996, mas sua filosofia venceu. Atualmente, no vôlei feminino de alto nível, é inconcebível jogar sem oposta ou em outro sistema que não seja o 5×1 adotado pelo Brasil nos anos de 1990.

VELOCIDADE X FORÇA

Para competir com a força física cubana, Bernardinho apostou na velocidade e na variação de jogadas. Provavelmente, sem Fernanda Venturini ou Fofão como levantadoras, isso não seria possível. Além disso, o sistema defensivo foi o grande salto de qualidade dessa geração. Até então, as brasileiras tinham muitas dificuldades no bloqueio. Com direito a treinamento com homens, foi pelo bloqueio que o Brasil quase desbancou Cuba em Atlanta.

LEGADO

Atualmente, o voleibol praticado em alto nível alia força e velocidade. Entre as mulheres, é nítido o padrão de jogo introduzido por Bernardinho na seleção feminina. Ao combinar velocidade com variação, sua filosofia demonstrou que nem sempre a força é suficiente. Mais do que isso, o Brasil dos anos de 1990 conseguiu captar o espírito do nosso tempo. Com sua filosofia de jogo, Bernardinho mostrou que a disputa não acontece mais entre o mais forte e o mais fraco. Na verdade, entre o mais rápido e o mais lento ou ainda entre o mais leve e o mais pesado.

Bernardinho na época do comando da seleção masculina/Divulgação FIVB

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