A EVOLUÇÃO TÉCNICA E TÁTICA NA OLIMPÍADA

Nos últimos tempos, muito tem sido falado sobre o esgotamento da evolução do jogo no voleibol. No entanto, ao contrário do que se imaginava, nos último dois ciclos olímpicos, a modalidade apresentou novidades técnicas e táticas. Todas elas poderão ser vistas agora nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Como se sabe, o voleibol moderno é caracterizado por força e velocidade. Essa é a tônica do jogo desde a mudança da bola nos Jogos de Pequim 2008. Porém, aliado à força e velocidade, estão sendo introduzidos no jogo variações técnicas e outras importantes tendências táticas.

Falando tecnicamente, algumas mudanças já são visíveis. Por exemplo, desde o último Congresso Técnico da FIVB, já é permitido pela regra, largar no ataque, quase como um empurrão na bola, em uma ação quase conduzida da bola. Obviamente, isso foi muito questionado entre os especialistas. Para os puristas, uma clara violação da regra. Na hora do jogo, segundo a FIVB, a interpretação desse lance fica a critério da arbitragem.

Outra mudança importante, que abrange técnica e tática, foi vista nos últimos tempos, no naipe masculino: o saque híbrido. Misto de saque viagem, com saque flutuante, esse serviço é uma grande evolução da modalidade por quebrar a dicotomia entre força e velocidade. Mas atenção, ele em nada se parece com o serviço flutuante. Neste tipo de saque, o jogador se lança em uma ação de viagem, e ao tocar na bola, ela perde velocidade e morre na frente do passador.

A levantadora Macris/Divulgação

Outra mudança técnica, dessa vez no naipe feminino, que alguns anos atrás, poderia ser considerada uma aberração, é a segunda bola de toque. Tendência lançada pela levantadora brasileira Macris, atualmente, já é uma realidade entre todas as levantadoras do mundo. Detalhe: essa ação de segunda bola de toque é realizada sem salto, com os pés apoiados no chão.

Falando taticamente, em mais uma inovação brasileira, no naipe masculino, o técnico Renan Dal Zotto tem recomendado aos seus jogadores, trabalhar os lances de contra-ataques, ao invés de matar o ponto no xeque-mate, em chances geradas pelo serviço. Algo questionável, já que o Brasil é a única seleção no mundo no naipe masculino, que aparentemente prefere trabalhar o ponto ao invés de matar no xeque.

Ainda sobre essa questão, seguindo essa linha, existe outra tendência lançada pelo voleibol masculino europeu, de matar o ponto, na segunda bola, em ações geradas de forma gratuita pelos adversários. Um dos países que melhor executam essa bola, é a seleção da França, tamanha habilidade de seus jogadores.

O ponteiro francês Ngapeth, um dos jogadores mais habilidosos do mundo/Divulgação

Outras táticas escondidas pelos treinadores, poderão ser vistas, no naipe feminino, durante os Jogos de Tóquio. No caso brasileiro, uma dessas tendências de aposta do técnico José Roberto Guimarães é a troca de posição entre oposta e ponteira na rede, com inversão. Neste caso, o coringa do treinador brasileiro seria Rosamaria. Essa tática foi muito adotada por ele, durante o ciclo olímpico, principalmente, no título do Grand Prix 2017.

Rosamaria, o coringa de José Roberto/Divulgação

Outra variação tática, que deverá ser utilizada por muitas seleções, é o ataque pelo fundo da oposta na posição 1, com finta na rede da central. Essa jogada é tendência atual do jogo. No caso asiático, a bola entre o meio e a ponta, com velocidade, deve ser muito utilizada pelas ponteiras Zhu da China e Kim da Coreia do Sul.

A ponteira chinesa Zhu, atacando a bola entre o meio e a ponta/Divulgação

Além disso, outras tendências táticas do jogo, no naipe feminino, foram resgatadas ao longo do tempo. Por exemplo, atualmente, no caso norte-americano, por contar com uma oposta canhota, aquela antiga movimentação dessa posição, quando ela está invertida na rede, foi adaptada para os dias de hoje. No caso, a oposta Drews percorre toda a quadra, para atacar na saída de rede, quando está na posição 4.

Esteticamente estranha, essa movimentação pode ser o tendão de Aquiles americano nos Jogos de Tóquio. Isso porque, quando acontecia antigamente, a oposta tinha função de passe, e normalmente atacava pelo meio, quando estava na posição 4. Algumas variações ocorriam quando se tratava de uma jogadora canhota, mas a ação era bem melhor executada antes do que hoje no caso norte-americano.

A oposta norte-americana Drews, ao centro/Divulgação

Bem, isso pode parecer estranho, mas já vem sendo adotado pelo vôlei europeu feminino de clubes, na última temporada, até mesmo com opostas destras, como no caso turco, com a jovem jogadora Karakurt. Tudo para tentar não encalhar a rede e conter os danos, quando a oposta está na posição 4. Algo impensável para o naipe masculino.

Para encerrar, outra “velha” nova novidade, é o resgate do ataque de fundo pela posição 5, nos dois naipes. Talvez, mais uma solução encontrada para o desencalhe da rede, quando o oposto está na posição de entrada. Porém, também muito usual, para rodar a rede, aproveitando o potencial de ponteiros, com alto percentual de ataque, na bola pipe, pela posição 5.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s