O TAPETÃO NOS JOGOS DE BARCELONA 1992

O time norte-americano de vôlei masculino, nos Jogos de Barcelona 1992/UsaVolleyball

Quem acredita que não há tapetão nos Jogos Olímpicos precisa rever os seus conceitos! Na história olímpica, são vários os exemplos de controvérsia, a maioria por doping. Em alguns casos, a origem dos fatos é diferente. Quem não se recorda do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima sendo obstruído por um transeunte, em plena corrida pelo ouro, em Atenas 2004? Pois então, o vôlei olímpico também possui polêmicas registradas em sua história. Uma delas, vamos relembrar a seguir.

Foi em Barcelona 1992, logo no jogo de abertura do grupo A daqueles Jogos, no naipe masculino. A partida em questão envolvia o Japão e os Estados Unidos. Os japoneses venciam a partida por 2×1 e tinham o match point, com 14/13 no placar. Foi quando o jogador norte-americano Bob Samuelson recebeu o segundo cartão amarelo por atitude antidesportiva. Pela regra, a infração daria um ponto técnico para o Japão e o jogador deveria ser expulso do jogo. Com isso, os japoneses fechariam o confronto em 3×1, sendo vitoriosos no duelo.

No entanto, o árbitro Rammis Samedov do Azerbaijão optou por não expulsar o jogador norte-americano da partida. O jogo foi continuado, sob objeção do segundo árbitro brasileiro Laert Francisco de Souza. Deu-se a confusão. Os Estados Unidos conseguiram virar o duelo, com vitórias no 4º set e tie-break. O técnico japonês Seiji Oko protestou contra a derrota para um júri da Federação Internacional de Vôlei.

24 horas depois, a vitória norte-americana na estreia dos Jogos de Barcelona, virou derrota. Após uma reunião de cinco horas, o Comitê de Controle da FIVB, composto por 24 membros, decidiu por acatar o protesto dos japoneses, concedendo a vitória por 3×1, para o Japão. O presidente da FIVB na época, o mexicano Ruben Acosta disse ao Los Angeles Times sentir pela decisão, mas segundo ele, era o justo. Ele disse que o Comitê de Controle cumpria regras.

A seleção norte-americana, em protesto pela decisão da FIVB, resolveu raspar o cabelo de todos os jogadores para demonstrar descontentamento com a decisão. Tal fato ocorreu, porque o jogador norte-americano envolvido na polêmica, no caso Bob Samuelson, sofria de alopecia. A atitude serviu para unir a delegação de vôlei dos Estados Unidos.

Fato é que, os Estados Unidos estavam em busca do seu tricampeonato olímpico consecutivo. A mudança no resultado acabou por jogar o Brasil no caminho dos americanos nas semifinais. Além disso, foi crucial para a classificação do Japão na primeira fase, deixando França e Espanha de fora das quartas-de-final. O final disso, todos no Brasil já conhecem! O time de José Roberto Guimarães foi medalha de ouro, contra a Holanda na final, e os Estados Unidos ficaram com o bronze. No link abaixo, você acessa a reportagem da época do Los Angeles Times acerca da polêmica.

https://www.latimes.com/archives/la-xpm-1992-07-28-mn-4573-story.html

Fonte: Olympedia

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