A EXPERIÊNCIA MALSUCEDIDA DOS 21 PONTOS

Há quase 8 anos, mais precisamente na temporada 2013/2014 da Superliga, tanto no masculino, quanto no feminino, a maior competição de voleibol do Brasil foi palco de uma polêmica experiência. Para atender a demanda da televisão e dos seus patrocinadores, a CBV decidiu diminuir a pontuação para fechar os sets. Para ganhar uma parcial seriam necessários 21 pontos e não mais 25 pontos. O objetivo seria reduzir a duração das partidas, de modo que coubessem na grade de programação das emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

Deu tudo errado. A começar pelo principal objetivo. Ao contrário do que se esperava, os jogos não tiveram diminuídos os tempos de duração. Em alguns casos, chegaram até mesmo a extrapolar o tempo médio de duração dos confrontos. Outro ponto falho da experiência, já apontado pelos atletas no lançamento daquela edição da Superliga, foi o impacto causado na capacidade de reação dos times durante as parciais. Apesar de manter a média de duração dos jogos, era quase impossível reverter uma situação adversa, caso o oponente disparasse no placar.

Para completar o quadro de fracasso geral, ao invés de terem as suas marcas com mais exposição, os patrocinadores tiveram que aceitar um pequeno espaço na grade de programação da detentora dos direitos de transmissão, que previa apenas a exibição dos duelos decisivos das semifinais e das finais em jogo único, nos dois naipes.

25 pontos

Não foi a primeira vez que a Superliga serviu de laboratório de experiências. Na temporada 97/98, quando a FIVB se empenhava em medidas duras para tentar diminuir o tempo de duração dos jogos, para atrair mais patrocinadores e o interesse da televisão pelo mundo, a Superliga lançou uma novidade também um pouco estranha. Os jogos eram disputados por tempo. Assim que estourassem o relógio determinado, os pontos que eram disputados com vantagem, passavam a ser disputados de forma direta, como um tie-break, até fechar a parcial em 15 pontos.

Obviamente, não foi para a frente. Porém, esse experimento serviu para inspirar a regra atual. Desde 99, em nível internacional, a nova regra dos 25 pontos estabelece a disputa ponto a ponto sem a vantagem. O tie-break permaneceu com 15 pontos diretos. No Brasil, o pioneiro da nova regra foi o Campeonato Paulista 1998. Tal fato aconteceu porque o estadual foi disputado antes da Superliga 98/99, primeira edição da competição com a regra dos 25 pontos.

Nos últimos anos, também pressionada pela televisão e patrocinadores, a FIVB também testou novas regras para tentar diminuir o tempo de duração dos jogos. Nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, os tempos técnicos foram abolidos. No Mundial de base sub-23 2017, os sets foram jogados em 15 pontos diretos, com vitória para a equipe que vencesse 4 parciais. Portanto, as partidas tinham até 7 sets de 15 pontos. No entanto, a proposta não avançou.

No link abaixo, você confere a final do Campeonato Paulista feminino de 1998, entre Leites Nestlé e BCN/Osasco, disputada pela 1ª vez na regra dos 25 pontos.

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