AS CONSEQUÊNCIAS DO BANIMENTO RUSSO

No último dia 17 de Dezembro, o CAS, Corte Arbitral do Esporte decidiu banir a Rússia de todas as competições esportivas por 2 anos, sob alegação de doping generalizado e obstrução de investigação. O caso se arrastava há quatro anos. A sentença também incluiu o direito a sediar eventos de qualquer modalidade. Até 2022, a Rússia não receberá eventos esportivos, como punição. Por incrível que possa parecer, ao saber da decisão, dirigentes russos comemoraram a sentença, em virtude da pena branda e do direito dos atletas “limpos” competirem sob bandeira neutra.

Para o vôlei, a sentença pode gerar algumas consequências imediatas como: a mudança da sede do Mundial masculino de 2022. Em 2018, a Rússia foi anunciada como sede do evento. Após a sentença do CAS, isso provavelmente mudará. A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) ainda não se pronunciou. Assim que saiu a sentença pediu mais detalhes ao CAS. Dado que os últimos três Mundiais do naipe masculino foram na Europa, o blog aposta que a nova sede do Mundial de 22 será o Japão, ou até mesmo o Brasil.

Além disso, a FIVB precisa correr contra o tempo para tomar decisões importantes sobre a questão. Como ficará a participação dos russos na Liga das Nações durante o período de punição? Poderão os atletas russos competir na Liga das Nações sob bandeira neutra ou a Rússia perderá a vaga para outro país? Mais, será que a Federação Russa conseguirá formar uma equipe competitiva, tanto no masculino, quanto no feminino, excluindo os jogadores com caso de doping? E o que vale para os Jogos Olímpicos de Tóquio também será o mesmo para a Liga das Nações? É bom lembrar que a Rússia estava programada como sede da Ligas das Nações 2021 e 2022.

Outras questões podem ser levantadas por partes interessadas. Por exemplo, no caso dos esportes individuais é claro que a vaga olímpica conquistada pertence ao atleta. Porém, nos esportes coletivos, esse conceito poderá ser colocado em xeque. A classificação russa para os Jogos de Tóquio 2020, nos naipes masculino e feminino do vôlei, pertencem ao país. Portanto, passível de questionamento por outras federações. Afinal, a classificação olímpica pertence ao país ou aos atletas?

Existem várias saídas para esse imbróglio. Em 1992, nos Jogos de Barcelona, por se tratar de uma questão política, os russos competiram sob a bandeira neutra da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Mas ao que parece, a situação agora é outra: um grave caso de corrupção esportiva. Dependendo da decisão tomada pela FIVB, mais polêmicas poderão surgir. Em caso de eliminação da Rússia, sem poder competir sob bandeira neutra, como será decidida a seleção substituta? Um novo qualificatório olímpico ou um convite por índice técnico através do controverso novo ranking?

Em tempos de pandemia, não dá pra cravar com certeza como será o amanhã. O coronavírus já obrigou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a adiar o seu maior evento esportivo por um ano. O calendário de competições das modalidades foi bagunçado. Há o risco de não acontecer as Olimpíadas. Não dá pra descartar a desistência de delegações em participar dos Jogos de Tóquio, mesmo que ele ocorra, ainda em plena pandemia, com plateia vazia. Logo, a eliminação russa é apenas uma das surpresas que poderão acontecer.

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