O DESEMPENHO DE TIFFANY ABREU

Há cerca de um ano e meio, o voleibol nacional se viu em meio a uma grande controvérsia. Na temporada 2017/2018 da Superliga Feminina, o Bauru inscreveu para a disputa da competição, a primeira atleta transgênero do esporte no Brasil: Tiffany Abreu. Sua participação no torneio, dividiu opiniões. A polêmica se espalhou pelas redes. A principal argumentação contrária era sobre uma suposta vantagem física da jogadora em relação as outras atletas. Entre os pontos a favor, a inclusão social através do esporte.

Seu desempenho em quadra, na primeira temporada, foi espetacular. Eliminada nas quartas-de-final, ela marcou 308 pontos, em apenas 14 jogos, com 5,4 pontos de média por set, atuando na função de oposta. Tal performance, cogitou a sua convocação para a seleção brasileira. Porém, isso não ocorreu, porque a Federação Internacional (FIVB) em carta às federações nacionais, pediu tempo para avaliar e analisar a situação dos atletas transgêneros e suas implicações éticas.

Para jogar a Superliga, Tiffany ganhou uma autorização da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) baseada nos testes hormonais realizados pela atleta, de acordo com as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI). Dentro das normas da entidade, Tiffany está apta para disputar qualquer competição, inclusive com a camisa da seleção brasileira. No entanto, sem a definição do posicionamento da FIVB, ela está impedida, por enquanto, de defender o Brasil no cenário internacional.

Recentemente, no começo de 2018, na Austrália, uma jogadora trans foi autorizada a disputar a segunda divisão da liga de futebol feminino do país. Ainda em 2018, em dezembro, também da Austrália, a atleta Hannah Moncey recebeu autorização da Federação Internacional de Handebol (IHF) para disputar o Mundial da modalidade, em novembro deste ano, no Japão. Sua estreia aconteceu em novembro passado, no campeonato asiático. Hannah entrará para a história do handebol como a primeira atleta trans a disputar o Mundial do esporte.

A estreia de Tiffany no vôlei como transgênero iniciou na Itália, poucos anos antes de 2018. Anteriormente, ela foi atleta da modalidade na categoria masculina. O blog esteve na partida do Minas contra o Sesi/Bauru, time da jogadora, pela temporada 2018/2019 da Superliga Feminina. Atuando neste ano, como ponteira, aparentemente, Tiffany não possui vantagens físicas sobre as outras atletas. Apesar disso, ela possui uma explosão física ofensiva superior ao nível feminino, comparável apenas às atletas cubanas. A impressão, às vezes, é que ela poupa seus golpes de ataque. Seu alcance é acima das demais jogadoras.

Em entrevistas dadas à imprensa, a líbero bicampeã olímpica, Fabi, disse não haver anormalidade na força de Tiffany. Ela atuou contra a jogadora, na última Superliga, e comparou o desempenho físico da atleta, a um dos destaques da seleção brasileira feminina, Tandara. As divergências de opiniões entre as jogadoras foram enormes. A grande maioria ficou incomodada e pediu regras mais claras.

Em declarações ao portal UOL, nessa semana, Tiffany afirmou ter hoje uma recepção positiva em relação à torcida e atletas. A opinião do blog é de que seja criada uma nova categoria específica para atletas transgêneros. Sob pena de que, sobre o véu da inclusão esteja mais uma tentativa de corrupção esportiva, já associada ao doping e à manipulação de resultados.

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